Casamento Predatório

Capítulo 188

Casamento Predatório

Ela precisava se esforçar mais e se tornar a rainha perfeita, pensou Leah, as pontas dos dedos brincando nervosamente uma contra a outra. De repente, uma sombra pairou diante dela.

“Você não vai me cumprimentar?”

Olhos azuis a fitavam enquanto Leah voltava ao seus sentidos. Lady Mirael estava atrás dele, olhando-a severamente enquanto Leah o cumprimentava obedientemente.

“De qualquer forma.” Blain gesticulou com o queixo em direção à carroça próxima. “Há peles que podem ser usadas entre os animais que caçamos hoje. Elas serão enviadas ao seu palácio, escolha o que quiser.”

“Obrigada.”

Blain a encarou.

“Sorria”, ordenou.

Apressadamente, Leah sorriu. Era um sorriso forçado, mas Blain não se importou com isso. Ele acariciou sua bochecha com o dorso da mão.

“Vamos jantar juntos”, disse ele. “Venha ao palácio principal mais tarde.”

“…Sim.”

Com aquela breve conversa, ele entrou no palácio principal com Lady Mirael. Leah esperou até que ele estivesse completamente fora de vista e então correu de volta para seu próprio palácio, onde a papelada a aguardava em seu escritório. Havia muitas coisas que ela tinha que resolver naquele dia.

Embora ela se tornasse rainha após o casamento, Leah ainda era uma princesa. E ela tinha que cuidar da maior parte das funções da família real por causa do desinteresse de Blain em cumprir suas próprias responsabilidades. Seu temperamento só havia piorado desde que ele ascendeu ao trono. Ele maltratava e expulsava pessoas do palácio até mesmo por pequenas ofensas. Como ele tinha dificuldade em julgar as coisas racionalmente, Leah havia assumido todos os assuntos de estado.

Claro, ela estava disposta a fazer tudo isso pelo homem que amava. Mas nos dias em que desabava em sua cama, exausta do trabalho sem fim, ela desejava que alguém a ajudasse com as responsabilidades. Ela não podia fazer isso para sempre. Tomara que Blain assumisse parte da carga em breve.

Assinando o primeiro de muitos documentos, ela olhou para a Condessa Melissa.

“Ainda estou um pouco nervosa em tomar decisões sozinha”, disse Leah enquanto a Condessa retirava o documento assinado e o substituía por outro. “Seria bom se Sua Alteza pudesse olhar as atas da reunião de hoje…”

Ela fez uma pausa. No momento em que mencionou Blain, o sorriso da Condessa desapareceu, e um toque de frieza apareceu em seu rosto normalmente inexpressivo.

“Claro, a coisa certa seria eu me esforçar mais”, disse Leah apressadamente.

A Condessa Melissa sorriu como se nada tivesse acontecido.

“Vamos descansar um pouco”, disse Leah, colocando sua pena e sorrindo de volta. “Você pode me trazer um chá?”

“Sim, Princesa.”

Quando a dama deixou o escritório, Leah suspirou. Ultimamente, a Condessa a deixava um pouco desconfortável. Isso a fazia sentir culpada por se sentir tão desconfortável, já que a Condessa estava com ela desde criança.

Sacudindo a cabeça, Leah levantou-se de sua cadeira para olhar pela janela. Seus dedos estavam dormentes de tanto segurar a pena enquanto ela os deslizava pela moldura. Lá fora, o jardim parecia desolado.

As flores não cresciam direito no palácio mais. Todos os pequenos animais tinham desaparecido, sem gatos, pássaros ou esquilos para serem vistos.

Ela havia pedido ao jardineiro que cuidasse especialmente dos brotos de osmanthus, mas eles acabaram morrendo. Houve tentativas de plantar outras flores, mas todas murcharam e morreram. Apenas zimbros de folhas espinhosas cresciam.

Até então, o palácio sempre estivera cheio de flores, e Leah sentia muito a falta delas. Uma brisa fresca soprou pelos galhos nus das árvores, fazendo-os balançar, e Leah baixou o olhar.

“……”

De repente, havia um vazio em seu peito. Era uma dor familiar, mas a vinha atormentando ultimamente. Quando ela chamou um médico para examiná-la, ele disse que não havia causa aparente.

Ela achou que era fadiga e ignorou, mas cada vez que seu coração doía, ela sofria. Uma sensação insuportável de vazio a preenchia, como se ela tivesse perdido algo tão importante…

Mas Leah não sabia o que era.

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