Casamento Predatório

Capítulo 189

Casamento Predatório

Leah amava Blain há muito tempo. Ele a amparou e cuidou dela depois que ela perdeu a mãe. Ela ainda se lembrava vividamente do momento em que confessou seus sentimentos por ele, em um lindo jardim cheio de peônias. Com uma peônia tremendo em sua mão, dissera que o amava, e Blain havia dito que teriam um casamento maravilhoso.

Toda vez que Blain a deixava chateada, ela se lembrava daquele dia. O calor do sol, a brisa fresca e a felicidade que sentira… apesar de suas palavras e ações frias, ela sabia que ele a amava.

Mas às vezes ele a levava ao limite, como se estivesse tentando testá-la. Hoje não era diferente.

“Você não está com ciúmes?”

Com a pergunta dele, as mãos de Leah congelaram sobre os talheres. Ela havia vindo jantar no palácio principal a pedido dele, e engoliu lentamente a comida na boca.

“Você não sente nada mesmo que eu esteja com outra garota na sua frente?” Ele perguntou novamente.

Os lábios de Leah tremeram. Ela não tinha certeza de como responder a essa pergunta.

“…Tudo bem,” ela disse hesitantemente, tentando adivinhar o que ele queria. Claro que seu orgulho estava ferido, mas não havia nada que ela pudesse fazer a respeito. Ela era defeituosa. Não conseguia cumprir seu papel como esposa dele. Não lhe restava outra opção senão tolerar.

Mas Blain não pareceu gostar daquela resposta. Seu olhar ficou feroz e sua faca tilintou alto contra o prato.

“Você não se importa com o que eu faço?” Ele perguntou perigosamente.

“……”

Embora estivesse tentando lhe dar a resposta que ele queria, por mais que pensasse, Leah não conseguia adivinhar qual seria. Blain franziu a testa para ela enquanto ela piscava, confusa. Ele respirou fundo.

“O que aconteceu com as peles?” Ele perguntou.

As preciosas peles de animais que ele havia adquirido em sua caçada haviam sido todas enviadas para seu palácio. Ele era um caçador tão bom que conseguira matá-las todas sem danificar muito as peles. Infelizmente, ela não tivera tempo de olhar para elas.

“Eu vejo depois do jantar,” ela disse rapidamente. Ela estava muito ocupada com o acúmulo de trabalho, mas teria que cuidar disso em breve. “Eu tive muito trabalho hoje…”

Felizmente, ele não disse nada. Ele sabia o quanto ela estava sobrecarregada de trabalho.

“Só me diga se você gostar de alguma coisa. Trarei mais da próxima vez.”

Tirando uma pequena caixa do bolso, ele a entregou a ela. Dentro havia um anel ornamentado cravejado de diamantes com uma ametista no centro. Seus olhos foram para a mão dele, onde havia um anel no dedo anelar do mesmo formato, feito de diamantes e um safira.

Provavelmente era um anel de noivado.

“Coloque-o.”

Tirando o anel da caixa, ela o deslizou para o dedo. Parecia pesado e opressivo, provavelmente por causa do tamanho das pedras preciosas, e ela não conseguia acreditar que ele lhe dera um anel tão caro quando o orçamento do palácio já havia sido drasticamente reduzido por causa do casamento. Ela não conseguia ser feliz sabendo de onde o dinheiro para aquilo havia vindo.

“Você realmente não gosta dessas coisas. Mas use-o de qualquer jeito,” disse Blain. Mesmo que ela não parecesse feliz com o presente, ele estava satisfeito só de vê-la usando. “Você quer outros presentes?”

O pensamento lhe veio subitamente à mente, e Leah o disse inconscientemente. “Uma pena.”

“…Uma pena?” Blain perguntou incrédulo.

“Outro dia você me deu algumas penas,” Leah disse, sorrindo levemente. “Você mesmo apontou as pontas.”

Era uma lembrança preciosa. Ela achou que isso o deixaria feliz, mas seu rosto se contorceu de fúria, como se ele estivesse prestes a gritar e se enfurecer.

“Bem, eu tenho muito trabalho para fazer, então…” ela disse rapidamente, tentando distraí-lo. Ela mordeu o lábio inferior. “Desculpe. Acho que disse algo sem sentido.”

Com sua expressão abatida, ele se levantou e varreu pratos e talheres da mesa com um movimento dos braços, jogando-os no chão com estrondo.

“Venha para o quarto hoje,” ele ordenou, olhando para Leah.

“……”

Seus olhos escureceram quando Blain se virou e saiu. O servo que havia colocado o último prato da refeição na mesa recuou silenciosamente, e Leah olhou para o prato à sua frente, que mal havia tocado.


O tempo passou. Leah sentou-se e tremeu, distraída. Assim que o sol se pôs completamente, um dos atendentes de Blain veio buscá-la em seu palácio.

Havia sido um dia ensolarado, mas durante a tarde o céu ficou nublado, e agora estava chovendo forte lá fora. Caminhando sob o guarda-chuva segurado pelo atendente, os pés de Leah pesavam como chumbo. Ela não queria ir. Ela sabia que deveria tolerar por causa do homem que amava, mas simplesmente não conseguia.

Assim que chegou aos aposentos de Blain, ela pôde ouvir os gemidos. O atendente abriu a porta, e Leah entrou sob o olhar penetrante de Blain.

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