A Esposa Ousada do Sr. Tycoon

Volume 3 - Capítulo 218

A Esposa Ousada do Sr. Tycoon

Zhao Lifei foi a primeira a se separar do beijo. Ela precisava trocar de roupa imediatamente, mas Yang Feng segurou seu pulso até que ela finalmente o beijou de volta. Ela deu um selinho em seus lábios e saiu correndo, deixando-o bastante divertido. Ela era tão tímida quanto sempre, um completo contraste com seu temperamento.

Quarenta minutos depois, ela saiu do banheiro, recém-banhada e usando uma das camisas dele, que parecia um vestido escandaloso. Combinou com shorts seus e, mesmo com a roupa simples, Yang Feng achou que ela era uma fada do reino imortal agraciando sua presença.

"Para de babar em mim." Ela riu do olhar intenso dele, que nunca a deixava, não importava onde ela andasse pela sala.

"Você deveria seguir seu próprio conselho." Ele sorriu, abrindo os braços para ela se aconchegar.

"Assim que você fizer o mesmo." Ela caminhou até ele, fingindo relutância em ir até ele, embora tenha se jogado diretamente em seus braços, ficando confortável em seu abraço com a cabeça encostada em seu peito, a orelha pressionada contra seu coração.

Yang Feng relaxou com ela por perto, seu ombro ficando menos tenso. Ele usou um braço para apoiá-la enquanto o outro tocava seu rosto carinhosamente. "O que tem no envelope?"

"Bem, isso depende… O que você ouviu?"

Yang Feng olhou para ela, mas só conseguia ver o topo de sua cabeça, que ele acariciou ternamente. "O suficiente para ouvir seu insulto a ela." Seus dedos se fecharam em punhos, omitindo a parte em que Su Boyuan a chamou de puta. Ele garantiu que o homem pagaria por isso amanhã e o primeiro passo seria cortar todos os suprimentos de treinamento que eram enviados para a casa todas as semanas.

"Mas não o suficiente para ouvir o conteúdo do envelope." A primeira coisa que ele ouviu foi a parte em que ela aquecia a cama de muitos homens. Um boato tolo que, sozinho, era suficiente para ferver seu sangue. Os suprimentos de treinamento seriam um aviso, se o ultrapassassem, o próximo seria a ruína da família Su e ninguém neste mundo seria capaz de pará-lo — nem mesmo o Ancião Yang.

"Não é nada importante. Você não precisa se preocupar com isso."

"Então deixa eu ver." Yang Feng sabia que ela escondeu em algum lugar do banheiro e seria muito fácil para ele encontrá-lo se ele realmente decidisse procurar.

"Você não vai gostar do conteúdo." Ela murmurou, usando o dedo para desenhar formas aleatórias em seu peito, que se sentia duro como uma parede de tijolos em vez de carne.

"Mostre para mim primeiro e eu decido se gosto ou não." A mão que repousava na curva de sua cintura deslizou para brincar com as pontas de seu cabelo, girando os fios sedosos em seus dedos.

"Tudo bem, eu deixo você ver amanhã de manhã." Ela disse baixinho, seus olhos se fechando.

Yang Feng usou o polegar para acariciar sua bochecha, acalmando-a em um sono tranquilo. "Tenho uma reunião com meu avô de manhã cedo."

"Mm...Okay…" Ela deixou a frase incompleta, tentando lutar contra o sono que a dominava.

"Pode ser que eu não consiga voltar de manhã, mas farei o meu melhor. Se não funcionar como planejado, te vejo quando chegar do trabalho." Ele já avisou a equipe da cozinha para preparar um café da manhã bem reforçado para ela. Se ela ficasse em casa, o mesmo valeria para o almoço.

"Ou, se você quiser, podemos almoçar juntos todos os dias. Você pode escolher um restaurante."

Ela murmurou em resposta, acenando com a cabeça com sono. "Você… tem certeza que não vou te incomodar?" Ela bocejou, seus olhos caindo cada vez mais a cada segundo que passava.

"Nunca." Ele disse firmemente e isso a fez sorrir, seus olhos se fechando de vez enquanto ela dormia.

Yang Feng continuou brincando com as pontas do cabelo dela enquanto ocasionalmente esfregava a mão para cima e para baixo em sua espinha para confortá-la enquanto permanecia acordado, contemplando o que aconteceria na manhã seguinte. Ele olhou para ela preocupado antes de levantá-la um pouco para poder dar um beijo em sua testa.

