Pet King

Volume 2 - Capítulo 150

Pet King

Dois gatos de rua se enfrentavam em cima de um muro. Um era laranja, o outro branco. Ambos machos.

Um invadira o território do outro. Estavam a poucos centímetros de distância. Com as costas arqueadas, pelos eriçados, músculos tensos e dentes afiados à mostra, nenhum queria recuar.

“Miau ah!”

“Miau ah!”

Os miados eram altos e prolongados. Pareciam o choro de bebês ou o grito de fantasmas. Era apavorante.

O gato laranja esticou uma pata e a colocou na testa do gato branco, como se o empurrasse para trás.

O gato branco não revidou. Continuou miando e chicoteando o rabo impacientemente.

O gato branco era maior, portanto, um oponente forte para o laranja.

O gato laranja recuou a pata, como se estivesse com medo.

Nesse momento, ambos ouviram um barulho estranho.

Bang!

Bang! Bang!

Bang! Bang! Bang!

Gatos são curiosos. Ambos se viraram para olhar na direção de onde o barulho vinha.

Hooah!

Algo voou!

O gato laranja e o branco ficaram aterrorizados. Ergueram a cabeça, tentando encontrar o novo intruso.

A lua era como um grande prato redondo. Uma sombra forte passou rapidamente sobre suas cabeças.

O luar iluminou a sombra do intruso na parede. Estava vestindo um colete e um chapéu!

Será que é uma pessoa?

Com a boca aberta, os olhos dos dois gatos seguiram o movimento da sombra.

Humanos não eram tão rápidos.

Será outro animal?

Uma janela no terceiro andar foi aberta. Um chinelo quebrado voou para fora, caiu na parede, girou algumas vezes no ar e então foi parar no chão.

“Que barulho é esse? Que coisa irritante!”, disse uma voz feminina.

Então, um homem disse: “Deixa pra lá. Era um gato.”

A mulher descobriu algo. “Olha aqui! O que é isso? Um gato voador?”

O homem se aproximou da janela. “O quê? Não vejo nada.”

A mulher estava furiosa. “Você é muito lerdo. Passou voando!”

Os dois gatos já tinham esquecido o intruso. Estavam se confrontando novamente, tentando empurrar um ao outro.

Uma guerra poderia começar a qualquer momento.


Quando o Velho Chá do Tempo saltou no ar, conseguia calcular com precisão onde aterrissar assim que atingia o ponto mais alto.

Inspirar – expirar – inspirar – expirar –

Sua respiração era suave. Estava indo bem.

Cada vez que pulava de novo do muro, suas garras afiadas arranhavam a parede.

Ele pulou sobre incontáveis telhados pontiagudos, planos, redondos, telhados com painéis solares e telhados com roupas penduradas…

O Velho Chá do Tempo sentia-se como no auge de sua forma. Os rostos de seus antigos amigos apareciam em sua mente. Era uma pena que todos tivessem se ido, deixando apenas o Velho Chá do Tempo neste mundo.

Bang!

O Velho Chá do Tempo pousou em um tijolo vermelho em um telhado. O tijolo parecia inteiro, mas estava quebrado por dentro. Desabou assim que ele pousou.

O Velho Chá do Tempo perdeu o equilíbrio e caiu do telhado.

Recuperou o equilíbrio com a ajuda de sua longa cauda. Girou no ar e esticou uma pata para agarrar a parede.

Três arranhões de suas garras afiadas apareceram imediatamente. A poeira saiu da parede como neve.

Assim que pousou, a resistência desapareceu completamente. Ele pulou de novo para o telhado. Suas garras afiadas brilhavam sob o luar.

Um homem disse algo. “Que barulho foi esse? Um rato?”

A mulher estava impaciente. “Tanto faz! Continua!”

O Velho Chá do Tempo observava do telhado. O Beco Qing Ren não estava longe.

Ele vinha viajando em linha reta desde que saiu da pet shop.

Uma linha reta é a menor distância entre dois pontos. A mesma teoria também se aplicava às artes marciais.

Esta era a primeira vez que o Velho Chá do Tempo saía da pet shop. Não estava completamente confortável com o ambiente.

Antigamente, de onde ele vinha, a única fonte de luz à noite era a lua. Ele podia bloquear a luz usando um chapéu. No entanto, nesta era, havia muitas fontes de luz em todos os lugares. Os faróis dos carros, especialmente, o deixavam desconfortável.

Assim como o barulho.

Nos velhos tempos, a essa hora seria um silêncio mortal. No entanto, neste mundo moderno, a noite tinha apenas começado. Risos, choro e gritos por toda parte.

Cheiros.

Havia tantos cheiros que ele nunca tinha sentido antes.

Perfumes, cosméticos, partículas de cimento, escapamento de carro… tudo transformava o mundo puro em um caldeirão.

Os cheiros eram estranhos e bizarros. O Velho Chá do Tempo não tinha certeza do que iria encontrar.

Ele tinha visto câmeras de vigilância na TV. Perguntou a Zhang Zian sobre elas e ele explicou, apontando para a câmera acima da área do caixa.

Ele se esforçou para evitar as câmeras de vigilância enquanto viajava.

Algumas câmeras estavam escondidas, então ele não tinha certeza se havia conseguido evitá-las todas.

No entanto, provavelmente ninguém se importaria com um gato.

Ele se lembrou do Capitão Sheng, que veio à loja esta noite. Ele tinha olhos penetrantes, como os famosos sargentos de polícia dos velhos tempos. Embora ele só tivesse andado por lá uma vez, ele se lembrava de tudo na loja de cor.

Por mais genial que fosse, ele era apenas uma pessoa normal, limitado pela época em que vivia e por sua própria experiência, educação e treinamento. Ele não associaria o caso desta noite a um gato.

O Velho Chá do Tempo estava lutando pela justiça.

Guerreiros e policiais nunca poderiam ser amigos.

Ele sabia que nem todos os policiais eram ineficientes; no entanto, eles estavam sujeitos a disciplinas e regulamentos. Também eram controlados por seus superiores. Em geral, eram apenas uma ferramenta para lidar com ladrões e guerreiros cavaleiros.

Há pouco terreno comum para entendimento entre pessoas de princípios diferentes.

Um guerreiro cavaleiro é sempre fiel a si mesmo.

O Velho Chá do Tempo olhou para suas garras vitoriosas. Nesta nova era, apenas elas ainda o faziam sentir-se à vontade.

O Velho Chá do Tempo sabia claramente que não era apenas o gato velho que havia acompanhado Ye Wen. A poderosa benção lhe dera um corpo de ferro. Embora não pudesse conhecer o futuro como a Galaxy ou ordenar gatos como a Fina, ele era feliz por ser um verdadeiro guerreiro cavaleiro que podia lutar pela justiça.

Bastava uma única garra do Velho Chá do Tempo para se livrar dos maus.

O Velho Chá do Tempo saltou novamente para o céu, deixando uma silhueta negra sem fim sob o luar prateado.

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