Casamento Predatório

Capítulo 207

Casamento Predatório

O pedido, feito em sua voz encantadora, era tentador. Leah quase aceitou na hora, mas hesitou.

Ishakan não a pressionou. Esperou a resposta com a paciência de quem esperava que ela refletisse, enquanto caminhava pela sala com uma estranha familiaridade, como se já tivesse estado ali antes e se lembrasse de tudo. Ao se aproximar da cama, ela o chamou às pressas.

“Majestade…”

“Me chame de Ishakan”, disse ele, olhando para ela com seus olhos dourados. “Você também pode me chamar de Isha.”

Eles não eram próximos o suficiente para que ela o chamasse por um apelido.

“Como poderia ser tão indelicada a ponto de dirigir-me pelo nome?”, respondeu ela, evitando seu olhar penetrante. “Não posso fazer isso.”

“Hmm.” Ishakan esfregou o queixo com os dedos. “Bem, se você não fizer, eu vou gritar.”

“O quê?”

Ishakan respirou fundo, com ar ameaçador, e Leah entrou em pânico, com medo de que um grito trouxesse suas damas-de-companhia para o quarto.

“Eu, Ishakan!”

Ele riu levemente, e sua mão grande acariciou sua cabeça.

“Muito bem.”

Leah franziu os lábios sentindo o calor e o formigamento do toque. Não entendia por que se sentia tão bem quando aquele homem a tocava.

“Espero que daqui para frente você possa conversar confortavelmente”, disse Ishakan. Ela tentara traçar um limite, mas aquele homem implacavelmente derrubava todas as barreiras.

“Você leva suas brincadeiras longe demais.”

“Bem…” Ishakan levantou uma sobrancelha. “Eu realmente poderia ter gritado. Minha paciência tem sido limitada ultimamente.”

“……”

Ele disse isso com tanta seriedade que Leah suspirou interiormente. Nunca imaginara que chamaria o Rei de Kurkan pelo nome, mas a cada palavra dele, sentia-se sendo arrastada por ele. As personalidades deles eram tão diferentes. E mesmo assim, ela até chorara na frente dele, quando pedira as datas.

De fato, era agradável chamá-lo pelo nome.

Leah o olhou por um longo momento. Ela havia estado pensando nele por dias, e agora ele estava ali, diante dela. Era um reencontro absurdo e embaraçoso, nada do que ela esperava, mas decidiu que era bem-vindo.

“Você disse que eu perdi a memória”, disse ela, lembrando-se das palavras que mais a tinham perturbado. Ainda soava ridículo, mas ela queria detalhes. Atualmente, não havia ninguém em sua vida que lhe dissesse alguma coisa; todos apenas concordavam com ela e seguiam cegamente suas ordens. Isso a fazia sentir-se muito sozinha.

Ishakan era o único que dissera que algo estava errado. Não podia fazer mal ouvir alguém que ao menos tinha uma opinião.

“Gostaria que você explicasse um pouco mais”, disse ela. Mas, surpreendentemente, ele não pareceu entusiasmado com o pedido.

“Se pudesse ser resolvido com palavras, eu já teria feito”, respondeu ele. “Não seriam chamados de feitiços se fossem tão fáceis de quebrar.”

“Feitiços…?”

“Estou aqui apenas para te ajudar, Leah.” Ele estendeu a mão, um gesto que significava que ela teria que ir com ele se quisesse saber mais.

Leah respirou fundo. Embora houvesse dúzias de razões pelas quais ela não deveria ir, o impulso de pegar sua mão era tão intenso que ela os ignorou. Aquela mão grande parecia tão forte e tão quente, e Ishakan imediatamente a puxou para perto e a ergueu em seus braços em um movimento fluido.

“Você está mais leve”, disse ele com uma leve franzido de sobrancelha, com a mesma naturalidade de quem a havia erguido muitas vezes no passado. Ele se dirigiu à sacada, e Leah mal teve tempo de piscar antes que ambos estivessem no ar.

“……!!”

Ela estava tão assustada que se agarrou a ele com força. Ela teria pensado que o ruído da aterrissagem ressoaria pelo silêncio de seu palácio, mas Ishakan pousou no chão sem um único som e seguiu em frente imediatamente como se nada de extraordinário tivesse acontecido.

Leah levou a mão ao coração que batia forte. Um dia ele ia explodir por causa daquele homem.

Ishakan parecia conhecer o palácio como a palma de sua mão. Era desconcertante que ele também parecesse familiarizado com todos os vários sistemas de segurança, mas agora que ela pensava sobre isso, também era estranho que eles se tivessem encontrado pela primeira vez perto daquela fonte. Não era um lugar que alguém no palácio costumava visitar, e ela não conseguia deixar de se perguntar como um estrangeiro do deserto havia chegado lá.

Leah bocejou enquanto todas essas coisas passavam por sua mente. O sono a vinha cercando havia algum tempo, mas no calor de seus braços e com seu perfume fresco a envolvendo, seu nervosismo desapareceu. Aconchegada em seus braços, ela adormeceu sem perceber.


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