Casamento Predatório

Capítulo 230

Casamento Predatório

Ishakan soltou a mão dela.

Cerdina desabou no chão. Seu corpo inteiro tremia de medo, mas seus lábios estavam tão comprimidos que pareciam costurados.

“Dei um presente ao seu filho.”

“……!”

A cabeça de Cerdina se ergueu em terror.

“Da próxima vez não vai acabar com um aviso”, Ishakan sussurrou, olhando para ela. “Não se engane, Rainha Mãe.”

Foi só isso. O Rei dos Bárbaros desapareceu tão silenciosamente quanto havia chegado, e Cerdina ficou imóvel por um longo tempo, recompondo-se.

Então, levantou-se e saiu correndo do quarto, vestida apenas com seu fino camisolê.

Assim que alcançou o corredor, congelou, rígida como uma estátua de pedra, cobrindo a boca com a mão. Tomaris sempre vagou livremente pelo palácio real sob seu governo. Eles se passavam por servos e criavam o caos na ordem do palácio.

Mas agora, seus irmãos de sangue eram cadáveres frios. Seus corpos estavam tão danificados que pareciam ter sido dilacerados por uma fera.

“…Blain”, ela disse fracamente, olhando para a catástrofe.

Ela nem sequer parou para calçar os sapatos. Correndo descalça pelo palácio principal, os servos se assustaram ao ver a elegante Rainha Mãe correndo desesperadamente, e Cerdina fez um gesto com a mão para mandá-los se dispersar, com os olhos arregalados.

Atravessando o longo corredor, ela chegou ao quarto de Blain. O fedor nauseante de sangue espreitava por baixo da porta fechada.

Ela tremia ao abri-la. Era ainda pior do que o que ela havia visto em seu próprio palácio. O quarto escuro era um horror, com dezenas de cabeças decapitadas espalhadas pelo chão. A maioria pertencia a homens de cabelo curto, mas a visão de um longo cabelo loiro chamou sua atenção…

O pescoço estava tão dilacerado que parecia que alguém o havia arrancado de seu corpo com as mãos. Cabelos loiros ensanguentados se espalhavam pelo chão, e o rosto bonito estava tão mutilado que era quase irreconhecível, mas Cerdina sabia quem era.

Lady Mirael.

A expressão contorcida em seu rosto mutilado traía a agonia de sua morte. A respiração de Cerdina tornou-se pesada enquanto ela se virava para olhar o pé da cama, onde Blain estava parado.

“…Mãe.”

Como uma louca, ela correu até ele, quase tropeçando nas cabeças no chão para jogá-los nos braços dele e abraçar seu amado filho. Ele estava ileso. Ele não tinha um único arranhão. Fraca de alívio, ela acariciou seu rosto, mas Blain afastou sua mão friamente.

“O que você fez?”

“…….”

Blain agarrou-a pela frente do camisolê.

“O que diabos você fez!?”

Ela não disse nada, e ele a sacudiu impotentemente.

A lua estava excepcionalmente brilhante naquela noite, brilhando pelas janelas e iluminando as muitas cabeças dos mortos.


Leah não conseguia dormir. Sua mente estava muito cheia, com muitas coisas para pensar. Por muito tempo, ela se remexeu na cama até finalmente desistir.

Talvez fosse porque Ishakan havia partido. Quando estava com ele, ela não estava pensando na realidade de sua situação. Embora tivesse decidido fugir, não era tão fácil romper seu apego a Estia.

Leah estava relembrando.

O que aconteceu com os cavaleiros e as damas de companhia…?

Não parecia que eles tinham sido mortos, mas ela não tinha ideia do que havia acontecido com eles. E pior ainda, Blain havia ressurgido repentinamente em sua mente. Enquanto estava com Ishakan, ela não se importava com ele. Mas assim que Ishakan se foi, Blain invadiu sua mente.

A razão a repreendeu pelo que havia feito. Não era tarde demais. Ainda havia tempo para se redimir e corrigir seus erros.

Leah vagou pelo quarto, tentando afastar esses pensamentos intrusivos de sua mente.

“……!”

De repente, alguém a agarrou por trás em um abraço, a assustando. Mas o calor que sentiu a acalmou imediatamente.

“Ishakan.” Ela se virou para ver seus olhos dourados, suas pupilas dilatadas. Seus próprios olhos se arregalaram enquanto ela sussurrava: “…você cheira a sangue.”

Ele apenas a abraçou, como se estivesse fingindo não ter ouvido.

“Você está ferido?” Ela perguntou, o empurrando levemente para trás.

“Nunca”, ele disse com um sorriso. “Você é a única que perguntou se estou ferido.”

Não havia sentido em perguntar a esse homem o que ele estava fazendo para voltar cheirando a sangue. Ela já havia ouvido dizer que a natureza dos Kurkans era selvagem, como bestas. Para eles, era completamente normal infligir danos sangrentos e tirar vidas.

Mas ela não achava que ele teria sangue em suas mãos sem motivo. Leah se perguntou quem ele poderia ter matado e por quê.

“Apenas…” Ishakan começou lentamente, e sorriu maliciosamente. “Ensinei uma lição a algumas pessoas más.”

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