
Capítulo 715
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
Junio olhava para o teto, sem conseguir dormir. O corpo estava cansado, mas a mente, não. Mil pensamentos o bombardeavam, todos girando em torno de um único tema: a morte. Quem diria que aquelas tonturas e dores de cabeça significavam algo?
"Que diabos", resmungou Junio, levantando-se e indo até o espelho de corpo inteiro. Olhou-se e constatou que ainda estava bem – bonito pra caramba, até.
"Essa é a cara de um homem morrendo?", perguntou-se.
Então, começou a pular, batendo no peito com os punhos como um gorila. "Nada dói", continuou. "Será que é verdade mesmo?"
Negação.
Essa era a primeira fase do luto.
"Por que diabos eu fiquei doente? Eu como melhor que qualquer membro da EVE! Nem um cigarro ou vape eu toquei desde que viajei para esse corpo!", exclamou.
Raiva.
Junio suspirou frustrado. "Mas, por outro lado, eu me esforcei demais nos últimos meses. Nem sei como consegui. Talvez esse seja o preço que estou pagando por não cuidar bem de mim mesmo."
Negociação.
Junio desabou no chão, os olhos vazios.
"Meu Deus, eu não quero fazer mais nada."
Depressão.
"Eu deveria simplesmente morrer."
Aceitação.
"Você está ensaiando para um novo papel?"
Junio se levantou surpreso ao ouvir Jisung falando atrás dele.
"Quanto tempo você está aí?", perguntou Junio, com os olhos arregalados.
"Desde que você começou a pular em círculos batendo no peito. O Jay te ofereceu uma nova audição? É sobre um homem que morre? Ou talvez uma invasão de macacos?", perguntou ele, animado.
"Aliás, foi muito convincente! Quase acreditei que você ia morrer mesmo", continuou.
Junio apertou os lábios. Se ele soubesse…
"De qualquer forma, só vim te chamar para almoçar. Sei que você tem uma gravação com o Rising Stars hoje, então te chamei já que você não saía do quarto."
"O quê?", perguntou Junio. "Já é meio-dia?"
"É sim", disse Jisung. "Então, vamos. O Jay vai te buscar em alguns minutos."
Junio assentiu, levantando-se e seguindo Jisung. Olhou para a mesa e viu a comida deliciosa. No entanto, por algum motivo, não tinha apetite.
"Essa não é sua favorita?", perguntou Jisung. "Pedimos só para você!"
Junio riu nervosamente antes de enfiar a comida na boca. Como esperado, não tinha gosto de nada, pois sua mente estava em frangalhos. Então, depois de mais algumas garfadas, levantou-se da cadeira.
Akira franziu a testa, confuso. "Onde você vai?", perguntou.
"Tomar um banho", respondeu Junio. "Saio daqui a pouco."
Com isso, Junio foi tomar banho. Ligou o chuveiro sem nem ajustar a temperatura. Sentiu a água fria o atingindo, mas, novamente, não sentia nada. Era como se tivesse se tornado imune a ela.
Depois disso, se vestiu e foi para o estacionamento, onde Jay já o esperava.
"Vamos!", exclamou Jay, animado.
"É", murmurou Junio, olhando pela janela. Os vidros eram escuros, então o mundo parecia opaco, preto e branco, sem vida…
…assim como ele.
Chegando ao set do Rising Stars, Jay o deixou sozinho para fofocar com os membros da equipe. Junio foi até onde Yena e Yejin estavam, sem perceber que já tinha passado por elas.
"Junio!", exclamou Yena. "Aqui", riu. "Você parece aéreo."
Junio apertou os lábios. "Desculpa, não dormi bem."
"Ah, tudo bem. Todo mundo tem esses dias", disse Yejin. "De qualquer forma, você vai ser o mentor da equipe que vai apresentar 'Todos Nós Vamos Morrer'."
Junio levantou a cabeça em velocidade surpreendente. Então, olhou para o teto por um momento. 'Sério? Vocês querem esfregar isso na minha cara?'
"Tudo bem para você?", perguntou Yena.
'Não!', Junio queria dizer. No entanto, não conseguiu.
Em vez disso, acenou com a cabeça relutantemente em concordância.
"Ótimo", exclamou Yejin, batendo palmas animada. "Você pode ir para a sala de ensaio número cinco. Os outros mentores já começaram."
Junio assentiu mais uma vez e foi para a equipe que ele iria mentorar. Abriu a porta, já esperando ver um rosto familiar. Mei.
Então, as outras meninas ofegaram ao ver Junio.
"Mentor Junio!", exclamou Ara, dando um passo para trás. Yeri também sorriu timidamente para o bonito ídolo. Zonya, a última integrante, fez uma profunda reverência, como se tivesse acabado de ver uma divindade. Mei, por outro lado, apertou os lábios e inclinou levemente a cabeça.
Junio a observou por um momento e notou que ela estava melhor em comparação com a noite das eliminações.
"Bom dia, meninas", disse Junio, pegando uma cadeira e a colocando no meio da sala de ensaio. "Bem, parece que serei o mentor de vocês para essa fase em particular."
"Que sorte a nossa", disse Ara, já rindo como a garota brilhante que era. "Aposto que todas estão com inveja da gente!"
Junio riu divertido.
"Sentem-se por um momento", disse ele, e as meninas imediatamente o obedeceram, sentando-se diante dele com olhos brilhantes. "Então, como vocês se prepararam até agora?", perguntou Junio.
Yeri apertou os lábios antes de responder. "Não fizemos muito. A Mei só estava nos ensinando a coreografia da música. Somos as eliminadas, então não tivemos muito tempo para ensaiar."
"Entendo", disse Junio, colocando a mão sob o queixo. "Só a Mei é a integrante original deste grupo, certo?", perguntou.
Mei assentiu. "É", disse ela.
"Todas nós somos novas – as rejeitadas!", disse Ara animada.
"Mas não é como se eu odiasse", disse Ara. "Meu último grupo tinha um conceito muito 'badass', e não combina com minha imagem. Eu me encaixo melhor em músicas mais fofas! No entanto, eu queria me juntar à Mei para uma missão, então vim para cá."
"Eu esqueci que a equipe dela escolheu uma música muito triste, porém", disse ela, coçando a nuca.
"É", disse Yeri, concordando com o sentimento de Ara. "Até o título da música é tão obviamente triste."
"Todos nós vamos morrer", continuou ela. "É tão emo."
"Hmm", murmurou Mei. "Mas essa não é sua especialidade?", perguntou ela, virando-se para Junio.
As outras meninas também se viraram para Junio, percebendo que ele era, de fato, o mestre das performances emocionais! No entanto, havia uma pergunta que circulava na mente de Junio – uma que ele queria fazer para o grupo de meninas.
"Ei, tenho uma pergunta", disse ele de repente, deixando as meninas curiosas.
Junio respirou fundo antes de fazer a pergunta.
"Se vocês tivessem apenas três meses, talvez até um mês, para viver – o que vocês fariam?"