Gênio do Teletransporte da Academia de Magia

Capítulo 289

Gênio do Teletransporte da Academia de Magia

Se você seguir para o sul, ao longo do grande rio que corta a Planície Hawol, encontrará as aldeias da Tribo do Gato Preto e da Tribo Yua.

Historicamente, essas duas tribos estavam em desavença entre si, frequentemente entrando em choque por disputas territoriais... Mas a exploradora Kayla conhecia um segredo importante sobre o relacionamento entre essas tribos.

E esse segredo era.

"Kyaa, é isso!"

Ao preparar uma bebida misturando café de musk cultivado pela Tribo do Gato Preto com contas negras cultivadas pela Tribo Yua, surgia um vodka extraordinário.

"Que humano tão único."

"Isso tem bom sabor?"

"Tsc. Tsc."

Os habitantes da Tribo do Gato Preto rangeram a língua ao ver Kayla beber o licor de contas de musk ali, sob a luz do dia.

"É pena que eles não conheçam esse sabor."

Andarilha.

Ou vagabunda.

Ou exploradora. Ou uma pessoa sem-teto.

Ou... viajante do tempo.

Ela amava vaguear pelo mundo sem rumo, mas, por algumas circunstâncias, ficou presa nas Montanhas Karacornia por um longo tempo.

Fazia décadas desde a última vez que provava um licor estrangeiro.

Graças ao encontro com algumas garotas com um destino especial, ela finalmente encerrou seu 'negócio' em Karacornia e voltou a vagar pela Planície Hawol, passando os dias adquirindo e provando vários licores.

A Planície Hawol era densamente povoada por várias tribos, cada uma com sua própria cultura de beber distinta, o que lhe permitia provar uma grande variedade de licores. Por isso ela amava tanto aquele lugar.

"Hmm. Parece um pouco diferente da última vez que estive aqui."

De alguma forma, as culturas dessas tribos pareciam quase unificadas, como se um governante poderoso tivesse surgido e as unido em um único grupo. Mas isso não era uma grande preocupação.

"Contanto que o licor tenha bom sabor, é tudo o que importa!"

De volta à Planície Hawol, Kayla perambulou, desfrutando de licores fortes a noite toda.

Ela frequentava lugares conhecidos por seus licores famosos ou onde podia preparar o próprio.

Com a pele bronzeada e o porte alegre, ela travava conversa com qualquer um e fazia piadas descontraídas, ganhando amigos entre as tribos com facilidade. Esse era o segredo para conseguir bebidas grátis sem gastar um centavo.

Foi assim que se passou cerca de uma semana.

"Ugh... O que é isso...?"

Um dia, como de costume, Kayla acordou na rua, após ter bebido até ficar inconsciente. Ela limpou a baba do queixo.

"Ugh. Ressaca."

Sua cabeça latejava como se alguém martelasse seu crânio. Lutando contra o enjoo, ela percebeu que estava em um lugar muito estranho.

Não gostou nada do que via.

Kayla tinha a habilidade de ver o passado. Ela sempre testemunhava a "história". Por causa disso, evitava lugares onde incidentes ruins haviam ocorrido há muito tempo.

Em campos de batalha, via cenas vívidas de inúmeras pessoas morrendo, e em lugares atingidos por desastres, ouvia os gritos de gente em agonia.

Ninguém poderia suportar tais cenas e sons com a mente são.

Mesmo com o estômago embrulhado pela ressaca, ela queria ficar bêbada de novo para permanecer no torpor.

Preparando-se para erguer-se, ela olhou ao redor.

Este lugar era uma ruína fria e desolada, sem sinal de vida.

Mesmo estando bêbada, como ela acabou aqui?

A cidade fora destruída há cerca de meio ano. Até então, fora uma cidade vibrante, cheia de risos.

Um dia. De repente.

Uma usina de mana desabou.

