Pet King

Volume 4 - Capítulo 317

Pet King

O sol, pairando no horizonte, parecia prestes a ser engolido pela escuridão a qualquer momento.

Em uma rua reta, uma pequena figura corria velozmente, sua sombra alongada pelo sol poente.

Yi Le havia esquecido por que tinha ido à pet shop. Corria apenas com uma ideia na cabeça: chegar em casa antes que seus pais começassem a brigar. Ele tinha que impedir a separação dos pais!

Bang!

Estava escurecendo. Míope e correndo demais, Yi Le pisou em uma sacola vazia, escorregou e caiu. Por sorte, vestia roupas grossas de inverno e, apesar da dor, não se machucou. Se seus pais estivessem ali, ele choraria alto, buscando atenção, pedindo que eles atendessem seus desejos enquanto o consolavam. Mas naquele dia, apenas mordeu o lábio, levantou-se em silêncio, limpou as roupas e continuou mancando em direção a casa.

A pet shop não ficava longe. Depois de atravessar o cruzamento e pegar um atalho pelo beco, levaria mais de dez minutos para chegar em casa. Correndo, levaria menos.

Ele entrou no conjunto residencial e viu o carro novo, de marca nacional, que sua família havia comprado recentemente, estacionado em frente ao prédio – como esperado, mãe e pai já tinham chegado. Um casal de idosos que caminhava ali perto franziu a testa com desdém para Yi Le – todos sabiam que aquele garoto era um pirralho, e até os cachorros o detestavam.

Yi Le, sem fôlego, subiu até o quinto andar, onde morava. Pegou a chave para abrir a porta. Exausto e nervoso, errou duas vezes o buraco da fechadura. Na terceira tentativa, finalmente abriu a porta.

Não teve tempo de tirar a chave. Jogou a mochila no chão e entrou correndo.

Sua casa estava assustadoramente silenciosa.

“Cheguei… cheguei!”, disse alto, preocupado por ter se atrasado.

“Voltou? Vá lavar as mãos, ainda vai demorar um pouco para o jantar ficar pronto.” Sua mãe, Gu Le, esticou a cabeça da cozinha, usando um avental.

“Onde está o pai?” Yi Le olhou pela sala e não viu seu pai, Tian Yi.

Gu Le olhou para o escritório e fez um bico irritado: “Ele foi direto para o escritório quando chegou, deixando todo o trabalho para mim. Por quê? Todos temos que trabalhar, e eu ganho tanto quanto ele. Por que sou só eu que fico responsável pelas tarefas de casa? Acha que eu também não quero sentar e assistir TV quando chego em casa…?”

Ela disse isso com raiva e alto, para que Tian Yi pudesse ouvir sua insatisfação.

Yi Le gesticulou ansiosamente: “Mãe! Mãe! Para! O pai trabalha muito…”

“Não, hoje não vou parar!”, Gu Le ficou cada vez mais irritada. Jogou o avental e colocou as mãos na cintura: “Ele trabalha muito? E eu? É isso que ele fica dizendo para você o tempo todo? Que o trabalho da sua mãe é super fácil?”

“Não, não é assim…” Yi Le estava tão nervoso que estava suando. Arrependeu-se de não ter pedido mais informações ao gatinho preto e branco, pois agora nem sabia como proceder.

Naquele instante, a porta do escritório se abriu. Tian Yi, que havia ouvido a confusão vaga, saiu. Com um olhar desanimado, disse de maneira emburrada: “O que você disse?”

“Eu disse—” Gu Le estava irritada. Olhou para ele e estava prestes a perder a paciência.

Yi Le fechou os olhos, reuniu coragem e gritou: “Tenho algo para dizer a vocês!”

O grito repentino assustou tanto os pais que até a raiva deles desapareceu. Os pais se olharam, perplexos, tentando encontrar respostas nos olhos um do outro.

Depois do grito, a ansiedade e a depressão que Yi Le havia sofrido foram liberadas. A cada respiração, ele ficava mais corajoso.

