
Volume 12 - Capítulo 3074
Escravo das Sombras
Traduzido usando Inteligência Artificial
Sunny percebeu que as antigas runas haviam sido deixadas por Nether logo após ler as primeiras linhas. Afinal, por que outro motivo os Santos de Pedra construiriam seu assentamento ao redor do imponente obelisco negro, guardando-o mesmo enquanto eram consumidos pela Corrupção? A identidade do autor não era um mistério.
À medida que Sunny continuava a leitura, porém, sua expressão foi mudando aos poucos.
A princípio, ele presumiu que as trevas com as quais Nether conversava fossem uma personificação metafórica da verdadeira escuridão — ou talvez uma poderosa Criatura das Trevas. Afinal, o assentamento em ruínas ficava no Submundo, que Nether certa vez reivindicou como seu domínio. Assim, conversar com a força elemental que habitava o Submundo parecia apropriado.
Mas assim que a morte e a paz foram mencionadas, Sunny percebeu que, no contexto daquela conversa, as trevas só podiam representar um único ser — o Deus das Sombras, o deus da paz e do repouso.
Isso imediatamente despertou sua atenção.
Nos escritos deixados nas paredes da Torre de Ébano, Nether perguntava:
“O que é a vida?”
E, no poema gravado naquele obelisco negro, ele perguntava:
“O que é a morte?”
Ao que parecia, o Demônio do Destino tinha um grande interesse por filosofia.
Mas, na verdade, havia um detalhe muito interessante escondido no poema de Nether que não tinha nada a ver com sua pergunta, nem mesmo com o próprio Deus das Sombras. Estava ali, logo na primeira linha…
‘Enquanto seguia os caminhos percorridos pelas sombras…’
Sunny inclinou levemente a cabeça.
Parecia que o poema descrevia uma jornada que Nether — muito mais jovem do que o temível Príncipe do Submundo, muito provavelmente — empreendeu certa vez. Ele explorou o Submundo e, durante essa jornada, ficou intrigado com as sombras dos mortos que atravessavam aquele reino de trevas elementais para alcançar o Reino das Sombras.
Então, ele as seguiu, desafiando o Abismo para encontrar o trono do Deus das Sombras.
Na verdade, isso era algo que sempre deixou Sunny confuso. Os povos antigos pareciam acreditar que as sombras dos mortos empreendiam uma jornada literal, viajando fisicamente até o Submundo, atravessando suas profundezas sombrias e, por fim, alcançando seu destino ao descerem ao Abismo. Mas Sunny nunca teve certeza se aquilo era apenas uma crença supersticiosa ou um fato literal. Se a jornada das sombras era uma metáfora ou uma manifestação das leis universais.
Agora, ao que tudo indicava, ele tinha uma confirmação — segundo Nether, aquilo era verdade.
No entanto… nada parecido acontecia nos dias de hoje. Sunny não sabia como as sombras dos mortos alcançavam o Reino das Sombras, mas parecia acontecer quase instantaneamente, sem a necessidade de uma longa e árdua jornada.
Então… o que havia mudado?
Ele refletiu sobre aquela estranha dicotomia por alguns instantes, depois voltou a olhar para o obelisco com uma expressão de surpresa.
‘A resposta parece óbvia, não parece?’
Era porque o mundo já não era o mesmo. Antes, as sombras precisavam viajar do reino onde haviam perecido até o Reino da Morte, e essa jornada levava tempo para ser concluída. Agora, porém, já não existiam vários reinos… existia apenas o Reino dos Sonhos. O Reino das Sombras havia se tornado parte dele há muito tempo, então as sombras não precisavam mais percorrer uma grande distância para alcançá-lo.
‘Fascinante.’
Sunny não sabia como aquela informação poderia lhe ser útil, mas ainda assim sentiu uma ponta de empolgação simplesmente por ter solucionado mais um mistério.
