
Volume 12 - Capítulo 3083
Escravo das Sombras
Traduzido usando Inteligência Artificial
Uma elegante cavaleira de pedra permanecia sobre um alto penhasco, contemplando a magnífica cidade ao longe. Ela estava cercada por uma extensão infinita de escuridão fluida, assim como a cidade — porém, esta cintilava com miríades de luzes prateadas, parecendo um fragmento de um céu estrelado perdido nas profundezas ilimitadas do cosmos.
O silêncio era quebrado apenas pelo murmúrio das águas correntes. Abaixo do penhasco, um dos três grandes rios do Submundo fluía sob um véu de névoa espectral, sua superfície reluzindo como vidro negro polido. Sua corrente era mais veloz ali, no coração do Submundo — isso porque, em algum ponto mais à frente, o rio despencava em um abismo colossal. A cidade que o Demônio do Destino construiu erguia-se à beira desse abismo, voltada para sua vasta escuridão sem fundo.
Contemplando a cidade distante pelos olhos de Santa, Sunny não conseguiu evitar sentir um profundo assombro. Era uma visão estranha e de tirar o fôlego — talhada em pedra indomável, mas ao mesmo tempo graciosa e majestosa.
A cidade não tinha nome. Nether jamais se dera ao trabalho de lhe conceder um, e mesmo que os Santos de Pedra o tivessem feito, esse nome havia se perdido nas páginas da história. Ainda assim, a cidade permanecia de pé, como um testemunho de sua breve existência. Era digna de ser chamada de uma maravilha do Reino dos Sonhos, embora poucos humanos tivessem contemplado sua beleza requintada.
A cidade localizava-se no centro de uma caverna colossal. Enormes estalagmites erguiam-se do chão da caverna e estalactites igualmente gigantescas — cada uma do tamanho de uma montanha — pendiam de seu teto distante. A cidade não foi construída com pedra, mas sim esculpida nela.
As presas negras da caverna haviam sido entalhadas como marfim, revelando as formas elegantes de edifícios magníficos, estradas sinuosas e monumentos primorosos. Por isso, a cidade era predominantemente vertical. As estalagmites e estalactites que a compunham eram conectadas por pontes aéreas arqueadas e aquedutos, formando uma hipnotizante teia de pedra.
Sob a cidade, nuvens de névoa branca ocultavam as correntes turbulentas do grande rio. Acima dela, uma escuridão impenetrável engolia o teto distante da colossal caverna.
Suspensa entre o vazio e a escuridão, a cidade brilhava com luzes radiantes — eram incontáveis lanternas contendo chama divina, que ainda ardia apesar dos milhares de anos transcorridos desde a morte dos deuses.
Era a única fonte de luz que Sunny e Nephis haviam encontrado no Submundo, e, após meses imersos em escuridão absoluta, contemplá-la parecia uma bela miragem.
E isso era apenas o que olhos humanos podiam enxergar.
Sunny, porém, via muito mais.
‘Aquele… maldito lunático…’
Ele ficou atônito.
Porque, aos seus olhos, a cidade de Nether parecia uma máquina gigantesca — ou talvez uma imensa formação de feitiço.
A energia necessária para sustentar a cidade e operar suas inúmeras pontes e elevadores suspensos era extraída da corrente do grande rio abaixo — enormes rodas d’água ocultas pela névoa revolta colocavam em movimento um sistema infinitamente complexo de engrenagens giratórias.
Essas engrenagens produziam uma energia cinética bastante mundana, mas essa não era a única energia permeando a cidade desolada. Sunny também conseguia ver torrentes de essência da alma fluindo por canais especiais esculpidos na pedra. Ele não sabia de onde vinha aquela essência, mas era ela que alimentava as incontáveis runas encantadas espalhadas por toda a cidade.
E isso não era tudo.
O que realmente deixou Sunny atordoado foi algo que ele percebeu pelos olhos de Santa.
Era o terceiro elemento do intricado sistema que sustentava a cidade de Nether — o elemento que dominava a própria escuridão verdadeira, guiando suas correntes por canais de pedra e extraindo algum tipo de poder delas.
Nether havia utilizado um dos grandes rios do Submundo, essência da alma e a escuridão verdadeira para dar vida à sua cidade. E mesmo agora, milhares de anos após a queda do Demônio do Destino, sua cidade continuava viva, brilhando como uma jóia na escuridão infinita daquele vasto e aterrador reino subterrâneo.
A própria cidadela de Nether erguia-se na extremidade da cidade, diretamente acima da grande cachoeira que despencava no abismo… ou melhor, flutuava sobre ela. Ali, a maior estalagmite da colossal caverna elevava-se para encontrar a maior estalactite — o palácio do Demônio do Destino levitava no espaço vazio entre ambas, funcionando como o coração pulsante de todas as feitiçarias que sustentavam a cidade, cercado por anéis que giravam lentamente, forjados em metal e talhados em pedra negra.
O Palácio de Jade era ornamentado e opulento, construído para ser um magnífico lar para uma bela rainha. O Castelo do Espelho era austero e inabalável, fiel à sua natureza de fortaleza. A fortaleza de Nether, porém… parecia ter sido construída sem qualquer interesse particular por estilo ou estética, servindo a um propósito puramente utilitário.
Na verdade, ela nem sequer parecia uma estrutura única. Em vez disso, parecia um conjunto de construções reunidas de maneira improvisada, muito provavelmente erguidas uma a uma ao longo de séculos. Havia torres misteriosas, cadinhos colossais, cúpulas esculpidas em cristal perfeitamente transparente e elaborados edifícios negros sustentados por altos pilares.
Apesar disso, o complexo parecia gracioso e imponente, com uma de suas fachadas voltada para a cidade e a outra encarando o abismo infinito abaixo.
Invisível aos olhos, ele também era a confluência das torrentes de essência da alma e de escuridão verdadeira que alimentavam a magnífica cidade.
A beleza e o esplendor daquela vista eram deslumbrantes…
Mas Sunny permaneceu absorto naquela visão magnífica por apenas alguns instantes.
Então, sua atenção foi atraída para outra coisa.
Um sombrio pressentimento surgiu em seu coração.
Isso porque ele havia percebido algo oculto por trás da beleza sombria da cidade de Nether — um vasto oceano de Vontade alienígena permeando o mundo ao seu redor.
Algo os aguardava no coração do Submundo.
Algo maligno, poderoso… titânico.
Parecia que sua aterradora expedição estava prestes a colidir com o pior obstáculo até então.