
Capítulo 293
De Bandido a Idol: Transmigrando para um Reality de Sobrevivência
Chul se surpreendeu com a franqueza de June. No entanto, rapidamente se recompôs, já que aquilo não era exatamente incomum para a personalidade de June.
Chul assistira a "Estrelas em Ascensão" inteira, e sabia que June era conhecido por sua personalidade direta e sem rodeios.
"O que você quer dizer?", perguntou ele, inocentemente.
June manteve a calma, encarando-o. "Eu não me importo se você não gosta de mim."
"O que te fez pensar que eu não gosto de você?", perguntou Chul.
"Não sou idiota, gerente. Meu nome artístico já é prova de que você não me aprecia muito."
Chul apenas sorriu, sem confirmar nem negar nada.
"Eu não sei o que você quer dizer", disse ele, inocentemente. "Eu só estou fazendo meu trabalho como seu gerente. Não fiz nada errado, fiz?
June franziu os lábios, pois sabia que Chul estava certo.
Ele fizera alguns comentários aqui e ali, mas eram vagos demais para serem considerados "direcionados".
"Viu?", Chul sorriu maliciosamente. "Tenho sido um bom gerente. Sempre mantenho sua equipe atualizada, e também me certifico de que você receba o melhor tratamento possível da empresa. Olha só o orçamento que você tem para esse videoclipe", gabou-se.
"Então, sugiro que você vá agora...", inclinou-se para perto de June e olhou-o nos olhos.
Hoho.
***
June estava uma fera.
Não, isso era pouco.
Ele estava furioso.
Nem conseguia internalizar as instruções do diretor com a fúria que sentia.
Depois que Chul o deixou, a raiva dele só aumentou. Até a maquiadora se sentiu sufocada com o mau humor de June.
E agora, ele estava sentado à beira-mar, olhando o pôr do sol.
May, a diretora do videoclipe, sorriu ao observar a expressão facial de June. Ele tinha uma leve franzido na testa, mas o brilho do sol o deixava um pouco suave, quase nostálgico.
Era exatamente essa a expressão que ela procurava!
"Esse garoto é realmente bom", sussurrou ela para Rei. "Como ele consegue capturar o clima na hora?"
Rei sorriu, suas bochechas corando enquanto ela olhava para June. "É", disse ela suavemente. "Ele é muito bom."
"Continua filmando", May sussurrou para o cinegrafista.
Todos ficaram em silêncio enquanto June continuava com a cena.
June estava apoiado em um braço, enquanto a outra mão brincava com a areia. Enquanto isso, suas pernas estavam esticadas à sua frente.
O sol descia com tons quentes, lançando um brilho suave sobre o rosto de June. Seus olhos, refletindo uma luz dourada, brilhavam com saudade. Havia uma dor em seu olhar — uma narrativa não dita de um coração que ansiava por algo perdido.
A diretora May estava fascinada pela emoção crua que vinha de June.
A brisa brincava com seus cabelos como se também sentisse a tristeza do jovem.
À medida que a cena se desenrolava, ficou evidente que June carregava um peso no coração — uma dor não resolvida. Cada movimento e cada nuance de sua expressão falavam de uma alma que ansiava por algo irremediavelmente perdido.
E então, um lampejo de raiva surgiu nos olhos de June, fazendo May e Rei arfar de surpresa. Elas sentiram a força daquele momento, e embora May não esperasse inicialmente que a cena se desenrolasse nessa direção, ela não ficou brava.
Pelo contrário, foi a cereja do bolo!
"Perfeito. Perfeito!", sussurrou ela, sem querer tirar June de seu transe.
Enquanto isso, June ainda estava pensando em Chul.
No início, ele se sentiu perdido...já que seu nome, sua identidade, desapareceriam em três dias.
Então, a raiva começou a borbulhar em seu peito. O rosto de Chul surgiu em sua mente, e isso o irritou profundamente, dando vontade de socar a cara dele e afundar o nariz.
"Corta!", May gritou depois de um tempo, tirando June de seus pensamentos.
"Isso foi incrível", exclamou ela, caminhando até onde June estava. "Eu achei que iríamos levar muito tempo filmando essa cena, mas você arrasou em uma só tomada."
June fez uma pausa, olhando para a equipe com os olhos arregalados. Todos tinham expressões de aprovação, elogiando silenciosamente a atuação de June.
'Espera', pensou June.
'Já começamos?'
***
"Ação!"
O cenário agora havia mudado da nostálgica praia para uma cabana íntima aninhada entre as árvores na praia tranquila.
A densa vegetação tornava quase impossível para o sol penetrar pelas janelas da cabana, então estava estranhamente escuro.
June estava sozinho na semi-escuridão, a única iluminação vinha do brilho suave de uma lâmpada solitária.
A diretora continuou a instruir June mesmo depois que as câmeras começaram a rodar.
"Pense em alguém que você queira fazer coisas sinistras", disse ela.
June não precisou de mais instruções. Seus pensamentos imediatamente foram para Chul, e assim, ele estava completamente imerso.
Lentamente, o rosto de June se transformou em um retrato assustador de contemplação sombria.
"Meu Deus", exclamou May. "Ele realmente é bom."
O quarto ficou cheio de mistério enquanto June continuava a olhar para o longe. O jogo sutil de sombras acentuava os contornos de seu rosto, apenas adicionando à tensão do momento.
"Corta!", exclamou May. "Terminamos", disse ela, batendo palmas. "Você arrasou, June."
June sorriu, embora sentisse que não tinha feito nada, já que estava genuinamente sentindo aquelas emoções no momento.
"Obrigado, diretora", ele fez uma reverência educada.
Ela bateu em suas costas. "Espero trabalhar com você novamente. Mas por enquanto, você pode chamar Zeth e Ren? Vamos para o próximo set."
June assentiu e saiu da pequena cabana para ir até a grande cabana onde seus companheiros de equipe supostamente estavam esperando.
No entanto, quando ele abriu a porta, ficou surpreso ao não encontrar ninguém lá.
"Gente?", chamou ele, mas, verdadeiramente, não havia ninguém na sala.
"Hmm", murmurou ele, colocando a mão sob o queixo. Ele tinha terminado mais cedo do que o esperado, então os caras devem ter ficado brincando na praia pensando que ele ia terminar um pouco mais tarde.
Então, com muita hesitação, June caminhou em direção à barraca de Chul para contar a ele sobre o problema.
Havia uma placa de "não perturbe" do lado de fora da barraca, mas June apenas olhou para ela e deu de ombros antes de abrir a aba.
"Ei...", disse ele suavemente, mas suas palavras foram interrompidas quando ele viu o que Chul estava fazendo lá dentro.
No canto da barraca... estava Chul, com a perna sobre o colo.
E seus dedos do pé?
Estavam dentro da boca dele.