48 horas por dia

Capítulo 333

48 horas por dia

O voo CZ5376 finalmente mudou para “chegada” no painel eletrônico.

Dez minutos depois, os passageiros começaram a descer. Zhang Heng e seu avô estavam parados na frente da multidão esperando. Observavam as pessoas passando, mas não viam nenhum rosto familiar.

O telefone de Zhang Heng tocou – era sua mãe.

“Desculpa, desculpa, desculpa! Vocês devem ter esperado muito. Nosso voo atrasou, a gente ainda não achou uma mala. Seus presentes estão lá dentro. Por favor, esperem só um pouquinho mais.” “Sem problemas, não se preocupem, fiquem à vontade”, Zhang Heng garantiu. Dez minutos depois que desligaram, e depois que todo mundo tinha ido embora, Zhang Heng finalmente viu os dois correndo para sair do saguão de desembarque.

“Pai!” Uma mulher com pele saudável, que não parecia ter mais de trinta anos, largou a pequena mala na mão e começou a correr. Quando sem querer deu um chute na perna de plástico do corrimão da fila, parou para esfregar, rangeu os dentes e continuou correndo.

“Ei, devagar! Não se machuque.” O homem que vinha atrás dela carregando uma mala enorme parecia um pouco nervoso.

Ele estava com um casaco de plumas preto da Calvin Klein e um cachecol marrom no pescoço. Havia um óculos de sol no bolso do peito e parecia ter passado bastante perfume. Ele era bonito, mas estava ficando careca e tinha uma pequena barriguinha.

Quando viu Zhang Heng, pareceu surpreso. “Quem é você?” Um segundo depois, sorriu amplamente. “Brincadeira! Então, sentiu nossa falta, rapaz bonito?”

Zhang Heng pegou a mala enorme do homem. “Já cresci. Podemos ser um pouco mais maduros?”

“Tsc, tsc, tsc. Sinto muita falta da época em que você era pequeno. Toda vez que eu descia para comprar um vidro de molho de soja, você chorava e gritava: ‘Papai! Quero o papai! Cadê você, papai...’ Você era tão fofo.”

“Nada disso aconteceu. Agora, pare de inventar histórias”, resmungou Zhang Heng. “Da última vez, você me contou que me tirou de um lago congelado no inverno. Quando perguntei ao avô, ele disse que era mentira. Se você tem Alzheimer, trate logo e não atrase.”

“Essa é verdade. Você era muito apegado a mim quando era criança.” O pai de Zhang Heng coçou a cabeça e olhou em volta do aeroporto. “Onde está sua namorada? Ela não veio com você?”

“Se eu tivesse uma namorada, a primeira coisa que eu faria seria mantê-la longe de você.”

“Que pena, sua mãe e eu também preparamos um presente para ela. Ela com certeza vai gostar.”

Enquanto conversavam, uma figura vermelha de repente se jogou nas costas de Zhang Heng.

“Hahaha. Parece que você cresceu muito desde a última vez que nos vimos – não dava para perceber no vídeo. Ah, e tem músculos também! Não é ruim... não é ruim mesmo! Parece que alguém ouviu a mãe. Treine bastante agora... pode ser difícil, mas você precisa manter a forma física até finalmente convencer alguém a se casar com você. Aí você pode relaxar e comer o que quiser.” “Ah... eu não relaxei, tá? É porque vocês nunca terminam a comida que pedem, e não deveríamos desperdiçar comida de qualquer jeito. Então, acabei comendo sem parar”, o pai de Zhang Heng se defendeu.

Embora Zhang Heng estivesse mentalmente preparado, teve que admitir que ainda subestimou a resistência deles. Eles não pararam de falar um instante, desde a porta de desembarque do aeroporto até o estacionamento subterrâneo. A conversa não parou nem depois que entraram no carro. Enquanto dirigiam pela cidade, eles apontaram as mudanças que ela sofreu, muito parecidos com o casal de chineses que voltavam do exterior. No meio do caminho, porém, os dois ficaram um pouco mais quietos.

Não era porque eles não tinham mais nada para dizer, mas porque estavam com fome.

