
Capítulo 309
Casamento Predatório
Parecia que ele a derreteria com um simples toque. Devia ser um sonho. Isha a encarava, perplexo.
“Acorda!”, ela gritou, a voz clara rompendo o torpor dele instantaneamente.
Isha estremeceu, despertando daquela semi-consciência nebulosa. A garota o olhava com os lábios comprimidos em consternação. Não havia palavras para descrever o horror de sua condição. Seu corpo emaciado estava rajado de sangue seco, e vários ferimentos supuravam.
“Meu Deus…” A garota sussurrou, chocada por ele estar vivo. Descendendo a escada até o fundo do buraco, ela retirou o mordaça de sua boca e, em seguida, usou um molho de chaves para desatar suas correntes.
A dor das correntes se apertando em sua pele era dilacerante. Isha cerrou os dentes, mas um gemido contido ainda escapou.
“Aghh…”
Fazia tanto tempo que ele não emitia nenhum som, sua garganta seca ardia com o esforço. Rapidamente, a garota levou um pequeno frasco de água à sua boca, inclinando-o para que a água doce escorresse lentamente sobre sua língua. Depois que ele esvaziou o frasco, olhou para a garota novamente, lambendo os lábios.
Quem é ela?
À medida que sua mente clareava, as dúvidas surgiram. Essa garota estava em um lugar que pertencia a traficantes de escravos. Teria ela sido capturada como escrava? Ela era… linda.
Ele não conseguia acreditar que ela tinha vindo de repente para salvá-lo. E ela não era uma Kurkan também.
“Eu sou Leah De Estia”, disse ela, como se tivesse percebido a desconfiança em seus olhos. O movimento de seus lábios finos o cativou. “Eu pertenço à família real de Estia.”
Sua identidade era tão surpreendente quanto sua presença ali. Até mesmo Isha tinha ouvido dizer que os membros da família real de Estia tinham cabelos prateados; era uma cor extremamente incomum no continente. Seus olhos foram parar nessas mechas prateadas.
“Você consegue se mexer?”, ela perguntou gentilmente.
Não era fácil responder. Ele havia ficado preso por tanto tempo que não conseguia nem mexer as pontas dos dedos. Apenas tentar causava uma pontada de dor em seu corpo, todos os seus sentidos entorpecidos acordando de repente.
Ele estava cansado de sofrer, farto de sua própria fraqueza. Isha mordeu o lábio inferior enquanto a garota o observava ansiosamente, claramente querendo ajudá-lo ao mesmo tempo em que tentava poupar seu orgulho. Isha queria fazer isso sozinho.
Engolindo a dor, ele se levantou com um esforço gigantesco.
Só isso já o cobriu de suor frio. Mas sua determinação estava voltando e, mesmo com apenas alguns goles de água, sua força estava se recuperando. Ele se apoiou na parede, respirando fundo.
“Oh…” A garota soltou uma exclamação suave, observando-o se mover. Ele parecia tão horrível e estava faminto há tanto tempo, era incrível que ele conseguisse se mexer. Ela presumiria que era porque ele era um Kurkan, mas nem mesmo um Kurkan teria suportado isso. Só era possível devido à vitalidade inhumana de Ishakan.
Ele era daquela espécie antiga, o que significava que ele nem mesmo poderia morrer…
Mas o tempo em que ele desejava a morte já havia passado. Todas as suas emoções estavam voltando com a dor, mas Isha as colocou de lado para fazer a pergunta mais importante.
“Os Kurkans…” Ele disse roucamente.
“Eu os libertei todos, não se preocupe”, respondeu a garota calmamente.
“……”
“Todos eles me contaram sobre você, disseram que você estava acorrentado em um buraco”, disse ela, e explicou que, enquanto outros estavam ajudando os outros escravos Kurkan a escapar, ela mesma tinha vindo libertá-lo.
Não parecia que ela estivesse mentindo. Isha olhou para seu pescoço fino. Fraco como estava, ele achou que poderia envolver uma mão em volta dele e quebrá-lo. Se fosse uma armadilha, ele seria capaz de dominar essa garotinha, se necessário.
“Siga-me”, disse ela, virando-se para subir a escada. Isha a seguiu sem dizer uma palavra, caminhando na ponta dos pés pelos corredores escuros. Por muito tempo, só se ouviu o som suave de seus passos, mas logo se ouviu o choque de armas ao longe.
“Tão cedo…” Ela sussurrou e olhou para Isha com pânico no rosto. No instante em que seus olhos se encontraram, eles correram juntos. Eles nem precisaram falar.
Muito em breve, seus perseguidores os alcançariam. Mesmo no escuro, eles podiam ouvir o barulho crescente de sua perseguição.