48 horas por dia

Capítulo 98

48 horas por dia

Zhang Heng foi forçado a recuar para a cozinha. Ao tentar desviar do ataque, a adaga raspou inadvertidamente seu braço esquerdo. Embora fosse apenas um corte superficial, Zhang Heng sabia que precisava agir rápido antes que o pirata o matasse. Mais três passos para trás, e ele bateria numa parede. Já o sujeito gordinho, permaneceu onde estava, completamente paralisado de medo. Parecia ter perdido a cabeça.

Em uma situação de vida ou morte como essa, um turbilhão de pensamentos passou pela mente de Zhang Heng. No entanto, ele logo recuperou a calma. Afinal, ele acabara de passar por uma guerra brutal na Finlândia. Agora, tinha o “Momento Sombra” no bolso, mas só lhe restava um uso. Zhang Heng não o havia usado no início de sua jornada. Ainda tinha um longo caminho pela frente.

De repente, Zhang Heng se lembrou da vez em que foi caçar ursos com Simone na Suécia. Então, avistou uma tábua de cortar com uma pequena faca usada para descascar batatas. Infelizmente, o pirata percebeu Zhang Heng de olho na arma.

No instante em que Zhang Heng ia pegar a faca, o pirata o atacou rapidamente com sua adaga, fazendo-o se mover na direção oposta, onde conseguiu desviar do golpe. Imediatamente, o pirata reagiu e também mudou de curso.

Ele mirou sua adaga diretamente no peito de Zhang Heng, mas, para sua surpresa, Zhang Heng conseguiu escapar novamente. Em vez de atingir seu alvo, a adaga atingiu um pedaço de carne defumada que estava pendurado atrás dele!

Desta vez, o pirata perdeu a paciência. Uma frustração extrema ferveu dentro dele enquanto Zhang Heng desviava de seus ataques repetidamente. Ele estava farto. Com a raiva nublando sua mente, ele empurrou a carne defumada para tentar alcançar Zhang Heng novamente.

No entanto, desta vez ele foi recebido por um arpão.

Zhang Heng esperara por essa oportunidade de ouro. Embora ambos tivessem embarcado no navio recentemente, Zhang Heng havia explorado a cozinha e procurado um bom lugar para esconder seus pertences. Portanto, conhecia o local melhor que o pirata. Quando foi forçado a recuar para a cozinha, a ideia de usar o arpão para atacar o pirata já rondava sua mente. Ele só precisava descobrir como atrair o pirata para onde a lança estava.

Simone certa vez lhe dissera que uma maneira mais inteligente de caçar presas maiores era fazê-las acreditar que eram elas as caçadoras. Na hora certa, Zhang Heng não hesitaria em usar sua arma para matar sua presa.

Naquele instante, o arpão penetrou o pescoço do pirata. O golpe foi tão rápido que o pirata não teve tempo de reagir. Foi morto instantaneamente. O ‘urso’ finalmente havia sido espetado pela armadilha do caçador.

Com um grunhido, Zhang Heng retirou o arpão. O pirata deu alguns passos para trás, cambaleou e caiu. Então, parou de respirar.

Zhang Heng desabou no chão depois de matar o pirata. Ao mesmo tempo, o sujeito gordinho, que estava paralisado de medo, saiu de seu estado de choque com o barulho alto vindo da cozinha. Foi então que ele percebeu que a situação havia tomado um rumo muito diferente do que ele esperava.

“Você… venceu?”

“Você percebe que ainda está aí sentado me fazendo perguntas inúteis, não é? A resposta é sim. Eu o matei.”

O gordinho percebeu que acabara de se comportar como um covarde. Quando Zhang Heng precisou desesperadamente de sua ajuda, ele não foi melhor do que um manequim petrificado.

“Me desculpa mesmo. Eu estava apavorado agora. Antes, eu queria abrir a porta para ver o que era aquele barulho lá fora, mas não esperava que um pirata viesse me atacar. Pensei que hoje seria meu último dia. Ah, sim, meu nome é Marvin. Sou filho de um fazendeiro numa colônia. Estou planejando voltar para ajudar meu pai na lavoura. Acho que te conheci no navio antes. Você é o viajante asiático, certo? Seu nome é Zhang… Zhang…”

“Marvin, acho que não é hora para conversa. Piratas tomaram conta do navio! Vamos estar em maus lençóis se eles encontrarem o irmão deles morto aqui!”

Inegavelmente, as coisas haviam tomado um rumo muito diferente do cenário desejado. Sozinho, Zhang Heng mal tinha força para mudar a situação. Inicialmente, ele só queria esconder suas coisas e se preparar para se render. Ele não esperava encontrar um pirata assim que saísse pela porta. Para piorar, ele não teve outra opção a não ser eliminar o pirata.

Deixar o pirata matar o homem gordinho a sangue frio só encorajaria o pirata a ir atrás dele de uma maneira pior. No entanto, matar o pirata acabava de colocar um alvo enorme nas costas de Zhang Heng. Agora, ele estava em grave perigo.

“Como assim? O que… o que eu devo fazer agora? Eu não o matei… eu… eu não fiz nada a ele! Eu só fiquei sentado e imóvel.”

Zhang Heng ficou claramente desapontado com o que acabou de ouvir. Ele não esperava que a primeira coisa que Marvin faria seria se excluir do incidente. Embora a intenção principal de Zhang Heng não fosse salvá-lo, era fato que Marvin conseguiu sobreviver graças a ele.

Antes que Zhang Heng pudesse dizer algo, porém, ele ouviu o som de passos ao longe. Meio minuto depois, dois homens apareceram na cozinha. Um deles segurava uma arma, enquanto o outro empunhava um sabre britânico. A julgar por sua aparência desgrenhada, eles definitivamente não eram da tripulação do navio.

“Achei mais dois vivos! Se comportem direitinho! O capitão de vocês está morto! Tudo neste navio agora é nosso! Não adianta querer ser herói na nossa frente!”, berrou um dos piratas enquanto brandida sua arma.

Imediatamente, Marvin balançou a cabeça como um louco. As gordurinhas em seu corpo se mexiam sem parar enquanto ele se agitava nervosamente. O suor escorria de seu rosto como uma torneira vazando.

“Que diabos está acontecendo?!” perguntou o pirata com o sabre.

Então, ele rapidamente deu uma volta pela cozinha e não encontrou nada suspeito. De repente, ele avistou um barril enorme atrás deles. O pirata empurrou Marvin e abriu o barril.

Tudo o que encontraram foi um monte de peixe defumado.

“Já acabou? Vamos perder a festa se vocês ficarem aqui mais tempo! Aliás, cadê o Victor? Eu o vi vindo por aqui antes”, perguntou o outro pirata.

“Sinceramente, eu não quero vê-lo de jeito nenhum. Ele é um maluco! Sempre que invadimos um navio, ele transforma o lugar todo em seu campo de batalha! Se não fosse por sua coragem, ele teria sido expulso do navio há muito tempo. Vamos! Hora de se reunir no convés!”, respondeu o pirata enquanto enfiava seu sabre de volta na bainha.

Enquanto Zhang Heng e Marvin eram escoltados para o convés, eles viram os outros sobreviventes. Entre o grupo estavam os sete últimos marinheiros. Todos estavam em choque, temendo o desconhecido que o destino lhes reservaria.

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