Agora ele acreditava completamente nas palavras do gatinho preto e branco – ele estava certo, seus pais tinham brigado. Se ele tivesse se atrasado no caminho de casa como de costume, seria tarde demais para impedir que a briga piorasse.

“Yi Le, o que você quer dizer?” Tian Yi se acalmou um pouco e disse em tom normal.

Gu Le não falou, mas olhava para o filho com preocupação.

Não havia mais como voltar atrás. Yi Le sabia que, se dissesse que estava apenas brincando, seus pais ficariam furiosos e aumentariam a discussão. Talvez, como o gatinho preto e branco havia dito, eles abordariam alguns problemas antigos, como a educação do filho.

Ele abaixou a cabeça, foi até o pai, puxou-o pelas mangas, levou-o a sentar-se no sofá e, em seguida, foi buscar a mãe para sentar-se na frente do pai.

“Espere um minuto.” Yi Le foi para a cozinha, pegou algumas folhas de chá do pote, colocou-as na xícara que seu pai usava, adicionou água fervente, levou a xícara para a sala e a colocou na mesa na frente do pai.

“Pai, obrigado pelo seu trabalho.” Ele ficou ereto e fez uma reverência ao pai.

Tian Yi estava realmente de mau humor naquele dia. Ele achava que era o candidato perfeito para o cargo de gerente de departamento, mas no fim, não conseguiu. Ficou tão furioso que voltou para casa e se trancou no escritório para escrever sua carta de demissão. E então ouviu as reclamações incessantes de Gu Le na sala – ele não aguentava mais!

Ele saiu do escritório para discutir com ela. Precisava encontrar uma saída para todas as mágoas e raiva que sofrera naquele dia, e brigar com a esposa era obviamente a solução mais fácil.

No entanto, o comportamento de Yi Le dissipou seus pensamentos confusos. Assim como os cubos de gelo mais duros e frios derretem ao sol, Tian Yi foi aquecido pelo filho.

Era a primeira vez que o filho preparava chá para ele, e a primeira vez que o filho o cumprimentava adequadamente ao chegar em casa. Só havia um pensamento em seu coração: seu filho havia crescido! Em comparação, se conseguiria ou não uma promoção parecia menos importante. Mesmo que não conseguisse dessa vez, poderia lutar pela próxima chance.

Por outro lado, embora Gu Le estivesse feliz em ver a mudança do filho, ficou magoada ao perceber que ele achava que o pai trabalhava mais do que ela. Seu sacrifício pela família havia sido completamente ignorado?

Yi Le foi até ela e fez uma reverência: “Mãe, me desculpe.”

“Desculpe… Do que você está pedindo desculpas? Mais uma travessura? A professora pediu que nós víssemos a diretoria novamente?” Gu Le ficou impaciente. Ela havia dado um cartão-presente de 500 RMB para a professora no Dia de Ação de Graças, mas ele havia sido devolvido, e agora aquele pirralho estava causando problemas de novo?

Tian Yi, que estava desfrutando daquela felicidade, ficou descontente com a atitude dela, então disse em voz baixa: “Por que você está tão impaciente? Deixe o garoto terminar de falar primeiro.”

Gu Le olhou para ele e reprimiu seu gênio.

Tian Yi puxou Yi Le para o seu lado, fez-o sentar e disse suavemente: “Yi Le, não tenha medo, apenas diga o que você quer dizer.”

Incentivado pelo pai, Yi Le ficou mais corajoso. Sacudiu a cabeça: “A professora não pediu que vocês fossem à escola. Mas eu realmente preciso contar algumas coisas a vocês, coisas que vocês não sabem.”

“Conte, mamãe e papai estão ouvindo, não vamos te interromper.” Tian Yi colocou a mão no ombro de Yi Le.

