Casamento Predatório

Capítulo 364

Casamento Predatório

Leah ficou doente por vários dias depois. Ishakan, arrependido de suas muitas malfeitorias, ficou ao lado dela para cuidar dela.

Então, em vez da debilitada Leah, foi Mura quem repreendeu Ishakan por três dias. Os outros Kurkans também estavam firmemente do lado de Leah e se certificaram de que ele tinha consciência do desagrado deles.

Isso fez Leah se sentir um pouco melhor.

Quando finalmente recobrou os sentidos, depois de vários dias de repouso na cama, tudo já estava resolvido.

O Rei e a Rainha de Balkat decapitados foram pendurados bem alto sobre os portões do próprio palácio. Mura explicou os detalhes de suas mortes a Leah, para deixar claro que eles haviam sido condenados com base na natureza de seus crimes. A morte de Judia tinha sido bastante limpa, mas a de Herodes levou muito tempo e foi muito dolorosa.

Os Kurkans estavam mais bravos com quem havia colocado Leah em perigo do que com quem tentou – e falhou – colocar Ishakan em perigo.

Além disso, os falsificadores de moedas que a haviam preocupado foram executados publicamente na praça principal. Suas cabeças ficaram expostas por vários dias.

Assim, a vida de Leah voltou ao normal.


Ela contou a Morga sobre o sonho de Lesha, perguntando se era precognição real ou apenas coincidência.

Morga ficou pasmo ao ouvir sua história. Ele estava muito mais entusiasmado do que Leah esperava.

“O príncipe tem o talento para se tornar um feiticeiro…!”

De acordo com sua explicação bastante animada, os feiticeiros Kurkans podem nascer com vários talentos. A capacidade de prever o futuro era o talento mais valioso que um feiticeiro poderia ter. Embora Morga pudesse vislumbrar o futuro com astrologia, ele só conseguia fazer isso com o auxílio de feitiços adicionais.

“Nascer com o dom da profecia…” Ele suspirou. “É extraordinário.”

Morga estudou Lesha detalhadamente, explicando ao menino que ele era o primeiro feiticeiro que Morga havia conhecido em sua vida a nascer com o dom da profecia. Lesha apenas sorriu. Momo era engraçado.

“Ainda não sabemos o quão forte é seu dom”, continuou Morga. “Mas certamente será grande. Você é filho do sangue de Ishakan. Assim que aprender os idiomas corretamente, começarei a te ensinar magia.”

Leah, admirada com os talentos inesperados de seu filho, saiu em estado de confusão.

“Mamãe…”

Ela havia concordado em tomar chá com Ishakan no jardim e, enquanto caminhavam para o local, Lesha gesticulou com a mão, franzindo a testa.

“Mamãe! Mão!”

“Desculpa, mamãe estava pensando em outras coisas.”

“Ah…” Lesha resmungou, desimpressionado. Ele só cedeu quando Leah prometeu não se esquecer de novo. Continuando, eles caminharam de mãos dadas até que o menino enérgico se virou e gritou.

“Mamãe!” E então, muito claramente, “Eu sou seu irmão mais velho.”

Leah inclinou a cabeça para o comentário estranho. Por um momento, ela achou que Lesha estava apenas brincando de faz de conta, mas ele apontou para sua barriga.

“Quero te conhecer em breve”, disse ele inocentemente.

Os lábios de Leah se separaram silenciosamente. Um pensamento ousado lhe ocorreu, mas então a voz de Ishakan a distraiu.

“Lesha”, disse ele, aparecendo à frente.

“Pai!”

Instantaneamente, Lesha se lançou em direção a ele, e Leah o seguiu lentamente, ponderando sobre o que Lesha havia dito. Ishakan talvez já soubesse também e fingiria que não sabia.

Antes que ela percebesse, Ishakan se aproximou ao lado dela, com Lesha em seus braços ainda dizendo: “Sou o irmão mais velho, sou o irmão mais velho!” Os lábios de Leah se separaram enquanto ela ainda estava perdida em pensamentos.

“Ishakan.”

“Me diga, Leah.”

“Vamos para Kurkan? Para mostrar o deserto para Lesha.”

Ishakan havia visitado Kurkan com frequência durante suas campanhas militares, mas Leah não havia conseguido ir. Ela havia prometido a Lesha que eles iriam ao deserto quando ele fosse grande o suficiente, e agora parecia que a hora havia chegado. Não apenas o corpo de Leah havia se recuperado, mas Lesha tinha idade suficiente para viajar.

“O que você acha?”, perguntou Ishakan a Lesha, levantando-o em seus ombros. O menino respondeu à pergunta de Leah em vez da de seu pai.

“Uma aventura! Vamos em uma aventura!”

Leah havia lido para ele um livro de histórias sobre pescar no mar. Lesha ainda estava cheio da ideia de aventura.

“Tem muitos peixes no oceano”, começou ele, embora ele não quisesse apenas pescar. Lesha começou a listar todas as aventuras sobre as quais havia aprendido. Colher frutas nas montanhas, colher flores nos campos, buscar água no rio, depois passar a noite em uma estalagem em uma pequena cidade…

Ishakan sorriu enquanto seu filho tagarelava sem parar.

“Lesha sempre viveu em um palácio”, observou ele. “Acho que ele precisa ver o mundo.”

“Sim.” Leah sorriu de volta para ele. E seus olhos foram para o céu atrás deles, onde as nuvens haviam se dissipado e o céu antes cinzento havia se tornado azul como o mar.

Seus deslumbrantes olhos roxos se voltaram para seu marido. Seu filho, sentado em seus ombros, os dois tão brilhantes ao sol, era como se estivessem brilhando sozinhos.

Não muito tempo atrás, ela queria morrer. Ela havia decidido tirar a própria vida, e seu coração era como uma fortaleza de ferro. Mas agora esse desespero havia desaparecido, e toda a escuridão que a envolvia havia se ido.

“Para onde minha esposa quer ir?”, perguntou Ishakan, brincando.

Mas Leah respondeu seriamente, pensando na luz dourada e quente que havia afastado toda a escuridão.

“Para qualquer lugar”, disse ela baixinho. “Contanto que seja com você.”

Realmente não importava. No fundo das montanhas, em ilhas remotas, do outro lado de vastos oceanos, até mesmo por desertos sem fim. Não importava onde fosse, ela amaria cada momento, desde que estivesse ao lado desse homem.

Não. Agora eram três.

Leah sorriu levemente enquanto colocava a mão na barriga.

Talvez até quatro.

A luz do sol era suave e tão boa.

FIM

Comentários