O momento em que a usina que fornecia energia mágica à cidade explodiu ficou gravado nítidamente nos olhos de Kayla.

Não importava o quanto quisesse evitar.

Não importava para onde virasse o rosto.

Não importava para onde fechasse os olhos.

Os ecos do passado continuavam a atormentá-la.

Kayla caiu de volta ao chão e franziu o rosto com a cabeça latejando.

"A concentração de cristais de mana no ar é densa... Será que foi contaminada por radiação de mana?"

A mana era benéfica a todos os seres vivos quando existia de forma intangível.

No entanto, no momento em que se cristalizava, transformava-se em uma onda mortal que devorava a energia vital.

"Parece ter se passado uns cinquenta anos, mas a concentração continua tão alta..."

Se uma pessoa comum entrasse ali, poderia sucumbir a uma intoxicação por mana e sangrar por todos os poros.

Se já estava tão ruim agora, quão horrível deve ter sido naquela época?

Kayla caminhou rapidamente pelas ruínas. Ela não queria mais ficar num lugar que arruinava seu humor...

No entanto.

Ela precisou parar ao ver o perfil de alguém bloqueando o seu caminho.

Um homem de cabelos grisalhos presos em uma barça olhava as ruínas com olhos indiferentes.

"Foi um horror de desastre."

Kayla puxou instintivamente seu bastão de dentro do manto e o apontou para ele.

Da extremidade de seu bastão, uma corrente prateada balançava com um relógio de bolso oscilando em cada lado.

O homem de cabelos grisalhos ergueu seu olhar vazio para Kayla.

"Um fragmento do Prata da Lua Nova... Ainda assim, você está perdendo seu tempo. Eu vejo."

Sua voz era pesada e fria, quase sem alma.

Ao encarar seu olhar cinzento, Kayla engoliu em seco. A dor da ressaca já tinha ido embora há muito.

"Ha. O tempo está sempre do meu lado. Há alguma razão para alguém tão grandioso quanto as Doze Luas Novas vigiar apenas um fragmento como eu?"

Espaço da Lua Nova.

Um homem capaz de manipular o espaço do mundo. Ele era talvez a entidade mais estranha que existisse.

Apesar do medo que corria, Kayla retrucou com firmeza.

"Ouvi dizer que você deixou o Mundo Aether. O que o traz de volta? Sente falta dos magos, não sente?"

"... Fragmento da Prata da Lua Nova."

"Por que você não me chama apenas de Kayla?"

"Tudo bem, Kayla."

Ele olhou além de Kayla, ou talvez para algum lugar além, com seus olhos cinzentos.

"Que visão você está vendo aqui agora?"

"O que...?"

Kayla franziu a testa.

Ele sabia sobre sua habilidade. Então qual era a sua intenção em fazer uma pergunta dessas?

"Só... Uma cena horrível."

"Você deve estar vendo a tragédia de cinquenta anos atrás."

"Há mais para ver?"

Quando Kayla deliberadamente respondeu, Espaço da Lua Nova abaixou a voz, respondendo quase como se recitasse um feitiço.

"A tragédia de cinquenta anos atrás não é o único passado. O instante em que você tropeçou aqui bêbada na noite passada também é passado, e o momento em que uma erva luta para se enraizar nas rachaduras das ruínas também é passado."

"Por que você precisa distorcer fatos óbvios em palavras tão complicadas?"

"Cem anos atrás."

As sobrancelhas de Kayla se arquearam. Ela se perguntou o que poderia ter acontecido cem anos atrás além da tragédia de cinquenta, e tentou ver a cena daquele dia.

"Duzentos anos atrás."

"Quinhentos, e depois mil anos atrás."

Espaço da Lua Nova olhou fixamente para os olhos prateados de Kayla.

"O limite do passado que você consegue ver se estende exatamente até aí."

"Oh..."

Ele estava certo.

Pensando bem, desde que recebeu o "olho que vê o passado" do Prata da Lua Nova, ela nunca tentara ver o passado de mil anos atrás.

