De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Capítulo 384

De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência

Ano de 2021

Estava escuro.

O céu estava sem estrelas.

Era como se o dia tivesse sido feito para ser horrível.

Joon-ho estava no terraço, relembrando os amigos que fez depois de ser expulso da Phoenix.

Kim Jeong era um deles.

Lee Mansik e Do Bonggi também entraram em sua vida como um lampejo de chama.

Eram as pessoas em quem ele confiava quando foi descartado impiedosamente do grupo de estreia — as pessoas que o fizeram sentir que pertencia a algum lugar.

No entanto, Joon-ho estava cego.

Eles não se mostraram boas pessoas.

No fim, a amizade que ele tanto prezava virou-se contra ele, dando-lhe um tiro pela retaguarda.

E isso o fez esquecer a verdadeira amizade que ele deveria ter valorizado mais.

Na sua frente, uma figura alta estava em pé na grade da sacada, o vento soprando em seus cabelos despenteados.

"Não", disse Joon-ho, dando um passo à frente.

"Não", disse o homem, cujo rosto era irreconhecível. "Eu já decidi."

"Por favor, não faça isso", implorou Joon-ho, ajoelhando-se. "Estou aqui por você. Você não está sozinho."

"Eu não me importo", disse o homem, desesperado. "No final das contas, eu serei...esquecido."

Com isso, o homem caiu da sacada, de quase dez andares de altura. Joon-ho se esquivou para alcançá-lo, tentando se agarrar a algo...qualquer coisa...mas era tarde demais.

O corpo se projetou para frente e caiu no concreto frio e duro.

"Você o matou."

"Isso é culpa sua."

"Assassino."

"Não há ninguém para culpar além de você, Junzinho."

"Junzinho!"

June saiu de seu transe quando sentiu uma ardência na bochecha direita.

"Cara!", exclamou Minjun, olhando para ele com preocupação antes de lançar um olhar furioso para Kim Jeong.

Kim Jeong riu maníaco enquanto Mansik e Bonggi se dobravam de tanto rir.

"O que você vai fazer, garoto? Vai nos denunciar para o seu professor?", perguntou ele.

Duri puxou a manga do irmão e disse suavemente: "Ele sempre se sai com a sua, porque os pais dele são ricos."

"Ah", disse Kim Jeong com as sobrancelhas levantadas. "Parece que caímos numa mina de ouro. Que tal você nos dar uma graninha, garoto? A nossa família está um pouco apertada financeiramente ultimamente."

June protegeu Minjun novamente e cuspiu, sua saliva misturada com sangue. Ele riu friamente antes de tocar sua bochecha dolorida. Tinha certeza de que ia ficar roxo no dia seguinte.

"Sabe quando dizem que o maior trunfo de um ídolo é a aparência?", disse June enigmaticamente.

"Que papo é esse?", perguntou Mansik.

"Bem, nunca se deve ferir o trunfo de alguém", disse June, lançando um olhar furioso para os dois antes de desferir um soco no rosto de Kim Jeong.

Seus olhos se arregalaram de choque ao olharem para a expressão determinada de June. Kim Jeong segurou o queixo enquanto sentia a dor irradiar para sua cabeça.

"Merda", ele xingou, também cuspindo um pouco de sangue.

'Esse cara acerta forte', pensou ele.

"Você está louco?", exclamou Bonggi. "Sua carreira acabou se isso vazar!", ameaçou ele.

June sorriu e olhou descontraidamente para o punho. "Isso é — se vocês conseguirem sair daqui."

Bonggi sentiu um arrepio na espinha enquanto June o encarava.

Isso não parecia ser o tímido Choi Joon-ho que eles conheceram um dia.

"Irmão", disse Minjun, segurando seu pulso. "Vamos embora, hein?"

"Não tão rápido", disse Kim Jeong. "Não tem a menor chance de vocês saírem daqui depois do que vocês fizeram."

June olhou para Minjun e decidiu que não era a melhor ideia lutar contra os demônios do passado com ele por perto.

"Tudo bem", disse June suavemente, ignorando os idiotas à sua frente. "Vamos embora."

June segurou a mão de Minjun e estava prestes a puxá-lo para longe, quando Kim Jeong se pôs na frente dele.

"Duri, pega isso", disse ele, dando ao irmão mais novo um pouco de dinheiro. "Pega o ônibus e vai para casa."

Duri sorriu ao pegar o dinheiro do irmão. Então, olhou para Minjun com um olhar vitorioso antes de se afastar da cena, até conseguindo cantarolar uma melodia baixinho.

June amaldiçoou ao olhar para o adolescente, enojado com suas ações. Parecia que a crueldade corria na família deles.

"Agora, vamos começar essa festa", disse Jeong, circulando os dois como um predador faria com sua presa.

June ficou parado, enquanto Minjun se agarrava a ele com força.

"Deixem a gente ir", disse June. "Se quiserem, podemos conversar sobre isso entre nós. Deixem o Minjun fora disso."

"Bem, então qual a graça disso?", exclamou Jeong.

"Já que o pequeno está aqui, que tal contarmos uma história interessante?", começou ele.

"Cala a boca —", disse June, mas foi rapidamente interrompido por Jeong.

"Era uma vez, um aspirante a ídolo que sempre dava o seu melhor. Segundo ele, ele deveria estrear em um grupo, mas, honestamente, ele não tinha o que era preciso", Jeong riu.

Era óbvio que eles estavam falando sobre Joon-ho.

"E então, como se o mundo tivesse virado as costas para ele, seus pais morreram, ele foi expulso da empresa e começou a procurar amigos. Três garotos foram gentis o suficiente para recebê-lo, mas ele foi ingrato e não quis fazer as coisas que os três garotos gentis queriam que ele fizesse", continuou ele.

June supôs que Joon-ho ainda mantinha seus princípios, mesmo sendo forçado a fazer atos imorais por esses caras.

"Mas, claro, os três caras sempre tinham um plano de contingência. Se o cachorrinho não tinha o que era preciso, então eles decidiram desflorar o amiguinho dele."

June congelou. Agora, essa era uma informação nova para ele. Ainda havia muitas áreas cinzas no passado de Choi Joon-ho, mas tudo estava ficando claro, uma por uma.

...por que ele era tão tímido.

...por que havia um poema em seu celular intitulado — 'Eu não deveria ter visto o que vi'.

...e por que esses caras ainda estavam o importunando até agora.

"O amiguinho dele não aguentou a pressão, porém", riu Mansik.

"É, se o cachorrinho tivesse obedecido aos três caras gentis desde o início, então o amiguinho dele não teria sofrido no final", acrescentou Bonggi.

Minjun franziu a testa, já imaginando que eles estavam falando sobre o passado de June. Ele era um garoto esperto, então juntou as peças.

"Então, no final", disse Jeong, seus olhos com um brilho sombrio, "foi culpa do cachorrinho que seu amiguinho sofreu, mas agora — aqui ele está, vivendo sua vida como um ídolo sem nenhum respeito pelos pecados que cometeu."

Jeong tinha certeza de que June ficaria abalado com sua lembrança do passado, mas os olhos de June continuaram a mostrar indiferença, fazendo-o franzir a testa.

"Vocês acabaram?", perguntou June, surpreendendo até Minjun.

"C-como assim?", gaguejou Jeong.

"A única coisa que estou entendendo aqui é que tudo é culpa de vocês", começou June, "não culpem outros homens pelos seus pecados."

"E além disso", June sorriu, aproximando-se de Jeong.

"Eu sou um gatinho, idiota."

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