
Volume 4 - Capítulo 306
O Maior de Todas as Lendas
Capítulo 306: Crônicas de um Fã: O Péssimo Dia do Tony – Parte I
Tão simples quanto sua resposta foi, era a melhor que ele poderia dar àqueles repórteres famintos como hienas.
Sérgio Conceição poderia facilmente ter jogado alguns jogadores debaixo do ônibus, especialmente os emprestados que ele havia usado na partida, mas ele não achava justo culpá-los e se eximir da responsabilidade; afinal, ele era o técnico.
Ele quem havia escolhido a formação e os incluído no time, mas não assumiria a culpa.
Ele não precisava de drama.
Se ele se isentasse da culpa, isentaria todos os outros… era justo.
De qualquer forma, era futebol, tudo podia acontecer.
“Próxima pergunta.”
“O Porto ficou aquém da vitória hoje porque não conseguiu marcar o gol de empate apesar de ter tempo de sobra. O senhor diria que a equipe sentiu a falta de algumas atuações decisivas de outros membros da equipe que o senhor escolheu poupar hoje, por exemplo, Vieira ou Jason?” perguntou o próximo repórter ao técnico do Porto.
“Bem, foi um jogo difícil e os jogadores não conseguiram encontrar aquele gol que nos daria o empate, por mais que tentassem. Não diria que um time diferente teria se saído melhor, pois não sei disso”, respondeu Sérgio Conceição ao repórter.
“Próxima pergunta…”
Após responder a mais algumas perguntas, Sérgio Conceição encerrou a entrevista e seguiu para o vestiário do Porto.
Ele logo chegou ao vestiário, onde os jogadores estavam trocando de uniforme e se preparando para ir embora.
“Escutem, pessoal, perdemos hoje, e parte da culpa é minha por tentar uma nova formação tão cedo, sem que vocês estivessem totalmente adaptados, mas isso não muda o fato de que vocês tiveram um desempenho lamentável em campo.”
“Nossa defesa foi porosa, nosso meio-campo estava falho e nossos atacantes acertaram tudo, menos o alvo.” n/o/vel/b//in dot c//om
“A performance de hoje não é algo que eu quero ver de novo, ou quem quer que se apresentar assim novamente terá problemas”, Sérgio Conceição não poupou palavras com os jogadores, pois não estava satisfeito com a atuação deles.
Afinal, eram profissionais ganhando muito dinheiro, então se não conseguiam se adaptar a uma nova formação e ter um bom desempenho quando necessário, qual era o sentido de todo o esforço no campo de treinamento?
Para que eles estavam sendo pagos?
Sérgio Conceição não era um treinador qualquer comandando uma equipe de baixo nível e não tolerava derrotas, então já era bom o suficiente que fosse tudo o que ele tinha a dizer aos seus jogadores após uma apresentação tão terrível.
Ele tinha mais a dizer, mas decidiu guardar seus comentários para a próxima reunião de equipe no treinamento.
Com o técnico tendo dito sua parte, ele deixou o vestiário e os jogadores se apressaram na arrumação, pois tinham que partir em breve, já que voltavam para o Porto naquela mesma noite.
***
Jason se levantou do sofá, desligando a TV com o controle remoto, pois a partida havia terminado. Ele ficou um pouco surpreso e desanimado com a derrota do time.
Ele não era nenhum bobo e sabia que a derrota da equipe era sua derrota, jogasse ele ou não.
Troféus eram ganhos em equipe, e não individualmente.
Até mesmo os troféus individuais não poderiam ser conquistados sem a ajuda dos companheiros de equipe, então não havia como ele ficar feliz com a derrota do seu time.
Isso não lhe trazia nenhum benefício; afinal, ele era mais ou menos um dos principais nomes da escalação, então não tinha muitos problemas com relação às formações.
Seus esforços e desempenho já falavam por si.
“Acho que é hora de voltar ao trabalho, então”, murmurou ele enquanto se levantava e começava a guardar os pratos que havia usado.
***
Em uma conveniência em uma das ruas mais escondidas do Porto, um grupo de jovens, que pareciam ter por volta de 25 anos, entrou pela porta da frente, conversando enquanto caminhavam.
“Hoje tem que estar de mal comigo, cara”, disse um dos homens, com ar abatido.
Seu nome era Tony, e ele não estava curtindo o dia nem um pouco.
Seu dia havia começado mal quando ele acordou muito tarde, mas ainda conseguiu chegar ao trabalho quase na hora, dirigindo a velocidades que deixariam um corredor de rua comum com inveja.
Infelizmente, isso foi apenas o começo de sua miséria, pois mal uma hora depois de sua chegada ao trabalho, ele já estava sendo repreendido pelo chefe. Não era a primeira vez e ele geralmente conseguia aguentar, mas, por algum motivo, ele se exaltou e respondeu ao chefe.
Apesar de não ter sido sua intenção, sentiu-se bem em revidar ao seu chefe chato, mas as consequências o deixaram sem emprego antes da metade do dia.
‘Vou arrumar outro emprego, não é o fim do mundo’, pensou consigo mesmo enquanto guardava suas coisas e saía de carro.
Ele decidiu ir para a casa da namorada para se consolar e talvez ganhar uns abraços, pensando que acontecesse o que acontecesse, aconteceria, mas quando chegou à casa da namorada, a encontrou com outro cara em uma posição muito comprometedora.
Ele não precisava ser um gênio para perceber que estava sendo traído e confrontou a traidora e seu brinquedo sexual de carne e osso, mas tudo o que recebeu foram suas manipulações com declarações sem sentido.
Ela nem tentou negar e colocou a culpa nele por estar muito ocupado com o trabalho.