
Volume 3 - Capítulo 219
A Esposa Ousada do Sr. Tycoon
Zhao Lifei saltou da cama, ofegante e com as mãos na garganta, as lágrimas encheram seus olhos. Era aquele pesadelo de novo.
Depois de sonhar com aquilo tantas vezes, ela havia compreendido a essência: a garotinha provavelmente era ela mesma, e o sonho poderia ser uma lembrança do passado, mas ela não se lembrava de uma noite tão horrível, especialmente uma tão traumática. Mas era tão vívido… os detalhes, os sons, tudo era realista demais para ser falso.
Ela colocou uma mão sobre o coração acelerado, os olhos varrendo o quarto. Yang Feng não estava por perto e talvez fosse por isso que ela teve o pesadelo repentinamente. Mesmo assim, ela não esperava ter o mesmo sonho novamente, principalmente porque ele não aparecia havia algum tempo.
Naquele pesadelo, sempre havia um nome que ela pronunciava, que não pertencia ao avô nem aos pais. O nome estava na ponta da língua, mas sempre que a voz saía, sua mente ficava em branco. Quem era?
Engolindo em seco, ela passou uma mão trêmula pelos cabelos. Tentou controlar a respiração ofegante e o coração em pânico. Levou dez minutos de exercícios respiratórios constantes para finalmente se acalmar.
Era só um sonho. Apenas um sonho. Nada mais.
Zhao Lifei fechou os olhos com força antes de se deitar novamente na cama. Depois de um tempo deitada em silêncio, em tentativas frustradas de voltar a dormir, ela finalmente se levantou e conferiu as horas. Eram dez da manhã.
Ela viu uma enxurrada de mensagens, em particular, de Wei Hantao, que a ligara várias vezes. No mínimo, Huo Qiudong foi civilizado e só a ligou duas vezes, enquanto Wei Hantao ligou 25 vezes antes de finalmente desistir.
Ela olhou pela janela, deixando o celular cair na cama. Ela conseguia ver o jardim dali, o verde exuberante sobre o qual a mansão fora construída. O sol já estava alto no horizonte. Havia pássaros cantando, a luz quente do sol banhava o chão, e o céu era um mar azul. Era um bom dia. Bom demais para ficar dentro de casa.
O celular vibrou novamente. Ela olhou para baixo sem expressão, seus dedos trêmulos pegaram o aparelho, intrigada ao ver que era um número desconhecido. Por curiosidade, aquela que matou o gato, ela abriu a mensagem e viu que era um tipo de gravação.
Ela apertou o play e as vozes ganharam vida.
- - - - -
Cinco horas atrás.
Yang Feng acordou com algo macio pressionando seu lado. Em seu estado de sonolência, ele viu que a posição deles havia mudado e o rosto dela agora estava repousado em seu ombro em vez de seu peito. Ele não conseguia sentir o braço porque ela havia dormido sobre ele a noite toda, mas não se importava. Contanto que ela estivesse segura em seus braços, ele estava disposto a sacrificar tudo.
"Bom dia, meu amor." Ele sussurrou, a voz rouca de sono. Ela não respondeu, os olhos fechados pacificamente.
Usando o polegar, ele acariciou a bochecha dela antes de dar um beijo na região. Ele decidiu que não era o suficiente e continuou a cobrir o rosto dela de beijos. Ele afastou as mechas de cabelo grudadas em seu rosto com um sorriso carinhoso nos lábios. Ela era tão linda mesmo quando dormia.
Ele lentamente se desvencilhou dela. Ela murmurou algo enquanto seus braços se esticavam em busca da fonte de calor. Ele mordeu o lábio inferior para esconder o sorriso antes de pegar um travesseiro para ela abraçar, o mesmo que ela o fazia abraçar. Ela gemeu em aprovação, seu corpo se entrelaçando ao travesseiro, algo que ele ansiava ter envolvido em seu corpo.
"Durma bem, minha querida." Ele sussurrou, saindo da cama e dando um beijo em sua testa antes de ir para o banheiro se arrumar para o dia. Na calada da noite, quando o sol mal estava surgindo no céu, o céu negro obsidiana estava se transformando em um azul meia-noite.
Hu Wei já estava acordado e estacionado no carro. Ele olhou pela janela e exatamente às 5h30 da manhã, seu chefe saiu pela porta da frente. Ele estava ajustando os punhos. Sua figura esguia poderia facilmente fazê-lo ser confundido com um modelo masculino.
