
Volume 12 - Capítulo 3138
Escravo das Sombras
Traduzido usando Inteligência Artificial
O tempo fluía, sua corrente lenta e constante desgastando tanto a esperança quanto a tristeza na mesma medida.
O céu ficava claro, depois escuro, então claro novamente.
Seu véu distante era enegrecido pela fumaça, então purificado pela fúria purificadora das nuvens de tempestade que se acumulavam.
Dentro da cidade destruída, apenas as brasas mais teimosas ainda brilhavam, escondidas nas profundezas das ruínas.
Do lado de fora da cidade, um vasto acampamento do exército conquistador repousava sob o céu cinzento, sufocado por uma atmosfera opressiva de sofrimento, confusão e medo.
Quando havia sol, havia poeira. Quando havia chuva, havia lama. As tendas estavam sujas, úmidas e castigadas. As pessoas estavam cobertas de sujeira e fuligem, seus olhos sombrios lentamente perdendo a vida.
Os soldados estavam com fome. A fome era um pesadelo que assombrava seus dias de vigília, perseguindo-os incessantemente aonde quer que fossem, qualquer que fosse o seu propósito. Ela cravava suas presas em sua carne, drenando suas forças e atormentando-os. Também roía suas mentes, corroendo sua força de vontade. A fome não era o único pesadelo a assombrar a Horda de Aço.
Uma praga cruel se alimentava dos soldados, roubando suas vidas. Era como um monstro invisível que caminhava entre eles, invisível e silencioso, marcando suas vítimas e banqueteando-se com sua carne. Não havia como afastar o monstro devorador de homens, nem como combatê-lo. Uma vez marcado, tudo o que se podia fazer era morrer.
A agonia daqueles infectados pela praga era grotesca. Suas mortes eram horrendas. Muito antes que pudessem experimentar o tormento de serem devorados vivos pela praga, porém, a maioria perecia diante do aço frio, pois o Rei dos Reis havia ordenado o extermínio dos infectados. Assim, incontáveis eram executados assim que começavam a apresentar sintomas, seus corpos queimados em piras coletivas.
O fedor de carne queimada era inevitável. Pior ainda do que a praga, porém, era o medo da praga. O medo era muito mais virulento do que a própria doença e, muitas vezes, igualmente mortal. A praga afetava apenas alguns dos soldados, mas o terror da infecção afetava todos eles. Uma paranoia corrosiva fazia os guerreiros da Horda de Aço desconfiarem uns dos outros, transformando sua realidade já sombria em um purgatório opressivo de suspeita e desconfiança.
E, além da fome, da praga, do medo…
Havia a pressão crescente de um cerco longo e brutal.
A Horda de Aço já havia sido ferida e castigada pelos incontáveis ataques à obstinada cidade. Então, os Guerreiros Temíveis, a legião mais temível da horda, foram completamente exterminados. E mesmo agora, enquanto a fome e a doença devastavam os soldados restantes, o Rei dos Reis continuava lançando-os contra as muralhas do Castelo de Pedra repetidas vezes.
Para arder nas chamas do temível dragão que protegia as ruínas da cidade caída.
Para se afogar no rio de aço cortante que circundava o castelo como um fosso.
Para desaparecer para sempre nas nuvens ondulantes de névoa gélida, suas próprias almas devoradas pelo sinistro espectro que assombrava as ruínas.
Para ver rios de sangue fluírem de cada pequeno corte que recebiam, drenando suas vidas em questão de instantes.
Para serem despedaçados quando o próprio espaço se contorcesse e ondulasse ao redor deles.
Apesar da fúria do Rei dos Reis, seus soldados haviam falhado em tomar o Castelo de Pedra repetidas vezes.
Então, agora, tudo o que podiam fazer era rastejar cansadamente para dentro de suas tendas sujas, suportando a fome e tremendo de frio, rezando para que aqueles tremores não fossem um sintoma da praga que se aproximava.
Esperando pela próxima batalha que ceifaria suas vidas.
O acampamento da Horda de Aço estava consumido pelo medo, pela fadiga e pela exaustão. Era cinzento e silencioso, impregnado pelo fedor de cadáveres queimados.
Ao mesmo tempo, uma cena completamente diferente acontecia não muito longe dali, do outro lado da extensão enegrecida da cidade queimada.
Uma ilha radiante se estendia sob um céu azul-celeste. O vento cálido acariciava as folhas das árvores altas, fazendo-as balançar e farfalhar. Córregos cristalinos murmuravam enquanto corriam em direção ao mar sereno, impregnando o ar com um frescor revigorante. Para onde quer que se olhasse, o mundo era vibrante e cheio de vida. Os galhos estavam carregados de frutas, os arbustos repletos de doces frutos silvestres.
Flores desabrochavam nos prados verdes, exalando uma fragrância reconfortante…
E, em meio a tudo aquilo, o som cristalino das risadas de crianças podia ser ouvido, espalhando-se por toda parte.
Havia pessoas habitando a ilha. A maioria delas era idosa ou muito jovem. Pareciam magras e abatidas, mas a cor já começava a retornar aos seus rostos. Os idosos se reuniam para conversar, descansar e preparar refeições simples com os presentes da ilha. As crianças corriam, brincavam ou chapinhavam nos córregos cristalinos.
A ilha era completamente segura. Não havia predadores ali, nem inimigos. A comida era deliciosa e abundante, e havia água limpa em fartura.
Este era o Jardim da Prosperidade, e as pessoas que ele abrigava eram a população restante da cidade, todas elas, exceto pelos guerreiros que defendiam o Castelo de Pedra da vacilante Horda de Aço. No entanto, os guerreiros também se beneficiavam dos presentes do Jardim da Alma, pois tanto as frutas quanto a água podiam ser colhidas e levadas para o mundo exterior.
‘É estranho.’
Estirada em uma cama macia no Castelo de Pedra, ainda fraca demais para lutar e se recuperando de seus graves ferimentos, Effie encarava o teto.
Era estranho saber que havia milhares de pessoas residindo dentro dela naquele momento, e, ainda assim, esse era precisamente o caso.
O Jardim da Prosperidade, seu domínio menor, podia ser descrito de forma concisa com apenas algumas frases. Era um espaço físico que residia dentro de sua alma. Seu Mar da Alma havia se tornado um reino mortal em miniatura.
Aquele reino tinha o tamanho de uma grande ilha naquele momento, mas, se ela se tornasse Suprema, provavelmente se expandiria até o tamanho de um continente.
Além disso, o fragmento do Domínio da Vida que ela havia herdado se fundiu àquela terra, impregnando-a com uma vitalidade ilimitada. Effie podia visitar seu Jardim da Alma e desfrutar de seus presentes. Também podia permitir que pessoas entrassem ou convocá-las de volta.
Era um paraíso em miniatura que ela carregava dentro de si.