Casamento Predatório

Capítulo 232

Casamento Predatório

“Porque você está sob um feitiço.”

“……”

“Feitiços que te fazem me esquecer… e esquecer de tudo mais.”

Ele disse baixinho. Mas assim como o cheiro de sangue que emanava de seu corpo depois de dar sua aula, ele não conseguia esconder sua angústia, mesmo tentando fingir que não estava lá.

“Mas agora não importa.” Ele explicou que, devido às circunstâncias complicadas do feitiço, a melhor opção parecia ser ela permanecer em Estia até recuperar suas memórias. Ele planejara esperar. Se a levasse embora antes, havia a chance de que ela nunca mais o lembrasse.

Mas agora, ele estava disposto a correr esse risco.

Leah lembrou do que ele dissera, que não importava se ela amasse outra pessoa, que mesmo assim ele queria fugir com ela. Ela não entendia por que ele era tão devotado a ela. Teria ela realmente se casado com ele em algum período que não conseguia se lembrar?

Memórias…

Ela pensou. Lembrou-se da Baronesa Cinael chorando. O vestido da dama era arrumado, mas antiquado, e as mangas estavam desfiadas nas bordas. Ela não era financeiramente próspera e certamente precisava do dinheiro, mas havia recusado o pagamento que Ishakan lhe oferecera.

Leah sabia o quanto era difícil recusar dinheiro quando se precisava muito. Era a prova de que a Baronesa Cinael era realmente leal a Leah. Elas deviam ter passado muito tempo juntas para ter um relacionamento assim.

Mas Leah não conseguia se lembrar. E agora havia a possibilidade de que ela pudesse perder essas memórias pelo resto da vida. Ela não tinha certeza se era a decisão certa. Mas ela amava tanto Ishakan que estava disposta a fugir com ele e deixar tudo para trás, até mesmo o título de Princesa de Estia. Ela estava definitivamente apaixonada por ele, além de toda a razão.

Pensamentos em Blain continuavam surgindo em sua cabeça. Ela não entendia por que não conseguia esquecê-lo. Era como se estivesse presa a ele por correntes, ela não conseguia deixá-lo ir.

Sua expressão ficou séria, e ela passou a mão pelo rosto para escondê-la, fingindo enxugar o suor. Ela não queria que Ishakan soubesse em quem estava pensando.

“…Leah.”

Ishakan era muito perceptivo. Suspirando, ele a puxou para dentro da banheira. Seu corpo afundou na água morna e seus cabelos prateados flutuaram na superfície.

“Tudo bem”, disse ele, sentando-a em sua coxa e acariciando sua bochecha com sua mão quente. “Não me importo no que você está pensando…”

Leah o beijou. Depois de um tempo, ela se afastou para sussurrar para este homem que sabia de tudo.

“Eu quero esquecer.” Inclinando-se para beijá-lo, ela sussurrou novamente. “Está muito estressan…”

As palavras foram interrompidas pelo beijo repentino e profundo de Ishakan, sua língua se introduzindo entre seus lábios em sua boca. Sua respiração quente se misturou ao vapor do banheiro.

“Ah, Ishakan… ahh…”

Ela se agarrou a ele como se ele fosse seu refúgio. Com sua pele pressionada contra a dela, ela conseguia esquecer Blain por um tempo. Mas ela sabia melhor do que ninguém que aquela era apenas uma solução temporária.


No dia seguinte, Leah abriu os olhos ao nascer do sol, acordada por uma dor de cabeça insuportável.

Ela acordou com as mãos agarradas à cabeça para ver Ishakan parado na porta com os braços cruzados, usando apenas um pano enrolado na cintura, expondo seu torso. Logo ali, do lado de fora da porta aberta, estava Haban, com o rosto rígido.

“O Rei de Estia chegou com os cavaleiros.”

Leah tentou fingir que não se importava. Mas não conseguiu. Seu corpo reagiu apesar de sua vontade, seu coração disparou de repente enquanto memórias surgiam em sua mente. Por toda a razão e lógica, a pessoa que ela amava deveria ser Blain. Era quem ela lembrava.

Sua dor de cabeça piorou assim que ela negou, e Leah reprimiu um gemido de dor. O leve cheiro de queimado passou por seu nariz sensível. De onde vinha? A pergunta a distraiu da dor o suficiente para que ela ouvisse Haban falando, irritado.

“Você ateou fogo no pomar?”

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