
Volume 4 - Capítulo 346
O Maior de Todas as Lendas
Capítulo 346: Aparição do Demônio Iorubá III
*Toc toc*
Duas batidas fortes na porta avisaram Daphne de que Jason havia chegado. Ela deixou a maquiagem de lado para abrir a porta para o único sobrinho.
Ao abrir, a figura de Jason surgiu no vão da porta, o rosto novamente coberto pela máscara.
“… O quê?” Jason perguntou após alguns segundos de silêncio, enquanto ela o observava.
“O quê?” Daphne perguntou, como se não acreditasse no que ouvia.
“Cadê a reação dramática?”
“Onde está o ‘faz tanto tempo que não te vejo’?… Ou um abraço na sua tia, pelo menos”, Daphne ironizou, revirando os olhos.
“Ugh”, Jason fez uma careta, mas não deixou que isso o impedisse de abraçar Daphne, que prontamente abriu os braços.
“… Faz tanto tempo que não te vejo”, Jason repetiu as palavras dela durante o abraço, imitando perfeitamente o tom de voz.
Daphne se afastou, lançando-lhe um olhar fulminante, mas Jason não se importou e manteve a cara séria, embora seus lábios tremessem por trás da máscara.
“Vou te deixar ir, por enquanto, temos que nos arrumar”, Daphne lembrou-se de que eles tinham um compromisso.
“Eles provavelmente já estão nos esperando… a mim”, disse ela, puxando Jason para dentro do quarto e fechando a porta atrás dele.
“Suas roupas estão na cama, e tem um par de sapatos naquela sacola”, Daphne apontou para uma grande sacola plástica preta na cama.
“Um sapato? Você sabe meu número?” Jason perguntou com uma sobrancelha arqueada.
Daphne não era ignorante ou desatenta, mas, como adolescente, Jason ainda estava em fase de crescimento, inclusive nos pés.
Ele até sentia as chuteiras de futebol apertadas e já planejava comprar um novo par ao chegar a Porto.
Portanto, sua pergunta não era uma provocação, mas uma dúvida genuína sobre o tamanho dos sapatos.
“Não se preocupe com isso”, Daphne disse com um sorriso malicioso que imediatamente fez Jason arquear a sobrancelha.
“Como assim, não se preocupe?” Jason perguntou enquanto tirava os sapatos da sacola e verificava o tamanho, sem se importar com a estética.
Surpreendentemente, eram do tamanho certo, e Jason olhou para Daphne levemente chocado. Mas antes que pudesse perguntar algo, o telefone tocou.
“Vi o que eu disse? Apressa-se”, Daphne disse, reconhecendo o toque e atendendo o telefone.
“Tanto faz…” Jason revirou os olhos, pegou a sacola e foi para o lavabo se trocar.
Jason tirou a roupa que Daphne havia preparado para a ocasião e, ao retirar tudo das sacolas, assobiou surpreso.
Apesar de ter mais de 270 tribos, a Nigéria possui três principais: iorubá, hausa e igbo.
Jason era da tribo iorubá, e não era surpresa que eles tivessem trajes tradicionais.
Sua tia havia preparado um conjunto completo da vestimenta tradicional iorubá masculina: buba (camisa), sokoto (calças) e agbada (semelhante a um poncho de cowboy, mas muito mais luxuoso).
Havia também um fila (cobertura de cabeça tradicional), e Jason se perguntava como colocaria aquilo em sua cabeleira.
Com experiência em roupas desse tipo, Jason vestiu rapidamente as peças, que estavam perfeitamente ajustadas ao seu corpo – o que era surpreendente, já que ele não se lembrava de ter dado as medidas para Daphne.
As roupas eram azul-escuro, quase pretas, uma cor que Jason gostou bastante.
Ele logo ignorou esses pensamentos e continuou se vestindo. Menos de cinco minutos depois, estava pronto, exceto pelo fila.
Deixando a cobertura de cabeça de lado, Jason pegou a bolsa que trouxera e colocou as joias masculinas, acentuando o visual imponente.
Depois disso, calçou os sapatos, passou perfume e saiu, sem saber o que fazer com o chapéu.
Ao voltar para o quarto, viu Daphne finalizando a maquiagem no espelho. Ela já estava totalmente vestida.
“Por que você não está usando o chapéu?” Daphne perguntou, olhando para ele enquanto fechava a nécessaire.
“Com esse cabelo?” Jason perguntou sarcasticamente, com a sobrancelha arqueada.
“… Só vem cá”, Daphne revirou os olhos, ignorando o sarcasmo.
Jason se aproximou, e em menos de um minuto, Daphne fez “mágica feminina” no cabelo dele, prendendo-o e deixando-o baixo o suficiente para colocar o chapéu sem que caísse ou ficasse torto.
“Hmmm, melhor”, Daphne analisou o cabelo de Jason com a cabeça inclinada, como uma escultora excêntrica admirando sua obra.
“… Não vou mentir… ficou bom em mim”, Jason concordou consigo mesmo, sorrindo satisfeito ao se olhar no espelho.
“Ani seh, I sabi work (Não brinca comigo, eu sei o que estou fazendo)”, Daphne disse para si mesma, também admirando seu trabalho no espelho antes de olhar para a maquiagem e continuar concordando consigo mesma.
Eles estavam impecáveis e imponentes. Daphne pegou o celular para tirar algumas fotos.
“Uma última coisa”, Jason disse, tirando um óculos preto Cartier da bolsa e colocando-o. Ele concordou ainda mais consigo mesmo.
Vendo-se no espelho, Jason não resistiu a tirar algumas selfies e um pequeno vídeo.
Depois de mais alguns segundos admirando suas imagens refletidas, Jason começou a postar as fotos e o vídeo no Instagram, enquanto sua tia arrumava suas coisas para sair.
{#DemônioIorubá e Mamãe do Açúcar prestes a invadir a cidade} Jason digitou no celular como legenda, as primeiras palavras que lhe vieram à mente antes de clicar em “Compartilhar”.