48 horas por dia

Capítulo 48

48 horas por dia

Alguém havia amarrado Zhang Heng a uma cadeira — ele não fazia ideia de quanto tempo já estava ali. Quando finalmente retiraram a venda de seus olhos, ele percebeu que o haviam levado para uma fábrica abandonada.

A cabeça de Zhang Heng ainda estava um pouco zonza. Depois de terem o dominado na frente do apartamento, ele fora forçado a entrar em um veículo e, então, vendado. Ele não conseguia dizer o que estava acontecendo ao seu redor, a não ser pela duração da viagem de carro: ainda estavam em Tóquio, mas provavelmente em algum lugar na periferia.

Ele tinha sido descuidado, sabia disso. Na verdade, não importava o quão calmo e vigilante ele fosse, era a primeira vez que se envolvia em algo assim e era natural cometer erros. A pessoa que os levou claramente armou uma cilada para encontrar o apartamento.

Como se lesse a mente de Zhang Heng, um cara com cabelo raspado tirou da bolsa da Ameko um dispositivo de rastreamento preto do tamanho de um chiclete.

Eles provavelmente colocaram aquilo lá quando sequestraram Ameko com o Toyota azul. Como Ameko estava inconsciente na época, ela não teria percebido o que fizeram. Além disso, o dispositivo de rastreamento estava bem escondido. A menos que ela tivesse vasculhado cada canto da bolsa, seria difícil notar.

Zhang Heng arqueou as sobrancelhas. “Onde está a Ameko?”

As pessoas que os levaram os separaram no apartamento. Provavelmente foram transportados em carros diferentes também. Zhang Heng não a via desde então.

“Primeiro pense na sua própria situação!”, rosnou o cara de cabelo raspado, lançando um olhar mortal para Zhang Heng.

Zhang Heng reconheceu o cara.

Era o cara que ele tinha dado um soco na porta — não admirava a má vontade dele com Zhang Heng.

“Heh, agora podemos acertar nossas contas!”, o cara de cabelo raspado largou o dispositivo de rastreamento e arregaçou as mangas com entusiasmo.

Naquele momento, uma voz profunda e sonora disse por trás: “Certo! Chega por agora. Deixe-me conversar com ele.”

“Sim, chefe.” A postura do cara de cabelo raspado mudou rapidamente. Ele se curvou para o homem que acabara de entrar e desapareceu imediatamente.

Um homem baixo se aproximou de Zhang Heng, pegou o banquinho mais próximo e se deixou cair sentado. “Nunca foi intenção da nossa organização envolver você e a Srta. Ameko nisso. Peço desculpas em nome da nossa organização.”

Zhang Heng simplesmente ficou calado.

“Há 22 anos, nosso vice-presidente executivo, ele... e Tsuchiya Yosuke, eh, que também é o Sr. Takeda Tetsuya, tiveram uma pequena desavença. Ele me mandou aqui para resolver as coisas. O plano era jogar Tsuchiya Yosuke no mar e dá-lo de comida para os tubarões, mas o Sr. Vice-presidente executivo mudou de ideia de repente e decidiu dar uma chance a ele. As palavras exatas do vice-presidente executivo foram: ‘As desavenças entre pilotos de corrida devem ser resolvidas à maneira de pilotos de corrida’”, disse o homem baixo.

“Então, preparei cuidadosamente um palco para Tsuchiya Yosuke. Ainda preciso de mais uma pessoa para fazer o papel coadjuvante, no entanto. Estava me dando dor de cabeça porque o Sr. Tsuchiya Yosuke não é exatamente o queridinho de todo mundo, e mesmo depois de tantos anos, ele não fez nenhum amigo. Eu ouvi dizer que por quase meio ano você tem feito entregas para ele. Então? Você está interessado em participar da diversão?”

“Há outras opções além de mim?”, perguntou Zhang Heng calmamente. Embora o cara parecesse mais gentil que seu associado, Zhang Heng entendeu que o homem não queria realmente saber sua opinião.