O Deus das Sombras não era apenas o deus da paz e do repouso — era também o deus dos mistérios. Seria por isso que Sunny nunca conseguia saciar sua curiosidade?
Balançando a cabeça de leve, ele voltou sua atenção para as antigas runas.
‘Mentiras?’
Era bastante ousado da parte de Nether acusar o Deus das Sombras de ser um mentiroso.
Mas isso revelava uma verdade ainda maior.
Sunny sabia que o Demônio do Destino e, por extensão, todos os outros daemons, sofriam algum grau de angústia por causa da proibição imposta pelos deuses — pois lhes era proibido gerar descendentes. Dessa forma, seu direito à vida havia sido mutilado.
Mas parecia que, em algum momento, Nether também descobriu que os daemons eram privados até mesmo do direito de morrer.
Tudo se resumia à mesma pergunta que o próprio Sunny havia feito ao Demônio do Desejo durante o Segundo Pesadelo. Por que o Deus do Sol escolheu aprisionar Hope em vez de destruí-la?
Era porque os demônios eram filhos do Deus Esquecido.
Segundo Tecelão — se o Tecelão pudesse ser considerado confiável — os daemons não podiam morrer. Eles apenas podiam ser destruídos. E, no ato de serem destruídos, a essência que os tornava indivíduos retornava ao Deus Esquecido, tornando-o mais forte e aproximando-o de despertar de seu sono. O Deus Esquecido era o Defeito da existência, e os daemons eram o Defeito dos deuses. Pelo menos foi isso que Cassie viu em uma das memórias que herdou.
Agora que Sunny estudava o poema de Nether, porém, ele enxergava a situação dos daemons sob uma nova perspectiva.
Se a morte era paz, se ela concedia a todos o repouso definitivo… então isso não significava que os daemons também haviam sido privados da paz? Ao mesmo tempo em que suportavam a terrível proibição imposta às suas vidas.
Não era de admirar que Nether acabasse se rebelando contra os deuses.
Mas isso aconteceu muito tempo depois daquela conversa com o Deus das Sombras. Durante aquele diálogo, Nether ainda era jovem e não parecia nutrir sentimentos negativos em relação ao Deus das Sombras.
E, ainda assim, Nether prometeu destruí-lo.
Essa declaração não foi feita com malícia. Pelo contrário, parecia um ato de misericórdia… Nether havia sido privado da morte, então prometeu conceder a morte a outro ser que carregava a mesma maldição.
Afinal, a morte era um dos aspectos do Deus das Sombras. O Reino das Sombras era seu corpo. Ele engolia as sombras dos mortos e as desfazia em pura essência de alma dentro de si. Então, como o Deus das Sombras poderia morrer? Ele não podia engolir a si mesmo, e por isso Nether ofereceu-se para, um dia, devorar o Deus da Morte — como um favor.
‘Que… arrogante da parte dele.’
Sunny balançou a cabeça, maravilhado.
Ele não tinha certeza de quanto daquele poema era um relato fiel de uma conversa real entre o Deus das Sombras e Nether, e quanto era uma interpretação literária. No entanto, era evidente que Nether mantinha uma relação complicada com os grandes deuses muito antes de sua rebelião.
Seria o Deus das Sombras a razão pela qual ele escolheu conquistar o Submundo e subjugar a verdadeira escuridão? Afinal, a verdadeira escuridão era aquilo que as sombras temiam. Se Nether pretendia cumprir sua promessa, absorvê-las — assim como o nada — teria sido um primeiro passo profundo.
‘Mas ele falhou.’
No fim, nem a verdadeira escuridão nem o poder do nada conseguiram destruir os deuses.
Em vez disso, eles foram consumidos pelo Feitiço do Pesadelo.
Não foi Nether quem os matou — foi o Tecelão.
Assim, de certo modo, o único poder capaz de destruir os deuses…
Era o destino.
E era precisamente esse poder que o Tecelão também desejava derrotar.