
Capítulo 209
Casamento Predatório
Tudo o que Leah sabia sobre a família Cinael era que estava abaixo da maioria das famílias nobres de Estia, sem poder nem riqueza – um conhecimento geral, nada específico. Ela nunca teve ninguém dessa família como dama de companhia.
Mas a Baronesa Cinael apenas pareceu resignada com a perplexidade de Leah, tirando um lenço para enxugar os cantos dos olhos marejados.
“Disseram-me que a Princesa perdeu a memória”, disse ela. Sua voz era firme e determinada.
“……”
Aquilo de novo. Até uma nobre de Estia estava alegando ter perdido a memória. E parecia que a Baronesa previra que Leah não seria facilmente convencida. Ela tirou um pequeno envelope.
“Quero que a senhora veja isso”, disse ela, estendendo-o com mãos trêmulas. O envelope antigo estava claramente bem conservado, sem amassados. Pegando-o, Leah abriu-o cuidadosamente. Sentiu-se como se estivesse abrindo a Caixa de Pandora. Seus olhos se arregalaram ao ler o documento dentro.
Era a escritura de uma pequena fazenda. No rodapé estava a assinatura de Leah e o selo da família real de Estia.
Era impossível. Leah leu novamente, descrente. Era incontestável. A assinatura era a dela, e aquela pequena fazenda certamente havia sido sua propriedade.
Todas as suas damas de companhia eram de famílias de baixa condição. O salário que recebiam da família real era importante para elas. Foi por isso que ela pretendia distribuir suas propriedades entre elas, incluindo a pequena fazenda desta escritura. Mas, aparentemente, ela já havia doado essa fazenda em particular a uma nobre que nunca tinha visto antes, que afirmava ter sido uma de suas damas de companhia.
“A senhora me deu pessoalmente, Princesa”, disse a Baronesa Cinael cautelosamente. “A senhora se lembra?”
Claro que ela não se lembrava. Apressadamente, Leah vasculhou sua memória, mas não havia nada lá, como se alguém tivesse usado uma tesoura naquela área de sua mente. Sua expressão endureceu, e a mão de Leah se levantou em direção à cabeça.
“Ah…” De repente, ela sentiu uma dor de cabeça e cambaleou para trás com um gemido de dor. Ishakan a segurou, abraçando-a enquanto ela ofegava. A dor latejava, tão insuportável que era difícil respirar. Suor frio escorria por sua testa.
Algo batia em uma porta na parte mais profunda de sua mente, um eco fantasmagórico de um som que batia em seus ouvidos e depois desaparecia. Lentamente, a dor intensa em sua cabeça diminuiu.
“Chega por hoje.” Ishakan acenou para a Baronesa Cinael enquanto abraçava Leah, que tremia. Os olhos da Baronesa estavam vermelhos de tanto chorar. “Eu a recompensarei com gratidão.”
“Não aceitarei”, ela recusou secamente, enxugando os cantos dos olhos com o lenço. Ela olhou para Leah, e Leah esqueceu seu tormento por um momento ao ver a afeição nos olhos da outra mulher.
“Não sou uma pessoa ingrata”, disse a Baronesa. “A senhora confiou em mim quando ninguém mais o fez. Aquele momento está gravado em meu coração e eu o prezo até hoje.”
Sua voz tremia enquanto ela olhava para Leah, sua senhora, que estava sendo manipulada cruelmente pelo meio-irmão e madrasta que ela tanto odiava. E agora ela nem sequer se lembrava de odiá-los.
“Se eu puder ajudá-la, mesmo que um pouco…” sussurrou a Baronesa. Mais lágrimas caíram. Ela não conseguia contê-las. “…seria uma honra, Princesa.”
E ela explodiu em lágrimas. O coração de Leah se apertou ao ver a nobre chorando, seus ombros tremendo. Ela nem sequer conhecia o rosto daquela mulher, o que tornava a intensidade dos sentimentos da estranha ainda mais chocante.
Eventualmente, a Baronesa partiu, e Leah sentou-se em silêncio pensativo. Ishakan não disse nada.
“Eu não entendo”, Leah finalmente murmurou, angustiada. “Eu não entendo… que diabos está acontecendo? Eu não entendo nada.”
Sua mente estava em caos. Ela sentia como se pudesse explodir, e ela olhou para Ishakan, desesperada. Ela pensou que ele a instaria a se lembrar novamente, mas em vez disso ele disse o contrário.
“Chega por hoje.” Ele a abraçou com força. “Você precisa descansar. Parece que você nem sequer conseguiu dormir direito ultimamente.”
Ele estava certo. Ela tinha estado tão faminta ultimamente que não conseguia dormir. Aquela soneca que ela tivera em seus braços foi o descanso mais agradável que tivera em muito tempo. Mas era fácil descansar agora, e ela calmamente permitiu que ele a levantasse em seus braços.