Escravo das Sombras

Volume 12 - Capítulo 3103

Escravo das Sombras

Traduzido usando Inteligência Artificial



Enquanto Santa ainda lutava contra seus semelhantes caídos, Sunny e Nephis voltaram sua atenção para a própria extremidade da antiga cidade — onde o grande rio despencava no abismo em meio ao rugido de uma imensa cachoeira, enquanto a névoa branca ondulava sob ventos gelados. Antes de seguirem em frente, porém, Sunny hesitou por um instante. Olhou ao redor, para as ruínas das ruas devastadas ao seu redor, e perguntou em voz baixa:

“Eu deveria… deixar uma âncora aqui? Só por precaução.” 

Era improvável que conseguissem permanecer no Submundo por muito mais tempo. Mas, mesmo que fossem forçados a recuar, uma âncora poderia ajudá-lo a retornar ali quando quisesse. Ainda assim, Sunny tinha suas dúvidas.

Nephis balançou a cabeça.

“Você não deveria.”

Ela limpou o sangue dos lábios e lançou um olhar para a extensão chamuscada de pedra despedaçada onde seu Portal dos Sonhos havia estado. Sua expressão se tornou sombria.

“Agora que estamos enfrentando seres Amaldiçoados e Profanos, precisamos repensar muitas coisas. Na batalha contra o Demônio Amaldiçoado, Abjuração, ele foi capaz de usar minha conexão com o Domínio do Anseio para atingir seus súditos… desta vez, aquela coisa do Abismo conseguiu destruir meu Portal dos Sonhos. Quem garante que algum horror Profano não será capaz de fazer uso da sua âncora também?”

A expressão de Sunny se fechou.

Nephis tinha razão. As divindades aterrorizantes do Reino dos Sonhos estavam além da compreensão deles e possuíam poderes que desafiavam qualquer lógica. Já seria ruim o bastante se o horror abissal pudesse seguir o rastro da âncora até Sunny e atacar sua alma… mas e se ele também pudesse atravessá-la até o outro lado?

Imaginar aquela coisa estendendo seus tentáculos até NQSC ou Bastion fez Sunny estremecer.

“Então só temos uma tentativa. É melhor não desperdiçá-la.”

Trocando um olhar inquieto, eles seguiram em direção à borda da cidade. Precisaram voar mais uma vez, pousando sobre uma saliência rochosa acima da névoa branca em redemoinho. Nephis ainda sofria com o enorme desgaste da batalha contra sua cópia sombria, mas invocou suas asas, cerrando os dentes enquanto a dor e a exaustão a invadiam.

A fortaleza voadora de Nether agora estava atrás e acima deles, enquanto à frente se estendia uma vastidão aparentemente infinita de escuridão impenetrável até onde conseguiam enxergar — o que não era muito longe, considerando que Santa estava do outro lado da cidade.

O brilho de Neph, que normalmente lembrava uma estrela resplandecente, parecia uma faísca minúscula diante daquela imensa extensão de escuridão fria. Sua luz não alcançava muito longe, iluminando apenas os fiapos de névoa abaixo.

Além dali, existia apenas um vazio negro interminável e indecifrável.

O rugido da cachoeira invisível os envolvia, enquanto o ar estava saturado de vapor frio. Sunny inspirou profundamente, ainda incapaz de suprimir o terror instintivo que mantinha seu coração preso por um aperto gelado. O horror abissal ainda se escondia em algum lugar nas profundezas daquele vazio negro. Sunny não conseguia vê-lo, não conseguia senti-lo… não sabia se, no instante seguinte, um tentáculo colossal surgiria para envolvê-lo e arrastá-lo para a escuridão.

Mesmo assim, obrigou-se a olhar adiante, encarando aquela escuridão sem limites.

Então, sua expressão mudou.

Os olhos de Sunny brilharam, e ele ergueu uma mão, apontando para a frente.

“Neph, você… está vendo aquilo?”

Ela respondeu em um tom baixo e contido:

“Sim.”

Sunny soltou um suspiro discreto.

Lá embaixo, outra pequena centelha de luz brilhava na vastidão infinita da escuridão. Sunny e Nephis olharam um para o outro. Alguns instantes se passaram em silêncio — havia tanto que ambos precisavam dizer, mas nenhuma palavra era capaz de expressar a verdade do que sentiam.

Por fim, Sunny ergueu a mão e segurou levemente o ombro de Neph. Então a soltou, deu um passo à frente e abriu suas asas sombrias.

Eles deslizaram pelo vazio negro, envolvidos pelo rugido da cachoeira e pelas nuvens de vapor d’água, enquanto a massa revolta de névoa branca passava a apenas alguns metros abaixo deles.

Por fim, alcançaram a origem daquela luz misteriosa. Ali, uma plataforma de rocha irregular se projetava da parede escarpada, avançando para fora da cortina estrondosa de água. Ela afunilava até uma ponta, suspensa sobre o abismo como um estreito penhasco — e a luz que haviam visto brilhava exatamente na extremidade daquele penhasco, cintilando suavemente.

Abaixo deles, não havia nada além de escuridão. As pedras eram escorregadias, e bastava perder o equilíbrio para que tudo o que os aguardasse fosse uma queda interminável e aterradora.

Sunny avançou com passos cautelosos. Nephis o seguiu, movendo-se lentamente… como se temesse o que encontrariam adiante, reunindo toda a sua coragem para encará-lo.

Sunny não sabia o que esperar, mas sabia que havia encontrado aquilo que procurava — seu sangue lhe dizia isso, puxando-o para a frente com uma força sutil, porém estranhamente irresistível.

Ali, oculta naquela luz misteriosa… a Trama da Sombra, o último fragmento da Linhagem de Tecelão, o aguardava.

E Broken Sword também.

Por fim, chegaram à ponta do penhasco e descobriram de onde vinha a luz.

Na própria borda da escuridão infinita, uma espada rachada estava cravada na pedra em um ângulo inclinado. Uma lanterna encantada pendia de sua guarda, iluminando um pequeno trecho da rocha escura com sua luz radiante. Apesar das décadas que haviam se passado, a lanterna ainda brilhava intensamente, mantendo a massa insondável de escuridão à distância.

E diante da espada rachada…

Sunny e Nephis pararam completamente, olhando para baixo.

No entanto, eles olhavam para coisas diferentes.

O olhar de Neph estava fixo nos ossos desgastados que jaziam à beira do abismo. Um crânio branco, costelas quebradas espalhadas, um braço fraturado estendido em direção à lanterna… era o esqueleto de um ser humano, mutilado e destruído, coberto pelos restos esfarrapados de um uniforme militar desbotado.

Era seu pai, Broken Sword — o primeiro humano a conquistar o Terceiro Pesadelo e também o Quarto. Tudo o que restava dele, oculto na escuridão eterna.

Sunny, porém, não estava olhando para os melancólicos restos do grande herói da humanidade.

Em vez disso, ele observava a sombra projetada pelo esqueleto.

A sombra repousava sobre as pedras frias… mas não estava quebrada nem mutilada.

Também não era a sombra de um ser humano.

Era alta e imponente, envolta por um longo manto. Oito mãos se estendiam das dobras do manto e, sobre a cabeça da sombra…

Três chifres retorcidos se erguiam como uma coroa.

Era a sombra de Tecelão, o Demônio do Destino.

Comentários