48 horas por dia

Capítulo 750

48 horas por dia

Após sete dias, Zhang Heng já compreendia melhor o treinamento básico de gladiador. Resumindo, tudo se resumia a fortalecer a força, a agilidade e a resistência. Ele também aprendeu algumas movimentações básicas para o combate na arena.

Até então, Zhang Heng não estava muito satisfeito com o que aprendera.

Considerando que estava no século II, ele não esperava um treinamento científico da escola. Além do objetivo de reconquistar a liberdade, Zhang Heng esperava aprender algo útil naquele cárcere. Afinal, estava no Império Romano, o período mais próspero dos espetáculos de gladiadores.

Essa forma vital de entretenimento para o povo romano desaparecera nas gerações seguintes devido à brutalidade e crueldade. No entanto, era inegável que criara, naquela época, uma legião de heróis e lendas.

Como a espada de Zhang Heng havia atingido o nível 4, aliado à experiência de combate acumulada em dúzias de missões, havia grandes chances de ele derrotar até mesmo um Espártaco reencarnado. Mas isso não significava que não houvesse espaço para aprimoramento em sua esgrima.

Por exemplo, ele aprendera algumas coisas observando a luta entre Habitus e Bach. Embora Habitus estivesse em desvantagem em termos de força bruta, ele usou movimentos ágeis e habilidosos para contornar a força de Bach, manipulando-o e o levando à derrota pela própria fúria. Aqueles movimentos quase dançantes despertaram o interesse de Zhang Heng.

Zhang Heng se considerava bastante ágil. Durante a missão do Veleiro Negro, ele havia se esforçado muito para chegar onde estava. Tinha confiança de derrotar Habitus em três movimentos. Isso porque ambos tinham treinamentos e experiências de combate diferentes. Não era só força física. Se Zhang Heng pudesse aprender os movimentos de Habitus, seria um grande acréscimo às suas habilidades.

Mas Zhang Heng logo descobriu que a coisa não era tão simples quanto parecia.

Após a divisão em grupos, cada um foi designado a um instrutor. O treinamento básico continuava, mas os instrutores formulavam rotinas específicas de acordo com os pontos fortes de cada candidato. Seja no treinamento básico ou individual, Zhang Heng não aprendeu os movimentos de Habitus.

Ele consultou seu instrutor sobre o assunto. Este explicou que, segundo o contrato de trabalho, precisava treinar gladiadores e cumprir os cursos obrigatórios. Alguns instrutores guardavam seus trunfos e não os compartilhavam.

Se Zhang Heng quisesse aprender a técnica única de Habitus, teria que recorrer a outros meios. O mais comum e simples era oferecer presentes. Candidatos como Zhang Heng não tinham como comprar presentes para agradar seu instrutor. Porém, ao se tornarem gladiadores oficiais, receberiam recompensas a cada vitória, mesmo mantendo o status de escravo. Geralmente, esses presentes e recompensas vinham do público. A escola de gladiadores ficaria com parte do valor e o restante seria dado aos gladiadores como incentivo para lutar com mais bravura.

Depois disso, os gladiadores podiam usar o dinheiro para diversão ou, claro, para se aproximar de um instrutor que admirassem, melhorando seu treinamento. Alguns optavam por assinar contratos de longo prazo, destinando parte de suas recompensas a um instrutor específico, que se tornaria seu treinador pessoal, responsável por planejar seu treinamento, acompanhar suas lutas, identificar fraquezas e ajudá-lo a melhorar constantemente suas habilidades de combate.

No entanto, esse tipo de tratamento era geralmente reservado a gladiadores estrelados.

Após a explicação do instrutor, Zhang Heng concluiu que não precisava se preocupar por enquanto. Candidatos e gladiadores oficiais não viviam juntos, dificultando encontrar Habitus. Além disso, não tinha nenhum incentivo para fazê-lo ensinar seus segredos.

Felizmente, Habitus ficaria na escola por algum tempo. Zhang Heng não tinha pressa. Sabendo o que queria, precisava primeiro passar na avaliação e se tornar um gladiador oficial.

Varo, por outro lado, continuava preocupado.

Desde que Gaby revelara seu valor, ele estava devastado e desesperado. Por mais otimista que fosse, não conseguia mais se enganar. Foi obrigado a aceitar, com dor, a dedução de Zhang Heng.

Sua situação atual não era apenas resultado de azar e maus investimentos. Alguém o havia prejudicado deliberadamente, esvaziando suas riquezas e sem intenção de deixá-lo livre.

Após o treinamento, Varo não foi comer. Voltou para seu alojamento, deitou-se na cama, olhando para o teto, como um cadáver esperando o sepultamento.

Zhang Heng jantou sozinho e, ao voltar para o alojamento, levou um pedaço de pão para Varo, jogando-o em seu peito: “Coma alguma coisa. Precisa repor as energias. Senão, não vai aguentar o treinamento de amanhã.”

Mas Varo permaneceu imóvel, como se não o tivesse ouvido.

Zhang Heng franziu a testa. “Mesmo que não seja por você, pense na sua esposa. Você não disse que ela o ama muito e está disposta a esperar que você se redima? De outro ângulo, ser gladiador não é tão ruim. Se o público gostar de você, até mesmo Marco Récio terá de lhe devolver a liberdade.”

Varo sorriu tristemente: “Você me perguntou quem me fez investir naquele negócio de linho no Egito, não é? Não foi um estranho. Foi minha esposa.”

“Se você estiver certo, minha esposa e meu melhor amigo se uniram para me colocar aqui.”

“Nossa, inesperado. Só posso dizer que sinto muito.”

“Eu sou mesmo o maior idiota do mundo, não é?”, chorou Varo, frustrado. “Deveria ter descoberto há muito tempo. Os sinais estavam lá, desde um ano atrás. Os dois sempre juntos, e eu ignorei muitos detalhes. Quando o escravo da loja me alertou, acabei o chicoteando por falar bobagem. Fui… um tolo.”

“Geralmente, você é o último a descobrir essas coisas”, consolou Zhang Heng.

“Por que…? Como isso aconteceu? Sou eu quem a ama mais. Me pergunto, e tenho certeza que nunca a fiz mal depois do casamento. Dei a ela tudo que quis, joias, sedas… não importava o preço, eu comprava. Eu até morreria por ela”, disse Varo, chorando amargamente.


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