Ele já sabia o que seria perguntado na manhã seguinte. Nada o deixava mais nervoso do que a ideia dela estar em perigo e era exatamente isso que aconteceria se a verdade fosse revelada. Ele rangeu os dentes enquanto contemplava revelar a verdade para proteger seu coração ou dizer uma mentira para proteger sua vida.

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Trovejava lá fora. Os ventos uivantes balançavam as árvores frágeis do lado de fora, arrancando as folhas dos galhos. A chuva caía torrencialmente, manchando as janelas. Havia tanta chuva que era praticamente uma cachoeira lá fora.

Claros flashes brilhantes de raios dançavam no céu, acompanhados por trovões estrondosos. Nuvens cinzas e escuras pairavam sobre uma mansão cada vez maior, cuja glória brilhante era ofuscada pela terrível tempestade dentro e fora da casa.

Lamentações podiam ser ouvidas, os pedidos desesperados e os gritos de uma garotinha. "Me soltem!" Ela gritou, seu corpinho lutando contra as mãos que a agarravam, com um aperto mais firme do que seus sonhos mais ousados. Ela estava soluçando, chutando, arranhando e mordendo as pessoas que a arrastavam para fora do quarto à força.

"Vovô!" Ela gritou pedindo ajuda ao homem que nunca veio. Seus gritos eram ensurdecedores e, quando misturados ao estrondo dos trovões, enviaram tremores pelos corações das pessoas que agarravam seus braços.

"Me soltem!" Ela repetiu, se debatendo freneticamente, conseguindo escapar de suas mãos por um breve segundo antes de ser capturada novamente.

Em seu pânico, ela não conseguia ver os rostos das pessoas que tentavam pegá-la. Seu quarto, tão sem graça quanto seus olhos, estava escuro. A única fonte de luz vinha de sua porta ligeiramente aberta. Não era o suficiente para ela enxergar direito.

Ela nunca teve medo de trovões. Foi só hoje à noite que seu medo começou.

"VOVÔ!" Ela gritou em vão, sua voz inocente soando mais como um grito de banshee do que humana. Ela não sabia por que essas pessoas estavam a arrastando para fora do quarto à força, ela não sabia o que havia feito de errado.

"F-———" Ela lamentou o nome de outra pessoa, os caracteres familiares em sua língua, mas em branco em sua mente.

Ela estava tão assustada que até gritou pelos pais, embora soubesse que eles nunca viriam salvá-la. "Mamãe! Papai! Por favor! A-alguém!" As pessoas a haviam puxado até a porta e, antes que ela pudesse ver seus rostos, um saco preto foi jogado sobre seu rosto.

Ela gritou, chorou, fez tudo ao seu alcance para lutar, mas com braços e pernas tão pequenos, o que ela poderia fazer? Ela era apenas uma criança. Lágrimas quentes e dolorosas escorreram de seus olhos enquanto soluços violentos sacudiam seu corpo. Ela ouviu vozes abafadas ao fundo, severas e ásperas. Aquelas vozes — ela não conseguia pensar direito quando algo a picou e, em segundos, ela foi sedada, calma e adormeceu nos braços de seus captores.

Ela acordou novamente, amarrada a uma mesa de cirurgia, a luz cirúrgica sangrando em seus olhos, dificultando ainda mais a visão. Ela estava em estado de choque, sua visão extremamente embaçada. Ela conseguia ver pessoas pairando sobre ela, vozes que eram uma mistura de uma língua estrangeira, mas com tom familiar.

"Quem…" Ela abriu e fechou os olhos, entrando e saindo da consciência.

"Você tem certeza de que vai funcionar?"

"Confie em mim… vai funcionar."

A garotinha sentiu um barulho alto e estridente em seus ouvidos quando o nome da pessoa que fez isso com ela foi mencionado. Por que ela não conseguia ouvir? Quem estava abafando as vozes? Por que eu não consigo enxergar direito?

"Se não funcionar e ela sofrer tudo isso à toa, haverá consequências."

"C-claro."

O silêncio foi ouvido ao fundo. A criança inclinou a cabeça na esperança de ver quem era, mas tudo o que viu foram figuras embaçadas em branco… cinza… preto… e logo, ela voltou a perder a consciência.

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