
Capítulo 257
48 horas por dia
Os bandidos dominavam a área, confiando em seu número. Sempre foram eles os valentões, e aquela era a primeira vez que a situação se invertia.
O soco de Zhang Heng foi fulminante, totalmente inesperado. O garoto de jaqueta de couro o havia convidado para a “festinha”, e seus amigos estavam sorrindo de orelha a orelha, empolgados com a nova brincadeira. Eis que algo ainda mais emocionante aconteceu. O jovem de jaqueta caiu no chão, de cara. A visão escureceu, e antes que pudesse gritar de dor, já estava inconsciente.
Seus amigos ficaram atônitos. Paralisados por um instante, esqueceram de revidar. Mas a vida real não é um jogo por turnos, e Zhang Heng não ia facilitar para eles. Depois de derrubar um, agarrou outro pela gola e o jogou no chão. Este teve ainda menos sorte: ao cair, a testa bateu na pia, e um sangue vermelho vivo jorrou. Não havia mais luta nele.
Vivendo no Caribe por mais de uma década, Zhang Heng não apenas aprimorou suas habilidades com facas para o nível 3; mesmo sem arma, suas habilidades de luta corpo a corpo eram igualmente impressionantes. Anne foi quem lhe ensinou aquele golpe de ombro, e ele conseguiu aprender tudo com ela durante os treinos. Junto com sua vasta experiência em combate, seria difícil encontrar alguém à sua altura.
Em apenas cinco segundos, Zhang Heng havia derrubado dois oponentes.
Após um momento para registrar o que estava acontecendo, os três capangas restantes finalmente saíram do choque. Deixaram a garota no chão enquanto gritavam de fúria, brandindo canivetes e fazendo gestos ameaçadores.
Essa tática de intimidação costumava funcionar com pessoas comuns. Infelizmente, eles cruzaram o caminho de Zhang Heng naquele dia. Simplesmente observando a postura e o andar deles, Zhang Heng percebeu que aqueles bandidos de quinta categoria não tinham treinamento formal e, na verdade, já haviam cometido vários erros. Parados, pareciam formidáveis, mas em movimento, seus pontos fracos eram gritantes.
Mas uma arma afiada como o canivete ainda representava certo perigo, especialmente em uma briga. Foi por isso que Zhang Heng optou por derrubar dois capangas primeiro, facilitando o enfrentamento dos outros três.
Toda a luta durou menos de um minuto. Zhang Heng, na verdade, se conteve. Dois dos cinco bandidos estavam desmaiados, e os outros três estavam conscientes, mas machucados. O mais azarado foi aquele que investiu contra Zhang Heng com a lâmina, errou o golpe e levou a cabeça enfiada no mictório. Zhang Heng ainda o finalizou com um chute nas costas.
Tais brigas de rua insignificantes não eram páreo para todas as batalhas que Zhang Heng havia travado durante sua carreira de pirata. Ele nem sequer suou. Após a derrota, os três capangas restantes, ainda com fôlego, arrastaram seus amigos inconscientes para fora do banheiro, soltando impropérios e ameaças vazias enquanto fugiam em desabalada carreira.
Zhang Heng fingiu persegui-los. Com tanto medo, os bandidos tropeçaram na calçada e caíram na grama alta. Tendo aprendido a lição, ficaram quietos e correram desesperadamente para salvar suas vidas.
Zhang Heng não tinha interesse em persegui-los. Então, voltou para o banheiro. Lá dentro, não pôde deixar de franzir a testa com a cena lamentável.
Havia marcas da luta por toda parte, com rastros óbvios de sangue no chão deixados por aquele infeliz que bateu a cabeça na pia, e vômito do cara da jaqueta de couro. Havia até um tênis sozinho, três canivetes e uma pequena amolgação no corrimão de aço inoxidável do mictório.
Tudo o resto estava igual a quando ele havia saído dois minutos antes. A única diferença era que a garota inconsciente havia desaparecido.
Será que ela havia fugido sozinha?
Zhang Heng estava tão focado no grupo de bandidos que não prestou atenção ao que estava acontecendo atrás dele. A garota pode ter aproveitado a oportunidade para escapar. O banheiro tinha duas saídas, uma na frente e outra atrás. Zhang Heng havia perseguido os bandidos pela entrada da frente, mas a de trás dava para um pequeno parque aberto com vegetação exuberante. Levaria menos de dois minutos para ir do banheiro ao parque.
Embora a garota parecesse inconsciente quando foi trazida pelo grupo de bandidos, Zhang Heng não tinha certeza de quão bêbada ela realmente estava. A luta foi confusa e barulhenta, e ela poderia ter acordado no meio dela. Ao perceber que não reconhecia ninguém ao seu redor, pode ter fingido estar bêbada até todos irem embora antes de escapar para o parque.
Tendo feito uma dedução satisfatória do que aconteceu, Zhang Heng deixou tudo como estava. Ele não tinha outras intenções com a garota, e não importava se ela o agradecia ou não.
Sua luta não tinha nada a ver com a garota, mas sim porque o impediram de ir embora. Como a garota escapou sozinha, ele se livrou do trabalho de ter que entrar em contato com sua família ou amigos para buscá-la.
Para evitar problemas desnecessários, Zhang Heng limpou o sangue do chão e guardou os canivetes antes de sair.
Naquela hora, a porta principal que dava para o dormitório já estava trancada. Sem querer incomodar o zelador, Zhang Heng se hospedou em um quarto individual em um hotel, como da última vez.
Como a maioria dos hotéis modernos são equipados com sistema de reconhecimento facial, Zhang Heng teve que tirar o capuz para olhar para a câmera. Sem surpresa, sua aparência assustou bastante a recepcionista. Desconfiada, ela passou o cartão de identidade dele duas vezes. Nenhuma correspondência com nenhum foragido foi encontrada no sistema, e embora fosse uma boa notícia para ela e para o hotel, a recepcionista parecia relutante em acreditar.
No final, Zhang Heng teve que mostrar a carteira de estudante e o cartão universitário. A recepcionista, por sua vez, ficou muito surpresa.
Quando devolveu o cartão e lhe entregou a chave do quarto, não pôde deixar de perguntar: “Você realmente tem dezenove anos?”
Zhang Heng pegou a chave e respondeu: “É… ainda falta um tempo para o ano novo, então, sim. Ainda sou considerado de dezenove anos.”
Até ele entrar no elevador, a moça da recepção ainda parecia estar em choque. Ela ocupava o cargo havia dois anos e, durante esse período, vira todo tipo de gente. Para passar o tempo em seu trabalho tedioso e monótono, ela havia inventado alguns jogos para se divertir. Um de seus favoritos era adivinhar a profissão dos hóspedes.
Sempre que um hóspede entrava no hotel, a mente da recepcionista começava a criar teorias sobre a ocupação da pessoa. Então, ao emitir uma nota fiscal ou durante o check-out, ela perguntava para confirmar.
Ela sempre gostou desse jogo. Depois de dois anos, ela agora conseguia adivinhar com precisão oito em cada dez profissões, e considerava isso um superpoder de uma pessoa comum. Mas dessa vez, o superpoder do qual ela tanto se orgulhava se mostrou completamente ineficaz.
Estudante? Como é possível? Aquele tipo de temperamento, para ser franca, era mais parecido com um pirata de filme, que matava suas vítimas sem remorso.
A recepcionista ficou bastante divertida.
Era a China do século XXI. Como coisas tão inexplicáveis poderiam existir?