
Capítulo 137
Casamento Predatório
Ela teve um sonho estranho. Um sonho simples de sofrimento, dor lancinante, incrivelmente vívido. Se questionou se aquela seria a sensação de seu corpo queimando em um inferno de fogo.
Se houvesse uma faca ao alcance, ela teria se esfaqueado no coração. A dor era tão insuportável que tudo o que conseguia fazer era chorar e implorar pela morte.
Alguém a segurava, sussurrando constantemente para ela. Não se lembrava o que ele dizia. Mas seu calor suave e sussurros carinhosos eram agradáveis. Ela se agarrou a eles durante a dor interminável e, quando finalmente parou, desmaiou.
Parecia que algum tempo havia se passado. Não tinha certeza de quanto tempo, mas vagara muito tempo na escuridão, pelo menos alguns dias, antes de finalmente recuperar a consciência. Leah acordou com uma leve dor de cabeça, franziu a testa.
“……”
Confusa, olhou em volta. Estava em um lugar desconhecido. Não era Estia. Parecia que estava em um barracão. O chão era coberto por tapetes de padrões exóticos e a cama em que Leah estava deitada era forrada com um tecido estampado elegante. Ela afastou o cobertor e tentou se levantar.
Ou tentou.
Um som de dor escapou de seus lábios. Ela se lembrou de ter tomado uma poção, perdido a sanidade e sentido como se seu corpo estivesse se desintegrando.
Leah sentou-se na cama e olhou ao redor novamente. Havia um grupo de galhos pendurados na parede sobre a cabeceira da cama. Em um canto do barracão, havia um grande braseiro. Ela estava acostumada ao cheiro que ele emanava; era o cheiro do tabaco que Ishakan costumava fumar. Ela se sentou, atordoada.
Um tremor a percorreu. As memórias surgiam uma após a outra, tão desordenadas como se alguém as tivesse cortado em pedaços. Uma dor aguda na cabeça a fez segurá-la com ambas as mãos. Parecia que seu crânio iria rachar.
“Ahh…!”
Ela se encolheu com um gemido de dor. A porta de lona do barracão rangeu e a luz do sol iluminou o espaço escuro.
“Oh, Leah!!!”
Um calor envolveu seu corpo como um escudo sólido. Leah se agarrou desesperadamente a ele até que sua respiração ofegante se acalmasse e sua dor de cabeça diminuísse lentamente. Depois de um longo tempo, ela levantou a cabeça, e diante de seus olhos estava o homem que, mesmo em seus sonhos, ela sempre quis ver. Os lábios de Leah se separaram.
“Ishakan…”
Surpresa com sua própria voz rouca, ela fechou a boca. Ishakan despejou água de um jarro na mesa de cabeceira em um copo e levou-o aos seus lábios, e ela bebeu rapidamente. Sentiu-se revigorada. Mesmo a leve dor de cabeça residual havia desaparecido completamente.
Foi então que ela refletiu sobre o significado de tudo aquilo.
“Quanto tempo dormi?” Essa era a primeira coisa que ela queria confirmar.
“Faz três semanas.”
Três semanas? Era possível? Vendo sua surpresa, os olhos de Ishakan se estreitaram.
“Claro, normalmente uma pessoa teria morrido”, disse ele em voz baixa. Foi a magia que a manteve viva. Os lábios de Leah se separaram.
“Então, isso é…”
“É o deserto. Estamos a caminho de Kurkan, e parece que chegaremos lá em três dias no máximo.”
Leah olhou para ele, chocada, mas não disse nada. Com dificuldade, tentou se afastar. Queria confirmar com os próprios olhos, mas assim que tentou sair da cama, algo puxou seu pulso esquerdo com um som metálico.
Havia uma grossa algema de couro em seu pulso, forrada com tecido macio por dentro. Uma corrente fina a conectava à cama para restringir seus movimentos.
“…O que é isso?”
Ela estava tão estupefata com esse tratamento bárbaro que quase ficou sem palavras. Leah mordeu o lábio inferior com força.
“Me solte imediatamente e me mande de volta para Estia”, disse ela calmamente. Mas Ishakan ignorou seu pedido. Ele apenas riu brevemente.
“Para onde? Para o território de Byun Gyeongbaek?” Seu olhar era frio, e ele falou friamente. “Mesmo que a noiva sequestrada retorne, ela não terá um bom momento. Certamente dirão que você não é pura e a apedrejarão impiedosamente. Não é assim que eles se comportam em Estia?”
Seu sarcasmo a enfureceu.
“Isso não é da sua conta!”, Leah gritou. Ela viu que seus olhos dourados haviam escurecido, mas não conseguiu se conter. Sua voz estava cheia de sofrimento. “Você não sabe de nada…”
Era assim que ela se sentira quando decidira morrer. Não fora uma decisão fácil, mas ela escolhera a morte porque não havia outra saída. Ela cobriu o rosto com as mãos. Sentiu vontade de chorar. Ishakan nunca a havia deixado, o que a deixava tão feliz e tão infeliz ao mesmo tempo. Porque ela sabia o que poderia acontecer.
Não era tarde demais. Ela tinha que voltar. Estava prestes a implorar para ele a mandar embora, quando ouviu sua voz baixa.
“Eu não sei o quê, Leah.” Seu tom era anormalmente calmo. Leah abaixou as mãos, seus ombros tremendo.
Os olhos de Ishakan estavam mais gélidos do que nunca. Ele mal conseguia controlar sua raiva.