
Capítulo 301
Casamento Predatório
Foi um nascimento estranho.
Em Kurkan, todo mundo comentava sobre a criação desse ser nunca antes visto. Os feiticeiros passaram três dias debatendo o problema e, finalmente, chegaram a uma conclusão inevitável.
Era uma criança da espécie antiga.
Para muitos kurkans, seria motivo de alegria. Uma criança de lenda, uma criatura que só se encontrava em livros de história, havia renascido. Mas ninguém ousou comemorar abertamente. Essa criança não era kurkan puro. Metade do sangue em suas veias era humano.
Não deveria ser possível. A criança era mais próxima da essência das feras do que qualquer outra; não deveria ser possível a menos que fosse da linhagem kurkan mais pura. Eles não conseguiam entender. Aqueles kurkans que se orgulhavam da pureza de seu sangue não conseguiam aceitar. A existência dessa criança era a prova de sua própria natureza insignificante.
E assim, ele deveria ser morto.
No salão de conferências do palácio real de Kurkan, eles tomaram seus lugares à longa mesa, com fúria nos rostos.
“Temos que matá-lo!”, gritou um jovem kurkan.
“Ele certamente trará calamidades”, disse outro.
“Por favor, escolha sabiamente, Majestade.”
Em meio a todo o furor, o Rei Kurkan olhou para a criança em silêncio. Embora estivessem discutindo sua morte, a criança estava calma. Seus olhos dourados brilhavam intensamente, e nenhuma emoção se mostrava em seu rosto inexpressivo.
O Rei Kurkan, que acreditava na supremacia do sangue, sabia que algo precisava ser feito com essa criança antes que o resto dos kurkans a descobrisse. Mas se matassem a criança ali, isso só confirmaria que ela era uma ameaça. Eles não podiam admitir nem essa verdade.
Além disso, ele não podia se dar ao luxo de matar publicamente uma criança kurkan. Isso faria parecer que ele temia a criatura, e seu trono ainda estava instável. Ele não podia se dar ao luxo de mostrar a menor fraqueza.
Após longa reflexão, ele falou.
“Escutem.” Sua voz grave silenciou toda discussão. “É impossível que um mestiço seja filho da espécie antiga.”
Suas palavras causaram comoção entre os kurkans. Eles tinham certeza de que essa criança era daquela raça mítica, mas não podiam contradizer seu Rei.
“Como você pode honrá-lo com tal afirmação? Ele é apenas meio kurkan”, disse o Rei a seu povo perplexo. Ele fez um gesto de dispensa com a mão. “Vendam-no como escravo. Se ele for realmente da espécie antiga, então ele sobreviverá.”
As expressões rígidas dos puristas na mesa se suavizaram. Ali estava seu Rei, que enfrentou essa criatura sem medo e encontrou o caminho mais sábio. O Rei olhou para a criança e sorriu.
“Volte se puder, e tome o trono.”
Uma gargalhada irrompeu diante do desafio do Rei. Mas a criança permaneceu inexpressiva, mesmo quando lhe prenderam os pulsos e amarraram sua boca. Soldados arrastaram a criança para longe, e a reunião terminou.
Todos os kurkans que estavam preocupados com o aparecimento de um kurkan da raça antiga saíram com sorrisos nos rostos. Exceto um.
Depois de deixar o salão, o Rei visitou discretamente um negociante de escravos. Ele costumava negociar com esse homem, vendendo-lhe mestiços como forma de removê-los de Kurkan sem sujar as mãos. Ele já havia selecionado vários mestiços para vender, e entre eles estava a criança cuja morte havia sido discutida naquele dia.
“Majestade!” O negreiro sorriu amplamente ao pegar as correntes da criança em uma mão. “Ele é puro-sangue? O senhor nunca me deu um puro-sangue antes.”
Diante do negreiro sorridente, o rosto do Rei se contorceu.
“Ele é um mestiço”, disse o Rei, sem esconder seu desprazer. Até mesmo o experiente negociante de escravos o confundiu com um kurkan puro-sangue. A inquietação em seu coração cresceu, e ele revelou suas verdadeiras intenções.
“Matem-no.”
Os olhos do negreiro se arregalaram.
“Mas…”
O Rei olhou penetrantemente para ele, e o negreiro engoliu seus protestos e disse as palavras que o Rei queria ouvir.
“…Sim, eu o matarei.”