
Capítulo 916
48 horas por dia
Depois de trancar a porta, Han Lu ficou parada atrás dela por um tempo, observando a situação no corredor pela fechadura. Ninguém batia na porta, e ninguém passava perto do seu quarto.
Em seguida, foi até as janelas novamente, verificando se estavam bem fechadas. Leu até mesmo as instruções de prevenção de incêndio em inglês na parede. Apesar de Yonaguni parecer tranquila à noite, Han Lu sentia uma ansiedade inexplicável no coração.
Nellie lhe dissera que Yonaguni sempre fora muito segura, com quase nenhum crime. A ilha era tão pequena que todo mundo se conhecia. Se alguém cometesse um crime, o criminoso jamais conseguiria escapar se as autoridades fechassem o aeroporto.
Portanto, aquela pequena ilha sempre fora o lugar mais seguro do Japão.
Han Lu se confortava com esse pensamento. Embora tivesse descoberto que a guarnição da ilha provavelmente estava ligada aos monstros do mar, acreditava que eles não tomariam medidas drásticas contra ela e Nellie por enquanto, observando a forma como haviam reagido. Até então, eles haviam tentado eliminar evidências, pegando seu cartão SD e tentando fazer o túnel subaquático desaparecer.
Essa também era a razão pela qual Han Lu deduziu que ainda estaria segura por enquanto. Se a outra parte quisesse fazer algo com ela, poderiam tê-la detido ou matado quando ela e Nellie saíram da base militar. Lidar com ela depois seria inútil.
No entanto, Han Lu estava mesmo um pouco inquieta naquela noite.
Para eliminar a ansiedade, ligou a TV e escolheu aleatoriamente um canal que transmitia um reality show. Embora não entendesse a língua, isso a ajudou a relaxar um pouco.
O programa propositalmente criava obstáculos para alguns jovens casais superarem, enquanto o apresentador e as celebridades observavam como eles os solucionavam. Os jovens reclamavam, e os outros riam deles. Esse tipo de reality show fazia sucesso no Japão.
Han Lu, porém, não gostava muito desse tipo de programa. Só o assistia porque havia muita gente falando e rindo. Como estava sozinha, era exatamente o que precisava. Depois de um tempo, parou de prestar atenção; ficou olhando fixamente para a televisão, a mente divagando.
Quase dez horas, a recepção a ligou avisando que poderia haver chuva forte mais tarde e a lembrando de fechar portas e janelas.
Han Lu agradeceu. Por volta das 22h30, tomou um banho rápido, principalmente para tirar o sal da pele e do cabelo. Desde que terminou o mergulho, não tinha tido tempo para se limpar. E não podia demorar mais, precisava dormir logo.
Han Lu deixou a porta aberta enquanto tomava banho. Assim, qualquer movimento do lado de fora seria audível.
Às 23h15, finalmente terminou o banho e secou o cabelo. Depois, foi para a cama. Hesitou um pouco antes de decidir não desligar a televisão.
O reality show havia acabado, e o canal estava passando uma novela.
Han Lu deitou-se de costas na cama, e podia ouvir o trovão zunindo lá fora. Depois de um tempo, as gotas de chuva começaram a cair do céu, batendo na vidraça com um ritmo repetitivo. Han Lu foi ficando com sono ao som da chuva e da novela.
No geral, tivera um dia péssimo. Seja debaixo d'água ou em terra, estava exausta. Ao adormecer, teve um pesadelo, sonhando que Zhang Heng estava sendo devorado pelos monstros. E ela nem conseguia encontrar o corpo dele.
Justo quando pensava no que diria aos pais de Zhang Heng sobre a tragédia, foi acordada por uma batida leve na porta.
Han Lu sentou-se na cama imediatamente, sem saber se a voz vinha da realidade ou do sonho.
Menos de meio minuto depois, sua dúvida foi respondida. Ouviu outra batida na porta.
Han Lu levantou da cama, sem chinelos, e caminhou descalça até a porta. Tentou fazer o mínimo de barulho possível. Depois, inclinou-se sobre a fechadura e olhou.
Imediatamente, sentiu um arrepio percorrer sua espinha dos pés à cabeça.
Assim como da última vez, não viu nada pela fechadura. Estava escuro lá fora. Sabia que a pessoa que batia na porta devia ser a mesma que tinha colado algo na fechadura.
E desta vez, Han Lu sentiu que a pessoa tinha más intenções. Se não fosse a tempestade, teria considerado pular pela janela. Então, olhou em volta procurando algo que pudesse usar como arma enquanto recuava. Mas não esperava que a pessoa do lado de fora abrisse sua porta.
Em seguida, a pessoa usou uma faca para abrir o trinco lateral da porta.
Han Lu ficou tão assustada que começou a gritar. Ao ouvir o grito, o intruso invadiu o quarto e tampou sua boca. Depois, tirou o chapéu poncho.
Era Zhang Heng, a pessoa que Han Lu achava que já estava morta.
Ela não acreditava no que via!
Embora sempre tivesse um fio de esperança de que Zhang Heng pudesse estar vivo, percebera no fundo que suas chances de sobrevivência seriam um milagre.
E agora, o milagre que ela esperava havia se tornado realidade.
Zhang Heng fez um gesto para Han Lu ficar quieta. Então, andou pelo quarto e encontrou vários dispositivos de escuta do tamanho de uma moeda. Jogou-os no quarto ao lado, fechou a porta e arrastou um homem inconsciente para o quarto de Han Lu.
“Quem é esse?” Han Lu perguntou.
“Alguém das Forças de Autodefesa. Ele foi quem bateu na sua porta e tampou a fechadura”, explicou Zhang Heng.
“Hein?” Han Lu ficou surpresa com a explicação de Zhang Heng. Não esperava que sua dedução estivesse errada. “As pessoas das Forças de Autodefesa não estão tentando esconder a existência daqueles monstros? Por que estão me atacando?”
“Esse era o plano deles antes, mas agora as circunstâncias mudaram. Depois que saí do palácio subaquático, eles quiseram continuar a te usar para me ameaçar.” Zhang Heng disse.
“Como você escapou do fundo do mar?” Han Lu estava confusa. “Não conseguimos te encontrar depois que voltamos para o barco. Nellie disse que seu cilindro de gás provavelmente tinha esvaziado. Todos nós pensamos que você estava morto.”
“É uma longa história.” Zhang Heng piscou. “É melhor sairmos dessa ilha primeiro.”