
Capítulo 271
Casamento Predatório
Leah nem conseguiu responder à pergunta. Tudo o que pôde fazer foi abanar-se com as mãos, tentando se refrescar e disfarçar as bochechas coradas.
Conseguiu recuperar a compostura antes que a discussão entre Haban e Mura terminasse, e mentalmente agradeceu a eles por manterem todos distraídos.
Claro, ela e Ishkan eram um casal. Não haveria razão para ele atravessar o vasto deserto e vir a Estia por ela caso contrário. Mas quando ouviu a palavra "casal", a pergunta escapou antes que pudesse pensar direito…
Virando-se para Ishkan, notou que ele estava muito quieto, e franziu a testa por um instante. Para ela, parecia óbvio que eles estavam aprontando alguma coisa, mas rapidamente assumiu uma expressão inocente, como se nada tivesse acontecido.
Mura voltou para Leah, tirando a grama de suas roupas. Olhando para o prato vazio diante de Leah, foi rapidamente até o lago lavar as mãos e começou a enchê-lo novamente com petiscos. Leah abaixou-se para tirar um pouco de grama do cabelo de Mura.
“Você está bem?”
“Claro”, respondeu Mura, com uma piscadela travessa. “Briga de casal é como tentar cortar água com faca.”
À distância, Haban bebia álcool enquanto os outros Kurkans o provocavam, e Mura, igualmente embriagada, sentou-se ao lado de Leah, sorrindo feito uma raposa.
“Você gostou da comida?” Perguntou.
“Estava deliciosa.”
“Eu mesma cozinhei.”
Enquanto elogiava o esforço de Mura, Leah percebeu de repente que a mulher Kurkan estava observando Haban sorrateiramente.
“Vim atender Leah”, disse Genin, e Mura virou-se para olhá-la, seus olhos se arregalando como se aquilo fosse estranho. Genin gesticulou com o queixo na direção de Haban, e Mura deu de ombros e foi até ele.
Inclinando-se, Mura sentou-se ao lado dele para sussurrar algo em seu ouvido, e Haban finalmente aceitou sua mão, com o rosto emburrado.
“Mura o fez ceder depois que ele pregou uma peça nela”, explicou Genin em voz baixa, sentando-se ao lado de Leah.
Observá-los fez Leah se perguntar como eles tinham se tornado um casal, mas não conseguiu se decidir a perguntar. Surpreendentemente, Genin tomou para si a tarefa de explicar.
“Todos nós estudamos na mesma academia”, disse ela. Haban e Mura sempre se destacaram academicamente; eram os melhores entre todos os alunos da academia. Ninguém conseguia competir com eles.
Os dois sempre lutaram pelo primeiro lugar em todos os seus exames, e todos tinham ideias diferentes sobre quem era melhor. E Mura, que sempre foi orgulhosa, decidiu desafiar Haban diretamente.
Não era uma simples competição. Era uma batalha para determinar a supremacia. Todos estavam animados, e Mura perdeu sua primeira batalha diante dos olhos de todos os Kurkans da Academia.
Para reconhecer sua derrota, Mura fez a tatuagem em seu rosto, ao lado do olho. Ela esperava que Haban a humilhasse por sua derrota, e até se preparou para enfrentá-lo, mas, curiosamente, Haban começou a evitá-la.
Mura pensou que ele estava a ignorando.
Ela estava determinada a ter uma revanche, e havia desistido de todas as suas outras atividades, até mesmo cozinhar, para poder treinar e enfrentá-lo novamente. Mas mesmo quando Haban perdeu sua segunda batalha pela supremacia, Mura não ficou satisfeita, apesar de sua vitória. Surpreendentemente, ela se sentiu muito desconfortável.
Na derrota, Haban quase não disse nada. Seu rosto estava vermelho como um pimentão enquanto ele hesitantemente parabenizava Mura, e depois partiu como se estivesse fugindo.
No dia seguinte, Haban chegou ao instituto usando a mesma tatuagem que Mura, mas ao lado do outro olho. Seu rosto estava vermelho como um tomate quando ele se aproximou dela para fazer uma proposta séria. Mura ficou chocada.
Você quer… namorar comigo?
Era absurdo. Ela achou que ele estava brincando no início, mas logo percebeu que ele estava falando sério; ele tremia como um boneco quebrado. Ela decidiu sair com ele porque achou adorável que ele tivesse feito a mesma tatuagem, e eles namoraram por muito tempo antes de se casarem.
“Você tem marido, Genin?” Leah perguntou, depois que Genin contou essa história.
Por alguma razão, a atmosfera ficou um pouco tensa.
“…claro”, respondeu Genin lentamente.