
Capítulo 272
Casamento Predatório
Genin sorriu levemente, como se a simples lembrança do companheiro a fizesse feliz. Mas, embora a boca sorrisse, a embriaguez em seus olhos se dissipou, dando lugar a uma expressão sombria, e ela pareceu hesitar em continuar. Ishakan, observando-a, ofereceu-lhe uma garrafa de vinho cheia, e Genin a esvaziou de um gole só, antes de ajoelhar-se diante de Leah.
“Lady Leah”, disse ela, e Leah não pôde deixar de se sentar ereta diante do tratamento formal.
“Meu companheiro está fraco demais para viajar tão longe.” Seus lábios se comprimiram por um instante, e sua voz baixou. “Prometi a ele, quando deixei o deserto, que a traria de volta.”
Ela disse isso com muita seriedade, e havia um toque de culpa em seus olhos.
“Todos estão esperando por você”, disse ela com fervor. “Nós definitivamente vamos trazer... trazer nossa Rainha de volta.”
Genin parecia envergonhada; ela partira tão rapidamente que parecia estar fugindo. Confusa, Leah olhou para Ishakan.
“Todo mundo está um pouco bêbado”, disse ele calmamente. “Não leve tão a sério.”
Não parecia algo que Leah pudesse ignorar só porque Genin estava bêbada, mas Ishakan não queria falar sobre isso. Por enquanto, ela decidiu não fazer perguntas.
O piquenique improvisado continuou depois que o sol se pôs. Leah não tinha bebido, mas estava tão animada que quase se sentia embriagada. Todos estavam tão felizes que a envolveram em sua alegria, e quando começaram a cantar em Kurkan, ela até tentou cantar junto.
Ela se sentia relaxada. Não estava ansiosa, não estava preocupada. Não precisava se esforçar para adivinhar quais poderiam ser suas verdadeiras intenções por trás de suas expressões e gestos. Tudo o que precisava fazer era se divertir, sem pensar em absolutamente nada.
Todos estavam se divertindo alegremente, com uma falta de constrangimento completamente diferente do palácio de Estia. Talvez, no passado, todos os dias tivessem sido assim. Ela havia compartilhado essa felicidade com os Kurkans…
Enquanto tentava imaginar como era um dia normal com eles, um toque a trouxe de volta à realidade. Os dedos de Ishakan acariciaram sua bochecha.
“Vamos caminhar um pouco”, sussurrou ele.
Levando-se, ela o seguiu rapidamente. Ela o havia negligenciado. Ela viera passar um tempo a sós com ele pela primeira vez em muito tempo, mas se distraíra na companhia dos Kurkans. E provavelmente eles não conseguiriam fazer isso novamente tão cedo.
De alguma forma, Leah achou que aquele era provavelmente o último momento de paz antes que a tempestade explodisse. Ela queria passar mais tempo com Ishakan.
Deixando os Kurkans para trás, eles caminharam juntos para dentro da floresta. Estava escuro sob as árvores e o chão era traiçoeiro, com raízes e pedras, então Ishakan a ergueu em seus braços. Ele cheirava docemente ao vinho que havia bebido.
“O que aquela música significava?”, perguntou ela. “A que nós acabamos de cantar?”
“É uma canção que enaltece a beleza do deserto.” Ela pôde ouvir o afeto dele por sua terra natal em suas palavras.
“Acho que você também sente saudade do deserto”, sussurrou ela. Ele sorriu levemente.
“Não adianta estar no deserto sem você.”
Ela não sabia o que dizer a isso. Seus punhos se fecharam enquanto a voz de Genin ecoava em seus ouvidos, a chamando de Rainha. Naquele momento, Ishakan parou diante de um espaço brilhante, onde um raio de luz se abria caminho através das grossas folhas da escura copa da floresta. Gentilmente, ele colocou Leah no chão.
Ela olhou para ele, parado naquele pequeno espaço iluminado.
“Vamos voltar para o deserto juntos.”
As palavras escaparam antes que ela pudesse pensar nelas, e seus olhos se arregalaram, um sorriso se alargando em seu rosto.
“Sim. Voltaremos juntos”, disse ele baixinho. “Há muitas coisas que teremos que fazer quando retornarmos. Teremos que ter nosso casamento novamente.”
Para Leah, a experiência de um casamento era completamente nova. Ela não conseguia imaginar como seria um vestido de noiva Kurkan.
“E provavelmente nossas cinco noites novamente”, disse ele, a surpreendendo. De repente, Leah se lembrou da cama na mansão do Conde Weddleton.
“Nós quebramos a cama na mansão”, disse ela.
“Nós quebramos a cama nas cinco noites do nosso casamento também.”
“……”
“Nós também quebramos um pilar de ferro e algumas correntes.”
Leah não se lembrava disso de forma alguma.
“Há muita coisa que eu ainda não entendo”, murmurou ela. Ishakan olhou para ela interrogativamente.
“Você tinha alguma lembrança dessas cinco noites antes de eu mencioná-las?”
Leah balançou a cabeça.
“Parece que o feitiço ainda é forte”, murmurou ele. “Tem algo que eu não te contei, no entanto. Existe um antídoto potente para o feitiço.”
Os olhos de Leah se arregalaram.
“O que é?”
“Bem, eu já te dei há pouco tempo…” Disse ele com um sorriso travesso, sem mudar a expressão. Leah olhou para ele curiosa. “Meu sêmen.”