Porque.

Era impossível.

No entanto, sem a intenção de ceder ao Espaço da Lua Nova, Kayla rangeu os dentes e gritou.

"Não é óbvio? As Doze Luas Novas nasceram naquele dia!"

"Não. Não é óbvio. Apesar de poder manipular o tempo, você nunca se perguntou por que há um limite?"

Ela não tinha.

Ela nunca tivera ficado satisfeita com essa habilidade, então nunca a questionou profundamente.

"Isso não é realmente importante."

"É importante. O fato de o fragmento, mais precisamente a entidade conhecida como Prata da Lua Nova, só conseguir ver exatamente 990 anos no passado."

"Novecentos e noventa anos...?"

"Sim."

Esse era o marco exato.

O limite da capacidade de Kayla de ver o passado era realmente 990 anos.

Mas por que, entre todos os números, era 990 anos e não mil?

"O que exatamente você está tentando dizer...?"

Conforme ele forçava pensamentos que ela não queria conhecer em sua mente, começou a ficar angustiante.

Ela podia viver sem saber tais fatos. Ela só queria beber todo dia e encontrar sua própria felicidade.

"O destino começou a tomar um rumo. Você também precisa retornar ao seu lugar de direito."

"Você percebe que isso é basicamente me mandar morrer, certo?"

"A morte não é o fim."

"Você é tão direto porque não é o seu fim, não é?"

"Você precisa retornar à sua posição no momento certo."

De repente, a atmosfera ao redor do Espaço da Lua Nova mudou drasticamente.

O céu claro e as nuvens ficaram totalmente cinzentos, e Kayla sentiu a respiração falhar na garganta.

"Mas desta vez... Você não está aceitando o destino tão facilmente."

Espaço da Lua Nova inclinou a cabeça, como se realmente intrigado ou descontente com a teimosia de Kayla, e se aproximou dela.

"O que te leva a agir assim?"

"N-Não...!"

Ele olhou para o alto, percebeu o erro e afastou sua aura.

O tempo clareou de novo num instante, mas Kayla já estava longe de ser normal.

"Não importa. É de sorte que o Prata da Lua Nova seja covarde. Ele ainda dividiu suas memórias em fragmentos e as escondeu."

"Kuh. Ugh!"

À medida que o Espaço da Lua Nova retirava seu poder, Kayla caiu ao chão, tossindo violentamente. Lágrimas surgiram, e todo o corpo dela tremeu.

Medo. Muito além do medo... Era a emoção de alguém que vislumbrou a morte.

'Ah! Será o meu fim?'

Kayla fechou os olhos. Ela acabara de se libertar das Montanhas Karacornia e pensava que finalmente poderia viajar livremente. Não esperava ser impedida assim.

"Volte à sua posição e faça o que precisa."

Quando o Espaço da Lua Nova agarrou o ar, o corpo de Kayla foi sugado para outro espaço e desapareceu.

Whoosh!!

Ele ficou ali, olhando sem expressão para o local de onde ela havia sumido.

"... Como sempre foi."

Passo.

Afastando-se, o Espaço da Lua Nova caminhou lentamente pelas ruínas.

Por causa da tolice do Prata da Lua Nova, ele sempre suportou essas dificuldades, mas sempre falhava.

No entanto, sabendo que falharia, o Espaço da Lua Nova repetiu a mesma tentativa desta vez também.

Era seu dever e missão confiados a ele.

Tendo cumprido perfeitamente sua tarefa neste lugar, o Espaço da Lua Nova atravessou para o outro lado do espaço.

Ele devolveu o fragmento do Prata da Lua Nova para o lugar a que pertencia, de modo que agora cabia ao Prata da Lua Nova encontrá-lo e absorvê-lo de acordo com o destino.

… Mas ele não sabia.

"Hm. Jogar Go sozinho não é divertido."

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