
Capítulo 492
48 horas por dia
Naquela noite, Wiggins voltou para relatar que os Irregulars da Baker Street haviam seguido e observado Pearson por meio dia, sem obter nada de relevante. Ele havia ido trabalhar na fábrica de produtos químicos como de costume e não agiu de forma estranha. Holmes não tinha pressa, então pediu às crianças para continuarem de olho em Pearson. Quanto a Sherlock, ele queria trabalhar em seu artigo de pesquisa.
Na segunda manhã, Wiggins chegou, batendo furiosamente na porta e assustando a Sra. Hudson, que estava assando pão na cozinha. A algazarra acordou Zhang Heng também, e quando ele saiu do quarto, viu Sherlock Holmes rindo alto enquanto entregava sete xelins a Wiggins.
“Um para cada um, dois para você. Vá até o Inspetor Gregson e diga a ele que Holmes quer que ele venha para 221B Baker Street”, disse Sherlock. Ao olhar para cima, viu Zhang Heng descendo as escadas.
“Está feito. O caso finalmente está chegando ao fim! Se prenderem Pearson, o principal culpado não escapará.”
“Como assim?”, perguntou Zhang Heng com as sobrancelhas arqueadas, “você tem todas as provas necessárias?”
“Exatamente”, respondeu Holmes, esfregando as mãos. “Vamos tomar café da manhã enquanto esperamos Gregson. Explicarei tudo depois.”
Cerca de uma hora depois, o Inspetor Gregson chegou a contragosto a 221B Baker Street, resmungando de mal humor ao entrar pela porta. “Eu disse que o caso acabou. Por que me chamou aqui? A polícia está muito ocupada. Nem consegui dormir direito.”
“Ah, é? O que anda aprontando? Caso novo? Ainda esperando a condecoração do comissário?”, Holmes riu.
Gregson corou e abaixou o tom. “Afinal, contribuí para esta cidade. O caso está nos jornais há dois dias. Nada de surpreendente que tenha chamado a atenção do comissário.”
“De fato, mas acho que ainda não é tarde demais para comemorar depois de pegarmos o verdadeiro assassino”, disse Holmes.
“O verdadeiro assassino?!”
Gregson ficou surpreso.
“Venha comigo. Não vai tomar muito do seu tempo. Aliás, trouxe suas algemas?”
“Tenho comigo”, respondeu Gregson impacientemente. “Também tenho minha arma, e não deixaria de lado esse equipamento essencial.”
“Provavelmente, não precisaremos. Afinal, o suspeito não é mau-caráter, e além disso, ainda temos um mestre aqui”, disse Holmes lançando um olhar para Zhang Heng. O dia anterior ainda estava fresco em sua memória, e seus olhos ainda estavam um pouco inchados.
“Vamos, senhores.”
Em vez de ir diretamente para a fábrica de produtos químicos, eles primeiro entraram em uma casa de penhores com uma carruagem.
“Alguém veio penhorar um tapete mais cedo. Onde está esse tapete agora?”, Holmes perguntou ao dono.
O agiota ficou imediatamente nervoso ao ouvir a pergunta.
“Eu sabia”, resmungou ele para si mesmo.
“Hein?”
“Não estou falando de vocês, senhores. Estou falando do moleque que veio penhorar o tapete mais cedo. Desconfiei dele, e para ser sincero, estou nesse ramo há muito tempo. Já cruzei o caminho com todo tipo de gente. Pelo jeito que ele estava vestido, parecia um pobre-diabo. Como ele conseguiu um tapete tão bom? Ele penhorou o tapete assim que abri a loja. ‘Será que foi roubado?’, murmurei para mim mesmo.”
“Por que você aceitou então?”, indagou Gregson.
Diante disso, o agiota simplesmente sorriu de forma irônica.
“Quanto você deu a ele?”, perguntou Holmes.
