
Capítulo 343
Casamento Predatório
A mente de Leah ficou em branco. O humor de Ishakan estava tão incomum que, por um momento, um pensamento insano lhe ocorreu…
…teria eu o traído e esquecido?
Mas não, aquilo era ridículo. Leah tentou organizar seus pensamentos. Encontrara aquele homem na livraria mais cedo, e o cheiro de seu tabaco poderia ter ficado impregnado em suas roupas após a conversa.
E não apenas fazia tempo de sua visita à livraria, como ela nem sequer ficara perto do homem por muito tempo enquanto ele fumava. Sub-repticiamente, Leah cheirou a si mesma. Não sentia nada. Era preciso o olfato de uma fera para perceber algo tão sutil.
De qualquer forma, era uma explicação simples. Ela olhou para Ishakan. Aquele sorriso ainda curvava seus lábios, e lhe causou arrepios na pele.
Ishakan não duvidava da fidelidade de Leah. Eles eram parceiros que haviam unido suas almas. Sendo cada um parte do outro, seu laço era eterno.
Mas mesmo assim, Ishakan não permitia que qualquer um se aproximasse dela. Quem não conhecia Ishakan não o considerava um homem ciumento, pois ele sempre aparentava serenidade. Aqueles que o conheciam bem sabiam que ele era, de fato, muito ciumento.
Pessoas que se aproximavam de Leah com boas intenções eram bem tratadas. Mas ele não era tão tolerante com aqueles que se aproximavam dela com intenção sexual. Com o instinto de um animal, Ishakan sentia quando alguém estava interessado em sua parceira. Neste caso, sem saber nada sobre as circunstâncias, ele sentiu apenas pelo cheiro de fumaça de tabaco estranho em suas roupas. Era quase mais magia do que instinto.
Enquanto se perguntava o que fazer, Leah decidiu que um beijo não faria mal, e agarrou suas bochechas, roçando seus lábios nos dele. Ishakan aceitou o beijo sem hesitação.
Sua língua imediatamente pressionou-se em sua boca através de seus lábios entreabertos, e após um breve, mas apaixonado beijo, eles se separaram.
“Parece que peguei um pouco do cheiro do charuto que o dono da livraria estava fumando”, disse ela.
“E daí?”
“E daí que preciso que você cubra com seu cheiro.”
Ishakan sorriu para a tentativa desajeitada de sedução. Levantando-a em seus braços, ele a carregou até o sofá próximo. Suas mãos foram aos botões de seu vestido, expondo lentamente sua pele, e então pararam.
“……”
Ele estava olhando para algo. Leah sentiu um choque ao perceber o que ele vira.
Ela tinha marcas de mãos em ambos os braços.
Foi então que ela se lembrou de algo que havia completamente esquecido. O homem da livraria a havia segurado muito forte quando ela caiu.
Desta vez, não havia nada que ela pudesse dizer. Se tivesse cem bocas, não conseguiria dizer uma palavra.
Os olhos de Ishakan se estreitaram, mas ele não gritou. Em vez disso, sussurrou.
“Parece que a Mura não quer manter seu emprego.”
Leah sentiu medo.
“Não foi culpa dela”, disse ela rapidamente. “Eu pedi a ela para não ficar muito perto de mim.”
Rapidamente, ela explicou tudo o que havia acontecido em detalhes, contando como o homem da livraria a havia pegado quando ela havia caído acidentalmente. Gradualmente, o brilho desapareceu dos olhos de Ishakan, que voltaram ao normal.
Interiormente, Leah suspirou de alívio. Ela honestamente não sabia o que Ishakan faria com o homem da loja, mas tinha que salvar a pobre Mura.
Naquele instante, o vestido que ela estava usando foi rasgado de seu corpo, o som do tecido rasgando ecoando pelo escritório. As grandes mãos de Ishakan repousaram em suas coxas, traçando as fracas linhas brancas de suas cicatrizes.
“Leah.”
Ele inclinou a cabeça para suas pernas, beijando a cicatriz primeiro, e depois mordendo-a com um breve lampejo de dor. Ele deixou suas marcas de dentes gravadas sobre a cicatriz.
“Não deixe ninguém mais marcar seu corpo”, sussurrou novamente, acariciando levemente as marcas de mãos em seus braços. “Eu sou o único que pode te marcar.”
Leah assentiu lentamente, e ele sorriu. Ele sabia que ela estava arrependida do que havia acontecido.
“Então vamos cuidar delas primeiro.”