Hu Wei saiu do carro, abriu a porta para seu chefe, fechou-a e depois voltou para dentro.
"Para a casa do Ancião." Yang Feng murmurou, abrindo seu laptop e começando a trabalhar, mesmo que só começasse três horas depois.
"Sim, senhor." Hu Wei deu a partida no carro e dirigiu em direção à casa do Velho Mestre Yang. Não demorou muito para o carro deixar os limites da casa de seu chefe, ir para as ruas onde a cidade mal estava acordando, e depois por uma floresta exuberante e densa cujo caminho suave leva diretamente para os portões do inferno.
A casa do Velho Mestre Yang Mujian era a própria definição de como um Rei deveria viver. Ela se estendia por hectares, a terra repleta de vida e vegetação. O projeto da casa era muito histórico, devido à sua paixão por tempos antigos. Mesmo assim, isso não diminuiu a beleza da casa que era muito admirada por historiadores por ser uma réplica do Palácio Imperial.
Hu Wei sempre ficava impressionado sempre que vinha aqui. Tudo naquela casa era perfeito: os móveis de madeira extremamente detalhados, o lago de carpas na entrada e as decorações de brotos de bambu. Era uma harmoniosa mistura de natureza e arquitetura histórica.
Um homem idoso se aproximou, o rosto caloroso ao abrir a porta para revelar Yang Feng. Ele não via o Jovem Mestre há algum tempo, mas toda vez que seus olhos pousavam sobre ele, ele ficava feliz.
"Bem-vindo, Jovem Mestre."
Casa? Aquele lugar não era lar para Yang Feng, era a própria personificação do inferno.
Yang Feng caminhou sem dizer uma palavra à frente do velho mordomo e pelo corredor com o qual ele estava muito familiarizado. O corredor não tinha paredes, mas ainda era seguro e protetor o suficiente para que um atirador nunca pudesse enxergar para dentro. À sua esquerda havia várias portas dobráveis e à sua direita um jardim zen com pedras alinhadas indo do claro para o escuro e depois se repetindo. Havia uma pequena fileira de bambus pairando ao lado de um lago.
Aquele lugar havia permanecido o mesmo desde a última vez que ele se lembrava. O ar cheirava a natureza, como se alguém estivesse caminhando por uma floresta de talos de bambu recém-chovidos em vez de uma casa.
O mordomo estava prestes a bater, mas Yang Feng não se importava com tais formalidades. Ele abriu a porta e entrou, deixando os sapatos do lado de fora.
"Avô." Yang Feng cumprimentou, seus olhos pousando no homem mais velho atrás da escrivaninha de mogno. A janela atrás dele estava aberta, para deixar entrar um pouco de ar.
"Xiao Feng." Yang Mujian não levantou a cabeça para olhar para Yang Feng. Ele estava concentrado na carta em mãos. "Você deveria aprender a bater, é cortesia básica."
Yang Feng não comentou. Ele ficou no centro da sala, os braços cruzados atrás das costas, seus olhos penetrantes pareciam os de uma águia.
"Você está terrivelmente quieto hoje." Yang Mujian começou, segurando sua manga comprida enquanto escrevia com um pincel mergulhado na tinta.
"O que há para dizer?"
Yang Mujian moeu a tinta sobre a pedra de tinta que Su Meixiu lhe dera há algum tempo.
Os olhos taciturnos de Yang Feng pousaram no objeto com desdém. Ele ouviu que Zhao Lifei dera ao avô uma pedra de tinta, por que o velho não a estava usando?
"Acho que você está certo," Yang Mujian riu, "fui eu quem o convidou aqui para conversar." Ele murmurou, levantando a cabeça para olhar completamente para o neto que criou.
Sem aviso prévio, uma faca atravessou a janela aberta, propositalmente sem atingir o pescoço de Yang Mujian. Mirava diretamente no crânio de Yang Feng, mas nunca se aproximou dele. Com velocidade sobre-humana, Yang Feng a pegou com dois dedos.
"Vejo que você ainda gosta dessa piada desagradável." Yang Feng murmurou, jogando a faca no chão.
"E eu vejo que você ainda é tão afiado quanto sempre." A expressão agradável de Yang Mujian mudou. Era hora de ficar sério.