Pet King

Volume 8 - Capítulo 711

Pet King

De manhã cedo, mesmo com o tempo ainda nublado, as pessoas circulavam pela Potsdamer Platz.

Ônibus de dois andares descarregavam grupos e grupos de turistas animados, e muita gente já fazia fila para comprar ingressos dos filmes que queriam assistir. Muitas pessoas estavam com seus cachorros e os alimentavam com cachorro-quente, hambúrgueres ou kebabs turcos.

Até que ponto os alemães amam cachorros?

Se você parasse um homem de meia-idade aleatório na rua e perguntasse quantos filhos ele tinha, ele poderia responder – com toda a seriedade – algo como: "Três – um menino de 8 anos, uma menina de 6 e um cachorro de 2 anos..."

Se uma dona de casa estivesse passeando na rua, ela poderia estar empurrando um carrinho de bebê e levando seu cachorro junto. A maneira correta de cumprimentá-la é elogiando primeiro o cachorro, e não o bebê ou a própria mulher…

Quando os donos de cães se cansavam, faziam uma pausa nos bancos da rua. Tiravam sua própria comida, ou a que compraram nos food trucks, para beliscar, enquanto também davam um pouco para seus cães. Eles realmente tratavam os cachorros como filhos, e a felicidade brilhava em seus rostos.

Cada cachorro, fosse de raça pura ou não, estava bem cuidado e cheio de energia. Um olhar bastava para ver que todos eram bem tratados.

Ocasionalmente, cães grandes e agressivos, como Pit Bulls, também eram vistos, mas todos eles usavam focinheira para evitar mordidas.

Zhang Zian acompanhou a cena. Ele se abaixou e começou a alimentar o Famoso com os kebabs turcos e currywurst que estavam no saco de papel em sua mão direita.

Após observar por algum tempo, Zhang Zian percebeu um fenômeno muito interessante. Embora houvesse muito poucos gatos de rua nas ruas, ele não encontrou um único cachorro abandonado; todos os cães que ele viu estavam na coleira e tinham um dono que carregava um saco de papel e recolhia as fezes enquanto caminhavam.

Como não havia outros clientes no momento, o jovem chef turco fez um burrito para si e se abaixou ao lado de Zhang Zian, observando-o alimentar o Famoso.

Zhang Zian também mordeu o burrito. Tinha um envoltório macio e crocante, com uma salada refrescante misturada ao molho que complementava a carne saborosa e grelhada. Todos aqueles sabores juntos simplesmente aguçavam o apetite.

“Muito bom – muito bom!”, disse Zian em inglês, dando um joinha.

“Obrigado.” O jovem chef turco sorriu orgulhoso. “Você também está aqui para o festival de cinema?”

“Acho que podemos dizer que sim”, respondeu Zhang Zian casualmente.

“Chinês? Coreano?” perguntou o chef curioso, olhando para seu cabelo preto e pele amarela.

“Chinês”, respondeu Zhang Zian.

“Ah, chinês. Me desculpe perguntar, mas você não come carne de cachorro, não é?”, perguntou o chef preocupado, mantendo os olhos no Famoso.

“…Não como.” Zhang Zian quase engasgou. Então o chef pensou que o Famoso estava com ele para que ele pudesse ter carne de cachorro fresca – recém-abatida e comida?

A pergunta do chef não era nada fora do comum, no entanto. Como os alemães realmente gostavam de cães, sempre que um estudante de intercâmbio da China ia para a Alemanha, essa pergunta era sempre feita. Era como uma forma de distinguir amigo de inimigo. Zian se perguntou se haveria alguma consequência, como discriminação ou bullying, se alguém respondesse que, de fato, consumia carne de cachorro.

Parecia que insistir em incluir a frase “Arranjos apropriados foram feitos para todos os animais que apareceram neste filme” foi a jogada certa, afinal, pensou Zhang Zian. Caso contrário, os alemães que gostam muito de cachorros certamente teriam dúvidas a respeito – e nem pensar em ganhar um prêmio. Se o filme seria mesmo permitido a participar da competição principal poderia ser um problema em si.

A expressão do chef se aliviou. “Ah, que ótimo. Você já comprou os ingressos para o filme que lhe interessa?”

“Ainda não.”

