Casamento Predatório

Capítulo 196

Casamento Predatório

Um enjoo terrível a dominou. Leah engasgou e vomitou nos arbustos, em acessos dolorosos, até cambalear, agarrando-se a um galho.

“Haa, ha…” Ofegante, ela tirou um lenço para limpar os lábios. Não podia acreditar que havia conseguido segurar a náusea por tanto tempo. Tão tonta, teve que cobrir os olhos com as mãos.

Normalmente, ela diria apenas que estava com o estômago embrulhado para evitar comer. Cerdina, com frequência, insinuava que Leah precisava cuidar melhor da alimentação se quisesse manter a silhueta, então, certamente, preferiria que ela pulasse o café da manhã.

Mas, por mais que Leah quisesse agradá-la, estranhamente, a ideia de esconder sua náusea lhe enchia a cabeça.

Por que estou fazendo isso?

Parecia que algo andava errado desde que encontrara aquele homem estranho na noite anterior. Um zumbido constante nos ouvidos, um eco do barulho que ela ouvia todos os dias.


Ultimamente, Leah comia muito pouco.

Não importava o que comesse, seu estômago rejeitava. Felizmente, ela havia passado mal por causa da chuva, então tinha uma desculpa para não comer. Não tinha apetite.

Às vezes, até mesmo uma sopa leve a deixava enjoada, então ela vomitava em segredo. Vendo Leah emagrecer a cada dia, Blain estava furioso. Queria expulsar todas as suas damas de companhia do palácio, mas ela conseguiu dissuadi-lo.

Embora se sentisse enjoada, não importava o que comesse, havia algo que ela desejava. Era um sabor que não conseguia lembrar claramente, mas ansiava por ele mesmo enquanto comia e vomitava dia após dia.

Mesmo enquanto emagrecia, as delegações para a festa de casamento chegaram, e Blain foi recebê-las pessoalmente.

O banquete era esperado para durar duas semanas, com delegados chegando de todos os cantos do continente. Leah esperava muitas conexões diplomáticas e realizações enquanto tantos estavam em Estia, mas Blain se opunha a que ela os conhecesse. Ele até tentou dissuadi-la de comparecer ao banquete de boas-vindas.

“Você não precisa ir.”

Antes, ela teria mansamente obedecido, mas dessa vez, estranhamente, teve vontade de argumentar.

“Seria indelicado. Os emissários vieram para a festa de casamento…”

Kurkan também enviara emissários, e ela se surpreendeu ao descobrir que o próprio Rei havia vindo com eles. Ela se perguntou se o homem que dissera tantas bobagens no jardim chuvoso realmente era o Rei de Kurkan. Embora avisos soassem em sua mente diante de sua própria curiosidade perigosa, ela queria conhecê-los.

“O que os outros vão pensar se eu não for?”

Ouvindo sua persuasão, Blain de repente agarrou sua mão, olhando para o anel que ela usava enquanto entrelaçava seus dedos nos dela.

“Você me ama, Leah?”

“Eu te amo”, respondeu ela, com o sorriso afetuoso que o agradava. Blain olhou-a intensamente, linda em seu vestido requintado.

“…Mesmo que ela seja uma casca, ela definitivamente é minha.” Murmurou baixinho, e finalmente concordou em deixá-la acompanhá-lo. “Vamos juntos. Acho que está tudo bem exibí-la para eles.”

Juntos, eles caminharam para o salão de banquetes. A noite havia caído, mas o palácio estava tão brilhantemente iluminado que parecia dia. Embora a música do salão de banquetes fluísse pelas portas e janelas, não conseguia diminuir a atmosfera sombria do palácio. Os dois caminharam juntos, seguidos por atendentes e damas de companhia, por um longo corredor brilhantemente iluminado até que Blain parou bruscamente.

Na extremidade oposta do corredor, um grupo de estranhos surgiu. Altos, de pele morena e belos, eram obviamente de Kurkan, liderados por um homem com olhos dourados.

Quando o homem parou, todos os kurkanianos atrás dele fizeram o mesmo. Leah olhou para ele, e ele olhou diretamente para ela.

Aqueles olhos eram tão peculiares, assim como na primeira noite em que os vira. Os olhos dourados brilhavam como se estivessem cheios de luz, atraindo as pessoas. Leah os encarou como se hipnotizada, e só se recompôs quando sentiu os olhos dos outros kurkanianos sobre si.

“……”

Todos os kurkanianos a olhavam, e por algum motivo havia ansiedade em seus olhos. De repente, sentiu-se desconfortável com o braço entrelaçado ao de Blain.

“Que a luz ilumine Estia.” O homem com os olhos dourados disse com uma voz profunda, e seus olhos só a olhavam. “Eu sou Ishakan, o Rei de Kurkan.”

Naquele momento, ela teve a mais forte sensação de déjà vu, como se aquele momento já tivesse acontecido antes.

Assim que seus lábios se abriram para falar, Blain soltou seu braço e a agarrou pela cintura, puxando-a para perto dele, de modo que ela cambaleou, agarrando-se a ele.

“Obrigado por terem vindo tão longe, Rei de Kurkan!” Beijando-a na bochecha, havia um sorriso torto em seu rosto quando ele acrescentou: “Esta é minha futura esposa.”

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