
Capítulo 716
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
Qual a essência da morte?
Jun sabia que cada pessoa neste planeta já havia pensado sobre a morte.
Se você perguntar a uma criança, a morte pode ser a separação daqueles que ela ama.
É a perda de uma mão quente que ela segura, um peixinho dourado dado à descarga, um animal de estimação que finalmente morreu depois de tanto tempo, uma voz familiar e uma presença reconfortante que eventualmente serão esquecidas.
Essa ausência é sentida superficialmente, pois a mente de uma criança é simples.
O que se foi, se foi.
Para aqueles que conheceram o sabor da boa vida, a morte costuma trazer um medo intenso.
É um lembrete silencioso de nossa fragilidade. As pessoas ficam obcecadas com a saúde, tentando se alimentar direito, se exercitar e evitar o risco de morte.
Vivemos com uma preocupação constante, sempre cientes de que nosso tempo acabará a qualquer momento.
O medo não era apenas de morrer, mas do desconhecido que a morte representa.
Por outro lado, pessoas que se cansaram lentamente da vida agradecem a morte.
É uma fuga — algo que as tiraria de sua miséria… como um sono profundo e permanente.
Quando Jun fez a pergunta, as meninas ficaram em silêncio.
Elas não esperavam uma pergunta tão impactante.
Zonya limpou a garganta e quebrou o silêncio.
"Bem, primeiro, eu procuraria uma cura", disse ela.
"…e se a cura for tão mortal quanto?", perguntou Jun.
Zonya coçou a nuca, se perguntando por que Jun estava fazendo tal pergunta.
"Por que você—"
Mei interrompeu Zonya antes que ela terminasse a pergunta.
"Eu aceitaria, acho", disse Mei, encostada no espelho e olhando para as mãos.
"Se for inevitável, qual o sentido de lutar?", perguntou ela. "É como se você tivesse um prazo. Então, tanto faz, vamos logo com isso. Você não pode fazer mais nada."
Jun soltou um suspiro profundo. Era exatamente o que ele estava pensando.
Parecia que elas eram realmente irmãs de verdade.
"Ei, espera aí", disse Yeri, entrando na conversa. "Não precisa soar tão deprimente. Você pode ter um prazo, mas isso não significa que você só precisa esperar por ele."
"Concordo!", exclamou Ara. "Se eu fosse morrer no fim do mês, provavelmente não teria medo."
Jun levantou as sobrancelhas surpreso.
Era uma perspectiva refrescante da garota animada.
"Quer elaborar?", perguntou Jun, curioso sobre seu raciocínio.
"Bem, se eu vou morrer no fim do mês, do que mais eu deveria ter medo? Ser presa? Ser morta? Ser publicamente criticada? Nada disso! Eu já vou morrer. Eles podem me beijar o rabo no céu ou no inferno se quiserem!", disse ela animada.
"Ara", disse Mei, divertida.
"O que?", perguntou Ara, rindo. "Estou apenas dizendo a verdade. Não há nada para temer."
Yeri balançou a cabeça, divertida. "Eu meio que concordo — embora eu não seja tão extrema. Acho que passaria o tempo com as pessoas que amo, faria as coisas que nunca fiz antes e correria os riscos que sempre hesitei em correr."
"Assim, eu veria o quão bonita minha vida tem sido e não o quão assustadora a morte realmente é", continuou ela. "A morte não precisa ser tão triste."
"Esse era o meu ponto no início, no entanto", comentou Mei. "Uma vez que você aceita a morte, acredito que você também aceitou que ela não é a coisa escura e assustadora que a maioria das pessoas a percebe."
"Ao contrário, é algo lindo que significa um novo começo", concluiu ela.
Jun sentiu como se seus olhos estivessem se abrindo para uma nova realidade.
Ele estava tão focado na definição linear da morte que não conseguiu perceber o que ela realmente significava.
Naquele instante, Ara ofegou, apontando para Jun com olhos brilhantes.
"Você nos fez essa pergunta para que chegássemos a essa conclusão?", perguntou ela.
Jun sorriu e concordou com a cabeça.
Não era a verdade, mas parecia que as meninas ficaram impressionadas.
"Entendo", disse Yeri, olhando para Jun com admiração.
"A morte não precisa ser tão triste. Dessa forma, nossa apresentação não precisa ser triste também", disse ela.
"A felicidade da morte?", perguntou Mei, fazendo suas companheiras de equipe concordarem animadamente.
Jun sorriu, sentindo como se um enorme peso tivesse sido tirado de seus ombros.
Morte.
As meninas estavam certas. A morte não precisava ser tão triste.
Com isso, ele começou a falar sobre o que percebeu em seu coração.
"Talvez, na sombra da morte, sempre esteja a verdade brilhante", disse ele, fazendo as meninas voltarem toda a atenção para ele.
“Passamos nossas vidas buscando significado, muitas vezes ignorando o simples fato de que a morte dá valor à vida. Sem o fim, apreciaríamos tanto a jornada?”
“É o conhecimento de que nossa existência finita torna cada momento precioso. Essa consciência nos leva a viver plenamente, amar profundamente e encontrar alegria a cada dia.”
“A morte nos ensina a viver. Ela nos lembra de saborear cada nascer do sol, de abraçar nossos entes queridos e de perseguir nossos sonhos com paixão.”
“Dessa forma, a vida e a morte estão interligadas. No entanto, elas não são opostas, mas sim parceiras.”
“A morte, então, é a maior professora da vida. Ela nos mostra que nosso tempo aqui é limitado, mas é isso que o torna tão precioso. A vida é um presente fugaz, e a morte é um lembrete gentil para vivê-la bem. Nesse entendimento, encontramos a verdadeira essência da vida e da morte, que é a beleza da nossa existência.”
Ele terminou seu discurso com um suspiro profundo.
As meninas ficaram em silêncio por um momento antes que Ara aplaudisse alto, até mesmo se levantando para dar a Jun uma ovação de pé.
Jun saiu de sua reverie e olhou para o grupo de meninas com as bochechas quentes.
Ele não percebeu que tinha estado desabafando.
"Eu falei demais?", perguntou Jun.
"Não!", exclamou Ara. "Você disse as coisas certas. Agora, estou ainda mais esclarecida!"
"Não admira que te chamem de mestre das performances emocionais!"
"Sabe", continuou Ara, estreitando os olhos para Jun.
"Você teve uma fase emo ou algo assim?"