
Capítulo 344
Casamento Predatório
Mexendo nas gavetas do seu escritório, Ishakan procurava um unguento. Leah tinha a pele delicada. Ele queria tratá-la com cuidado.
Ela se sentou em seu colo, de camisola, enquanto ele aplicava suavemente o unguento nos hematomas de seus braços e depois a beijou na bochecha.
“Eu sempre me excedo quando se trata de você”, ele disse.
“Me desculpa. Não queria te preocupar…”
Leah mordeu o lábio, e o dedo longo dele a alcançou, separando seus lábios e suavizando a marca da mordida.
“Você não precisa se desculpar”, disse ele, e a derrubou no sofá, abrindo as pernas dela. Sua voz era travessa. “Eu planejo fazer muitas coisas pelas quais terei que pedir desculpas.”
Sentado no parapeito da janela, Ishakan segurava seu longo cachimbo entre os dedos. Os Kurkans ficaram perto, com os rostos tensos enquanto ele fumava.
Após um silêncio doloroso, a porta se abriu e Mura entrou cautelosamente.
“……”
Lentamente, Mura se aproximou até ficar em frente a ele, e Ishakan fez um gesto com a mão silenciosamente. Os Kurkans deixaram o quarto imediatamente, deixando Mura para trás.
Imediatamente, ela caiu de joelhos, com a cabeça baixa, enquanto aguardava seu julgamento.
“Leah tinha marcas nos braços.”
O rosto de Mura ficou pálido.
O ar na sala pesou sobre seus ombros como se tivesse tomado forma tangível, e os lábios de Mura se moveram lentamente, as palavras lutando contra a tensão em sua garganta.
“Ishakan…”
Um arrepio percorreu seu corpo como se ela tivesse levado um choque, e lágrimas encheram seus olhos. Ishakan levou o cachimbo aos lábios, olhando friamente para a Mura abalada.
Estava ficando difícil respirar sob aquele olhar. Ishakan finalmente deixou escapar um suspiro, e Mura bateu a cabeça no chão, rachando o mármore. Seu sangue o manchou.
“Me desculpa. A Leah não fez nada de errado. É tudo culpa minha, é minha falha como dama de companhia…”
Sangue se misturou às lágrimas que escorriam pelo seu rosto, mas Mura não sentia dor apesar do ferimento.
“Por favor, me dê uma chance de me redimir”, ela implorou.
Os cantos da boca de Ishakan se curvaram lentamente.
“Leah a aprecia muito.”
Mura prendeu a respiração, esperando suas próximas palavras.
“Espero que você não me decepcione novamente, Mura.”
“……!”
Os olhos de Mura se arregalaram ao perceber que Ishakan lhe daria outra chance.
“Vou te contar o que descobri”, disse ela rapidamente.
Ela não tinha deixado passar o cheiro de tabaco em Leah. Enquanto voltavam para o palácio da livraria, ela tinha sentido o cheiro, e sabia que o dono da livraria não fumava.
Ela não tinha achado que fosse algo importante, mas mesmo assim, assim que voltaram para o palácio, ela mandou alguns Kurkans investigar a livraria. Mas ela não fazia ideia de que Leah tinha voltado com hematomas de mãos de homem em seus braços.
Mura não tentou oferecer desculpas ou justificativas. Não importava o que ela dissesse, isso não mudaria o fato de que alguém havia deixado marcas na Rainha de Kurkan.
“Um estrangeiro apareceu recentemente na cidade”, disse ela. “À noite, ele costuma estar no distrito da luz vermelha, e durante o dia ele fica por perto da livraria. Ele ficou famoso no distrito da luz vermelha. Há rumores de que ele tem uma mulher nova a cada noite. E ele alugou a livraria para ler tranquilamente sozinho.”
Era uma combinação incomum. Mura terminou sua explicação com uma hipótese mais perigosa.
“Não posso ter certeza, mas…é possível que ele seja o Rei de Balkat.”
Os lábios de Ishakan se contraíram. Todos estavam tão focados na conquista de Herben que tinham ignorado os movimentos do Rei de Balkat.
Quem imaginaria que um Rei se infiltraria em Estia sozinho? Que comportamento estranho e imprudente.
“O acordo de paz vai ser interessante”, murmurou Ishakan, com um leve sorriso.