“Você terá que se apressar, então.” O chef turco terminou seu burrito em duas ou três mordidas. “Vou sair do trabalho mais cedo hoje para entrar na fila e pegar meus ingressos.”

Seus olhos brilharam quando ele falou. Evidentemente, ele não era apenas um chef habilidoso; ele também era um ávido amante do cinema e estava disposto a abrir mão da ótima oportunidade de trabalhar apenas para comprar ingressos para o filme que lhe interessava.

As pessoas que estavam reunidas na fila – sejam homens ou mulheres, jovens ou velhos – carregavam em seus corações um amor pelo cinema.

Tanto Zhang Zian quanto Famoso já haviam terminado seus kebabs e currywurst. Com a boca cheia, acenaram adeus para o chef e disseram, indistintamente, “Boa sorte”.

Depois de encherem a barriga, a fadiga causada pelo jet lag diminuiu muito. Zian olhou para Fina e os outros elfos, que ainda estavam olhando para o kebab turco Doner, e disse suavemente: “Vamos, vamos dar uma olhada em outro lugar.”

De acordo com as tradições do Festival de Cinema de Berlim, a cerimônia de abertura seria realizada no Potsdamer Platz Sony Center, um edifício deslumbrante com um grande número de janelas de vidro temperado e choupos plantados na entrada. Era uma pena que fosse inverno, pois os choupos estavam todos sem folhas.

Ainda faltavam algumas horas para a cerimônia de abertura, mas, devido à recente ameaça de atividades terroristas incessantes na Europa, os controles de tráfego e as verificações de segurança já haviam começado nas proximidades do Sony Center. Uma barricada feita de cortinas vermelhas e cercas de aço inoxidável foi usada para bloquear o meio da rua, que era a passagem para estrelas e convidados.

Zhang Zian também viu o lendário tapete vermelho, mas foi um pouco decepcionante, pois era muito menor do que ele havia imaginado. Tinha provavelmente vinte ou trinta metros de comprimento; alguém terminaria de caminhar pelo tapete vermelho em apenas alguns passos.

Bem na entrada do Sony Center ficava um grande modelo do mascote Urso de Berlim. Era cheio de graça e muito adorável, então muitos turistas e pedestres tiravam fotos com ele.

Zhang Zian sabia que não podia voltar para casa de Berlim de mãos vazias. Long Xian havia pedido especialmente que ele trouxesse um presente e Snowy lhe entregara carpas frescas por alguns dias consecutivos durante o festival de primavera, um favor que ele ainda não havia retribuído.

Zhang Zian não tinha experiência em escolher um presente para uma garota. Que tal comprar algumas bonecas do Urso de Berlim e distribuí-las entre todos? Meninas gostam de bonecas… e conseguir algumas bonecas do Urso de Berlim em edição limitada do festival de cinema na loja de souvenirs deveria ser um presente bem legal e barato.

Não havia pressa para isso, no entanto. Ele poderia comprá-las antes da viagem de volta. Zhang Zian tinha a tarefa urgente de ir a uma pet shop local para comprar alguns conjuntos de tigelas de comida, tigelas de água e o necessário para Fina, Famoso e os outros. O problema não podia ser adiado; mesmo gatos e cães comuns eram muito relutantes em compartilhar suas tigelas de comida e água com os de sua própria espécie, então isso era intensificado para os orgulhosos elfos.

Zhang Zian parou alguns pedestres que também estavam passeando com seus cães e pediu a Richard que perguntasse a eles em alemão se havia alguma pet shop por perto. Um deles apontou para uma direção e disse que havia uma pet shop conhecida por ali. A pessoa até se ofereceu para levá-lo até lá.

Zian ficou animado ao ouvir falar de uma pet shop conhecida. Sendo conhecida, ela devia ter qualidades únicas. Zian então gentilmente recusou a oferta da pessoa para levá-lo até lá, pois não era necessário. Zian não era uma criança de três anos, então ele não achava que teria problemas em encontrar a loja sozinho.

Zhang Zian pensou no ditado que dizia: “Aprenda os méritos de seus concorrentes para que você possa superá-los”. Esta era uma grande oportunidade para ele aprender com a experiência avançada das pet shops estrangeiras. Ele observaria como pessoas do mesmo ramo no exterior administravam suas pet shops.


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