Casamento Predatório

Capítulo 197

Casamento Predatório

Os olhos de Leah se arregalaram, confusa com o beijo repentino de Blain.

“Não esperava que o Rei viesse pessoalmente”, disse Blain, inclinando a cabeça. “Teremos um casamento ainda mais magnífico com sua presença.”

Leah sentiu o clima entre os Kurkans mudar, ficando tenso, mas Blain estava satisfeito. Seus olhos se voltaram para o Rei de Kurkan, e o homem, chamado Ishakan, respondeu calmamente.

“Você realmente não esperava? Tenho certeza de que imaginou que eu viria.”

“Achei que você não viria porque estava muito mais atrasado do que eu pensei”, respondeu Blain. Sua mão acariciou a cintura de Leah. O homem olhou diretamente para aquela mão.

“[…] Ouvi dizer que em Estia, os ladrões têm as mãos cortadas”, disse ele lentamente. “Qual o castigo para homens que cobiçam as mulheres dos outros?”

“Bem, eu não saberia. Nunca cobiçei nenhuma.” Blain sorriu maliciosamente. “Desde o começo, só quis minha futura esposa.”

O outro homem sorriu.

“É o mesmo para mim. Quando um Kurkan…” Seus olhos dourados se voltaram para Leah, que estava parada como uma boneca com os braços de Blain ao redor dela. “…decide por sua parceira, a perseguirá pelo resto da vida.”

Leah percebeu que estava prendendo a respiração durante todo aquele confronto. O homem inclinou levemente a cabeça, encerrando a conversa.

“Vamos aproveitar o banquete que você preparou.”

Com isso, o homem saiu primeiro, seguido em silêncio pelos outros Kurkans, e logo desapareceram em direção ao salão de banquetes.

“Bastardo arrogante”, resmungou Blain, amaldiçoando. Leah abaixou a cabeça, fingindo não ouvir as palavras grosseiras, mas ele agarrou seu queixo e ergueu sua cabeça para olhar em seus olhos.

“……”

Ele a olhou por um tempo, como se estivesse procurando algo, e então soltou seu queixo.

“Vamos.”

Tudo aquilo lhe parecia estranho, mas mesmo que ela perguntasse, Blain não lhe diria nada.

Ishakan. Leah repetiu o nome em sua mente. Ele não tinha mentido para ela. E agora que sabia que ele realmente era o Rei de Kurkan, ela estava ainda mais curiosa sobre ele. Se tivesse a chance, teria gostado de conversar com ele em particular. Mas teria que ser cuidadosa. Blain era extremamente ciumento; ele não gostava que Leah falasse com outros homens. Se ele descobrisse que ela tinha beijado um rei de outro país, e um homem com quem ele tinha um relacionamento antagônico…

Ele não perdoaria um erro assim.

Fingir que não conhecia o homem era a melhor escolha. Leah reprimiu suas emoções e seguiu Blain.

No momento em que as portas do salão de banquetes se abriram, seu rosto ficou pálido. O ar estava carregado de aromas. Os cheiros de cosméticos, comida e álcool imediatamente a deixaram enjoada. Seu espartilho estava apertado demais e ela não tinha comido recentemente, então pensou que poderia desmaiar a qualquer segundo.

Inspirando profundamente, ela reprimiu a vontade de fugir imediatamente. Ela aguentaria por um tempo, e então poderia ir diretamente para o salão de descanso.

Tanto ela quanto Blain receberam cumprimentos afetuosos. Os nobres estianos sorriam alegremente, elogiando o casal, exclamando sobre o quão bem eles ficavam juntos. Depois de trocarem cumprimentos, Blain a deixou para ir falar com os emissários. Leah queria acompanhá-lo, mas ele havia se recusado.

Deixada para conversar com algumas das damas, Leah examinou discretamente os emissários.

Ao contrário dos estianos alegres e barulhentos, os dignitários de outras nações eram mais contidos. Suas expressões eram sutis e eles estavam cuidadosamente escondendo suas emoções. Sempre que faziam contato visual com Leah, desviavam rapidamente o olhar.

Observando os emissários, Leah franziu a testa. Eles pareciam estranhamente desconfortáveis na atmosfera alegre e divertida do banquete.

No passado, ela teria ignorado e achado insignificante. Mas hoje isso a incomodava. A palavra “porquê” veio à mente, fazendo-a sentir-se estranhamente alienada, como se estivesse separada de tudo, assistindo a fantoches fazendo um show.

“Leah.”

Uma voz suave a tirou de seus pensamentos e Cerdina a abraçou levemente.

“Você está tão linda. Seu vestido fica ainda melhor com o peso que você perdeu.” Cerdina sorriu enquanto a elogiava. “Você está tomando chá medicinal?”

Leah tinha vomitado tudo o que consumia, então o chá medicinal estava virando adubo no jardim atrás de seu palácio. Mas Leah apenas deu um leve sorriso em resposta.

“Sim, as damas de companhia do palácio da princesa sempre cuidam bem de mim.”


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