“Já preparei todos os ingredientes. Aguentem só um pouco mais. Quando chegarmos em casa, podemos comer fondue”, disse o avô para a mãe de Zhang Heng.

Ela deu um joinha para o pai, um sorriso animado surgindo em seu rosto. “Você é o melhor pai do mundo! Sem dúvidas.”

O pai de Zhang Heng se virou para olhar para o filho sentado ao lado dele. “Você não deveria dizer alguma coisa?”

“Acho que você ainda está longe disso.”

“Ah, veja, por isso eu queria mesmo uma filha. As meninas são mais carinhosas. Elas são a menina dos olhos de todo pai”, suspirou o pai de Zhang Heng.

Quando os quatro finalmente chegaram em casa, o avô de Zhang Heng tirou da geladeira algumas fatias de carne, dobradinha e legumes cortados, depois adicionou o caldo de ossos fervido na panela de cobre.

Enquanto esperavam, a mãe de Zhang Heng abriu a mala enorme, tirou algo embrulhado em plástico bolha e jornal, e entregou ao velho, “Pai, o Guojian escolheu essa peça de porcelana inglesa para você.” [1] - Porcelana inglesa: um tipo de porcelana que é composta por cinzas de ossos, material feldspático e caulim.

“Obrigado.” Embora a expressão do avô permanecesse séria, era óbvio que ele estava satisfeito com o presente. Desde a aposentadoria, seus três principais hobbies eram jogar xadrez, tomar chá e cuidar do jardim nos fundos. Ao receber o jogo de chá de porcelana, ele pareceu suavizar o olhar para o pai de Zhang Heng, ficando mais afável.

O pai de Zhang Heng fez um gesto de “OK” para a esposa que estava embaixo da mesa, indicando que tudo correu bem.

Então, a mãe de Zhang tirou outra caixa. Em comparação com o jogo de chá anterior, a caixa era minúscula, do tamanho de uma caixa de joias. Zhang Heng levantou as sobrancelhas, “O quê?” “Desculpa por não ter estado por perto todos esses anos. Estive ausente durante toda a sua adolescência. Essa sempre foi nossa falha como pais.” O pai de Zhang Heng parecia estranhamente sério, não mais tão folgado como antes. “Além disso, não conseguimos voltar para o Ano Novo por dois anos seguidos. Devemos dois presentes de Ano Novo para você. Vamos compensar tudo isso”, continuou a mãe de Zhang Heng, e então entregou a caixa ao filho. Ela o encorajou a abri-la e olhar para dentro.

“Err...” Zhang Heng abriu a caixa, revelando uma chave de carro dentro. “Parabéns, filho. Este é seu primeiro carro!” Os pais de Zhang Heng trocaram um olhar. “Você deveria tirar sua carteira de motorista. É só um Polo, mas espero que pelo menos ajude você a arrumar uma namorada.”

“Não se preocupe com a carteira – coloquei no nome de um colega de classe”, disse a mãe de Zhang Heng. “Você pode pegar sua placa, e o carro será seu quando chegar sua vez. Já pagamos o seguro de um ano. Claro, você tem que encontrar seu próprio jeito para a gasolina, estacionamento e o seguro do próximo ano. Não vamos aumentar sua mesada. Pode ser um pouco cedo, mas você precisa se preparar para fazer parte da sociedade...”

“Obrigado.” Zhang Heng guardou a chave e agradeceu aos pais.

Na verdade, ele tinha estado pensando em comprar um carro. Durante suas 24 horas extras a cada dia, todo o transporte público parava de funcionar. Embora sempre houvesse a bicicleta compartilhada, era uma maneira bastante lenta de viajar, e limitava severamente o alcance de suas atividades.

As coisas seriam muito melhores se ele tivesse seu próprio carro. Para ele, dinheiro não era problema, afinal, um ponto de jogo poderia ser trocado por 30.000 ou 40.000 yuans. As placas eram difíceis de obter em Pequim. Se não fosse possível, Zhang Heng teria que considerar alugar uma placa. Mas agora, o problema parecia ter se resolvido.

O Polo era suficiente para ele. Se não estivesse à altura, ele sempre poderia modificá-lo sozinho. Afinal, suas habilidades de ajuste e manutenção de carros estavam no nível 2.

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