“Gosto de conversar com gente esperta — me poupa muito tempo.” O homem tirou uma adaga, foi até atrás de Zhang Heng e cortou a corda que prendia suas mãos. “O jogo é simples. Quem quer que ganhe essa competição, eu deixo vocês três irem. Mas se vocês perderem... acredite, vocês não querem saber o que acontece.”

Zhang Heng esticou os braços. Ele pensou em atacar o homem, pegar a faca e usá-lo como refém, mas quando viu os dois homens imponentes que guardavam a porta, desistiu da ideia. Não havia escapatória dessa situação.

“Quantos vão correr? Onde é? Quais são as regras?”

“Não se preocupe, você saberá quando chegar a hora. Primeiro, relaxe e escolha seu carro!”, disse o homem, batendo palmas com força.

Os guardas da porta foram para o centro da fábrica até um monte coberto. Os homens removeram a cobertura e revelaram os carros embaixo. Havia 5 no total: um Nissan 180SX vermelho, um BMW M5 prata, um Mercedes AMG GT cinza, uma Dodge Viper amarela e uma Ford F-150 Raptor azul.

“Esses carros foram modificados com algumas melhorias de desempenho. Você pode escolher dirigir o que mais gostar. Se você não estiver satisfeito, pode reajustá-lo você mesmo. Podemos fornecer as peças. A competição é hoje à meia-noite. Então, algum desses carros chama sua atenção?”, perguntou o homem. Ele não saiu logo em seguida, porém, como se curioso sobre qual decisão Zhang Heng tomaria.

Para sua surpresa, o rapaz deu apenas uma olhada nos carros e depois desviou o olhar. “Desculpe, posso dirigir meu próprio carro?”

“Seu próprio carro? Qual é? Porsche 911? Aston Martin? Ferrari?”

“Uma Mitsubishi L300 de segunda geração de 1982”, respondeu Zhang Heng. “Está estacionada logo embaixo do apartamento onde seus homens me pegaram.”

“Uma van civil?!” Os olhos do homem se arregalaram.

Zhang Heng assentiu. Depois da modificação substancial que ele havia feito na L300, a van era completamente irreconhecível. Claro que seu desempenho havia aumentado, mas de forma alguma era comparável a um carro de corrida. O homem não era apenas generoso — os cinco carros que ele ofereceu a Zhang Heng eram, sem dúvida, bons. Na verdade, ele estava até disposto a permitir que Zhang Heng o ajustasse ao seu gosto para provar que não os sabotaria.

Zhang Heng sabia que, não importa o quão bons fossem os carros, o melhor carro para ele era o carro com o qual ele estava mais familiarizado.

“Esse é um pedido razoável que posso atender, mas você tem certeza?”, perguntou o homem novamente.

Zhang Heng assentiu.

O homem baixo fez sinal para seus homens, e mais alguns entraram para levar os carros embora. Então ele olhou Zhang Heng nos olhos e disse: “Nos veremos esta noite, então.”

Desta vez, Zhang Heng ficou sozinho na fábrica abandonada. Havia água e comida na mesa, provavelmente para repor sua energia. Além disso, havia um videogame no canto da sala para ele passar o tempo. Era um tratamento muito bom para uma vítima de sequestro, e por isso Zhang Heng estava cada vez mais convencido de que essa corrida não era uma tentativa improvisada de última hora.

Esse cara claramente planejou tudo isso há muito tempo. Seus associados provavelmente não tinham nenhum treinamento profissional, mas como vieram em grande número, seria uma proposta irreal mesmo que o dono da peixaria e Ameko forçassem a saída. Além disso, seu telefone tinha sido levado e ele não tinha como entrar em contato com o mundo exterior.

Por enquanto, tudo o que ele podia fazer era comer um pouco e esperar a competição começar.


Comentários