“Duas… duas libras”, o dono admitiu timidamente. “Examinei o acabamento e os materiais, e você precisaria gastar pelo menos vinte ou trinta libras para algo dessa qualidade.” “Então quer dizer que você lucra dez vezes mais se conseguir vendê-lo? Vamos, não se sinta mal por isso. O problema é que é uma prova, e está relacionada a um assassinato. Talvez a gente devolva depois que usarmos. Agora, leve-nos até o tapete!”
“Tudo bem… Tudo bem.”
O agiota levou os três a um depósito onde os itens penhorados eram guardados. Holmes se abaixou, e conseguiu ver manchas de sangue no meio do tapete sem nem precisar de uma lupa. Alguém tentou limpar o local, mas aparentemente não fez um trabalho muito bom.
Gregson tentou se consolar.
“Isso não explica nada”, disse ele com descrença, parecendo um pouco abalado e um pouco nervoso também. “Bom, o agiota mencionou que o tapete provavelmente foi roubado.”
“Este é o tapete do escritório de John Jones”, interrompeu Holmes. “Para ser sincero, eu não esperava que a investigação fosse tão tranquila. Achei que ele teria usado um método mais seguro para lidar com isso.”
“Por que esse nome me parece tão familiar? Espera… você está falando do atual dono da fábrica têxtil de John?”, Gregson finalmente se lembrou de onde o nome veio. “Ele foi quem nos recebeu na fábrica. Parecia um cara legal, aquele sujeito.” “As funcionárias da fábrica têxtil não parecem achar isso. Não é a primeira vez que ele assedia uma delas”, disse Holmes. “Embora ninguém quisesse falar sobre isso, ainda descobri que ele assumiu a fábrica do pai há cerca de um ano. Imediatamente depois disso, as funcionárias começaram a engravidar. Claro, a maioria ficou quieta e deixou a fábrica depois de receber a indenização.” “De fato, não é algo de que se deva orgulhar.”
Gregson tinha amolecido consideravelmente. Ele continuou: “Bem, admito que posso ter perdido algo. O Sr. John é suspeito, mas ainda insisto que o garoto chamado Paul é meu principal suspeito aqui. Afinal, as roupas ensanguentadas debaixo da cama dele não podem ser falsas.”
“Pare de ficar nervoso e me escute primeiro.”
Holmes sorriu.
“Era a vez de Molly limpar o local quando a tragédia a atingiu. Ela foi a última a sair, e naquela hora, a luz no escritório de John também ainda estava acesa. Em outras palavras, eles eram as únicas duas pessoas ainda na fábrica naquela hora. John teve todo o tempo do mundo para cometer o crime. No dia seguinte, Zhang Heng e eu visitamos a fábrica têxtil. O cara da entrada nos disse que John não estava lá. Isso não me pareceu certo, especialmente depois que alguém foi assassinado em sua fábrica. Ele deveria estar na fábrica, tentando acalmar suas funcionárias. Quando estávamos lá, eu entrei sorrateiramente no escritório de John e notei que o tapete havia sido trocado recentemente. O novo tapete obviamente não tinha o tamanho certo, provavelmente um que foi apressadamente tirado de casa. Uma tênue mancha de sangue também estava no canto de sua imponente escrivaninha. O sangue penetra na madeira, sim, mas como você disse, ainda não explica por que as roupas de Molly estavam debaixo da cama de Paul.”
Havia uma razão pela qual Gregson era o melhor homem para ocupar o cargo de inspetor de polícia.
Ele balançou a cabeça. “Será que John está tentando colocar a culpa em Paul? Mas Paul trabalha na fábrica de produtos químicos ao lado da fábrica dele. John pode nem conhecê-lo. Em segundo lugar, mesmo que ele saiba que existe uma pessoa chamada Paul, é impossível que ele soubesse onde ele mora. A rede de becos nas favelas confundiria John. Se uma pessoa como ele entrasse nas favelas, ele teria sido notado instantaneamente.”
“Você está certo, por isso acredito que há outro cúmplice neste caso!”, proclamou Holmes.