Casamento Predatório

Capítulo 363

Casamento Predatório

Leah só recobrou os sentidos quando o céu já se pintava com as cores do pôr do sol. Por um tempo, ficou sentada na beira da cama, aturdida, enquanto os acontecimentos da noite anterior voltavam à sua mente, um a um.

“……”

Ela escondeu o rosto entre as mãos. Já havia feito sexo com Ishakan antes, quando ele estava em cio, mas na noite passada pareceu pior de alguma forma.

Chamá-lo de besta depravada mal parecia suficiente, mas ela não conseguia pensar em algo melhor. Leah gemeu baixinho.

Estava faminta. E tinha perdido um dia inteiro, então agora tinha muito trabalho para recuperar. Lentamente, ela se levantou da cama.

“Ahhh!”

E imediatamente caiu de joelhos. As pernas dobraram assim que apoiou o peso nos pés. Sentada no tapete, a dor a invadiu, tardiamente, dominando o aturdimento que sentia desde que acordou.

Leah apertou a barriga com uma mão. O corpo inteiro doía como se tivesse levado uma surra, e ela se sentia incapaz de se mover sozinha. Com raiva, gritou para a causa de todos os seus males.

“Ishakan…!”

Ishakan apareceu imediatamente com uma pequena sacola em uma das mãos. Rapidamente, a levantou do chão.

“Quando você acordou? Você deveria estar deitada…”

Ela queria repreendê-lo, mas a garganta doía demais para gritar novamente. Quando foi se tocar na garganta dolorida, ele rapidamente lhe ofereceu água. Parecia quase envergonhado e muito consciente de seus erros.

Depois de umedecer a garganta, Leah fez uma pergunta simples.

“Você está bem agora?”

Ishakan olhou em sua direção, mas não encontrou seus olhos.

“Eu estava muito preocupado com você…é a primeira vez que isso acontece…”

Ele suspirou, a levantando em seus braços sem responder à pergunta.

“Vamos nos lavar?” Perguntou.

Leah concordou, envolvendo os braços em seu pescoço enquanto ele a levava para o banheiro. A pequena sacola que ele carregava continha uma mistura de ervas, que ele despejou na banheira. Então ele a ajudou a se despir. Leah ficou chocada ao ver seu próprio corpo nu.

Molhando seus ombros com a água perfumada de ervas, ele lavou seus cabelos.

“Mas o que aconteceu?” Leah perguntou enquanto ele a atendia. “Por que você bebeu aquela poção?”

“Eu queria ter certeza de que não era uma poção de amor de verdade.”

Seus olhos se arregalaram com a maneira como ele disse isso, como se fosse uma pequena coisa. Ishakan explicou o que havia acontecido em detalhes enquanto a banhava.

Ele havia decidido ser cauteloso quando soube que Balkat poderia fazer poções de amor. Era uma magia difícil, mesmo para um feiticeiro como Morga. Inicialmente, os Kurkans tinham certeza de que a poção seria falsa.

Embora eles tivessem levado em conta a possibilidade de que funcionasse.

“Então você levou os Kurkans do palácio para investigar?”

“Sim”, respondeu ele. “Eu estava tentando ter certeza.”

Eles queriam encontrar o Tomari que presumiam estar entregando poções falsas para Balkat. Mas, à medida que a investigação se arrastava, Ishakan havia optado por fazer uma investigação mais direta.

Assim que bebeu, soube que era falsa. Mas, embora a poção não pudesse mexer com seu coração, teve um efeito poderoso em outra parte de sua anatomia.

“O Rei e a Rainha de Balkat não são apenas belos, eles são hábeis em sedução”, explicou ele. “Qualquer um que passasse uma noite com eles depois de beber aquela poção naturalmente lhes daria seus corações.”

Eles haviam confundido a luxúria avassaladora com amor. Então, os membros da realeza de Balkat corajosamente foram a Estia com sua poção, mas falharam miseravelmente.

“Poção do amor…”

Leah entendeu perfeitamente. Então eles eram os culpados pelas dificuldades cruéis que ela havia sofrido. Ishakan queria esperar até que a situação fosse resolvida para lhe contar, para que ela não se preocupasse. Ele sabia que uma questão de poções de amor poderia ressuscitar algumas das memórias mais terríveis de seu passado.

A fúria irrompeu de repente. Ela não podia acreditar que alguém tentaria tirar Ishakan dela com uma manipulação tão baixa e desprezível. Era imperdoável.

“Eu gostaria de dar um tapa nos dois”, disse ela.

Ishakan franziu a testa, parecendo culpado novamente.

“Eu tenho que te contar…” Ele confessou. “Eu os matei.”

“……”

Claro que Ishakan teria se encarregado deles adequadamente. E eles teriam sofrido muito mais dor do que alguns tapas. Leah apenas acenou com a cabeça.

A água morna a deixou sonolenta, e seus olhos começaram a se fechar enquanto Ishakan a banhava ao seu lado. Sua voz soou fraca e distante.

“Eu tenho outro presente para você”, continuou ele. “Viramos a capital de cabeça para baixo, investigando a poção… e encontramos seus falsificadores, por acaso.”

Sua grande mão tocou levemente a bochecha de Leah.

“O que devemos fazer com eles?” Perguntou. “Devemos decapitá-los? Seria apropriado enforcá-los na praça do mercado…”

Leah murmurou uma resposta e adormeceu abruptamente.

Foi um sono profundo e confortável.

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