O Maior de Todas as Lendas

Volume 4 - Capítulo 345

O Maior de Todas as Lendas

Capítulo 345: Aparição do Demônio Yoruba II

— Esses são os documentos do carro e aqui estão as chaves — disse o homem, mostrando uma chave moderna que parecia um controle remoto, com poucos botões e o logotipo da BMW.

Jason assentiu enquanto retirava do envelope vários papéis referentes ao veículo. Ele havia pedido a Adele que comprasse este carro e algumas outras coisas.

— O carro está lá fora, certo? — perguntou Jason depois de examinar os documentos por um tempo, sem ser interrompido pelo entregador.

O homem não ousou perturbar um cliente que acabara de comprar um carro de mais de cem mil dólares, apesar de Jason parecer ter acabado de sair da escola. Para piorar, o rosto de Jason era particularmente reconhecível para qualquer nigeriano interessado em futebol após o ocorrido do dia anterior.

— Sim, senhor, o carro está lá fora — respondeu o homem, acenando respeitosamente.

— Me guie — disse Jason, guardando os papéis no envelope.

— Sim, senhor — respondeu o homem, saindo enquanto Jason o seguia de perto, colocando a mão no bolso e tirando uma máscara que usou para cobrir o rosto.

Em sua realidade anterior, Jason não sabia o quão rápido os efeitos do vírus COVID-19 se dissipavam, mas nessa realidade, as coisas já estavam quase voltando ao normal em menos de um ano após o surto.

... Ok, talvez "quase de volta ao normal" fosse um pouco exagerado, mas as pessoas já estavam circulando, enquanto inicialmente se estimava que levaria muito mais tempo para os efeitos do vírus diminuírem.

Segundo as notícias que Jason vinha ouvindo, uma vacina para o vírus estava quase pronta e, em um ou dois meses, as pessoas poderiam começar a se vacinar, o que significava que o retorno total à vida normal não estava muito distante.

Mas até lá, Jason não estava arriscando e, portanto, colocou uma máscara antes de sair. Ele já havia contraído o vírus uma vez e, embora tivesse tido sorte de escapar de suas garras naquela ocasião, sabia que era melhor não acontecer de novo. Além disso, ele não queria ficar em quarentena por mais 14 dias.

Enquanto Jason perdia-se em seus pensamentos, foi conduzido ao estacionamento do hotel pelo "entregador de carros". Em pouco tempo, um elegante BMW cinza surgiu.

Jason não precisou que o entregador lhe dissesse que aquele era seu carro, pois já havia visto as especificações nos documentos e sabia o que havia comprado. Observando-o de perto, parecia bastante com um Maybach, especialmente de frente, mas o logotipo da BMW revelava sua verdadeira identidade.

'Tanto faz', pensou Jason enquanto se aproximava do carro e passava a mão pela carroceria lisa, enquanto o "entregador" começava a falar sobre as características do veículo.

— Já comprei o carro, pode parar de falar, cara — disse Jason com uma risadinha, sem entender por que o rapaz lhe dava todas aquelas informações desnecessárias. De qualquer forma, ele provavelmente não ia dirigir o carro depois daquele dia; afinal, não era o seu nome que estava nos documentos.

*Bip*

Os faróis piscaram quando Jason pressionou o botão de desbloqueio no controle remoto.

— Bem... Obrigado pela entrega — disse Jason enquanto abria a porta do carro, sentava-se no banco do motorista e pressionava o botão de partida.

O carro pegou com um ronco baixo, e Jason fechou a porta, lembrando-se de que ainda precisava chegar ao hotel onde sua tia estava hospedada e o tempo não esperaria por ele.

Antes de dirigir para qualquer lugar, Jason conectou o carro ao seu celular para usar a internet e o mapa, afinal, ele não fazia ideia de onde ficava o "Shoregate Hotel".

Menos de um minuto depois, Jason estava saindo do estacionamento e dirigindo suavemente pelas ruas de Lagos.

Seguindo o mapa, Jason dirigia quando, de repente, viu uma viatura policial passar por ele, e foi só então que se lembrou de que não tinha carteira de motorista nigeriana. Ele também não havia levado sua carteira internacional, já que não tinha pensado que iria dirigir em um lugar onde não possuía um carro.

'Não deve ser um problema, certo?' pensou enquanto continuava dirigindo tranquilamente.

— Os ímpios fogem ainda que ninguém os persiga — murmurou Jason para si mesmo, dirigindo com confiança. Ninguém o pararia para perguntar se ele tinha carteira de motorista se dirigisse como um cidadão responsável... não que ele dirigisse de outra forma mesmo que tivesse a carteira.

Por sorte, Jason conseguiu chegar ao seu destino poucos minutos depois das nove. Rapidamente estacionou o carro no estacionamento do hotel e dirigiu-se para dentro, ligando para Daphne para avisá-la de que havia chegado.

Daphne atendeu a ligação e lhe disse o número de seu quarto, e Jason rapidamente encontrou as instruções depois de sorrir para o recepcionista e pedir orientação.

A letalidade do sorriso de Jason foi tal que a recepcionista até se esqueceu de se perguntar se deveria lhe dar instruções para o quarto sem confirmar com a moradora. Mesmo depois que Jason saiu, ela ainda olhava na sua direção em um leve atordoamento, incapaz de apagar a imagem dele de sua mente, embora Jason nem sequer tivesse registrado a imagem dela na sua cabeça.

A volubilidade da vida... Tão desesperadora.

Completamente alheio a como havia desencadeado uma tempestade turbulenta no coração de uma pobre recepcionista que estava se recuperando de um doloroso término de relacionamento... Jason chegou à porta do quarto 419.

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