Yi Le manteve a cabeça baixa e desabafou sobre todas as travessuras que havia feito. Ficou tão emocionado que suas palavras ficaram um pouco desconexas, mas eram compreensíveis em geral. Ele confessou muitas coisas, incluindo as peças que pregou e escapou, como ele tinha intimidado seus colegas e como os outros não podiam fazer nada a respeito…

E a última coisa foi o que aconteceu naquela noite. Ele confessou seus sentimentos naquela ocasião. Ele achava que a mãe não se importava o suficiente com ele, então planejou atravessar a rua para se esconder como castigo para a mãe. Quando ela não o encontrasse e ficasse desesperada, ele apareceria atrás da barraca de churrasco. Se ela estivesse preocupada com ele, ela ouviria tudo o que ele dissesse depois – esse era seu plano original, mas ele foi parado pelo dono de uma pet shop quando tentou atravessar a rua. Mas ele improvisou outra ideia de qualquer maneira – difamando aquele homem como um mau-caráter, ele conquistou a atenção da mãe da mesma forma.

Ao ouvir isso, Tian Yi e Gu Le franziram a testa. Eles eram pais muito ocupados, mas sempre presumiram que haviam dedicado tempo suficiente à educação de Yi Le. Às vezes, quando seus colegas reclamavam de seus próprios filhos travessos, Tian Yi e Gu Le ficavam chocados com suas travessuras – como poderiam imaginar que seu próprio filho era o pior de todos! Especialmente a última coisa confessada pelo filho, que era tão perigosa!

“Eu te disse que você deve andar na calçada e esperar o sinal verde para atravessar a rua! Nunca atravesse correndo! Por que você não me ouviu?”, gritou Gu Le nervosa.

Tian Yi a interrompeu: “Vamos voltar a isso mais tarde.”

Ele se virou para Yi Le: “Yi Le, isso é verdade? Em que dia exatamente?”

Chocada com tantas coisas ao mesmo tempo, Gu Le estava com dor de cabeça. Amasseou a testa com os dedos e disse: “Eu te falei sobre isso antes. Você simplesmente ignora tudo o que eu digo?”

Tian Yi não estava com vontade de discutir esses detalhes com ela. Ele perguntou a Yi Le novamente: “Pense bem, em que dia foi isso?”

“No dia em que a tela do celular da mãe quebrou. Ela comprou um celular novo no dia seguinte e então você mencionou comprar um carro”, respondeu Yi Le em voz baixa.

Tian Yi se lembrou disso. O que Gu Le lhe contara foi que um homem estranho havia parado Yi Le na rua, ela achou que o filho poderia se machucar indo para a escola sozinho e insistiu em comprar um carro. Tian Yi achou que ela estava certa, e embora sua família não fosse muito rica, ele concordou em comprar um carro. Quem diria que não era a verdade? Se aquele homem não tivesse parado Yi Le a tempo, então, julgando pela imprudência de Yi Le, os resultados seriam inimagináveis…

“Eu não sei o que dizer…” suspirou para Gu Le. “Você acusou um cara sem provas. Você vai impedir que pessoas boas façam boas ações.”

Gu Le sabia que estava errada, mas respondeu defensivamente: “Se você estivesse lá, você realmente confiaria em um estranho?”

“No mínimo, eu não culparia as pessoas sem provas…” Tian Yi balançou a cabeça e disse decisivamente: “Vamos deixar isso para lá. Mas agora, temos que consertar os erros dele. Para todos os colegas que foram intimidados por Yi Le, nós três temos que ir às casas deles para pedir desculpas pessoalmente. Quanto ao dono da pet shop… Vamos lá juntos em um fim de semana.”

Gu Le mordeu o lábio com força. Embora ficaria envergonhada em enfrentar o dono da pet shop novamente, ela não se opôs.

Yi Le observou as expressões deles e perguntou hesitantemente: “Vocês… vocês vão me repreender?”

“Não vamos te repreender. Os problemas não podem ser resolvidos simplesmente com repreensões. Devemos assumir as responsabilidades juntos.” Tian Yi segurou as mãos de Yi Le e disse seriamente: “Yi Le, você reconheceu seus erros e está disposto a mudar, o que significa que você ainda é um bom menino. Mamãe e papai estão muito felizes e vamos corrigir os erros com você. Se acontecer alguma coisa, você pode sempre confiar em nós como hoje, certo?”

“Certo!” Lágrimas caíam dos olhos de Yi Le.

Gu Le foi abraçar o marido e o filho.

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