Casamento Predatório

Capítulo 136

Casamento Predatório

Morga deu a Ishakan a poção que acabara de testar no braseiro. A Princesa não estava em condições de tomá-la sozinha, então Ishakan a colocou na própria boca e a beijou, pingando-a aos poucos na boca dela. O corpo mole dela se contraiu um pouco. Quando acabou, ele abriu os lábios dela para se certificar de que ela tinha engolido.

Sem hesitar, ele mordeu o dedo, rompendo a pele para que o sangue jorrara. Colocando o dedo sangrando na pequena boca da Princesa, ele esfregou seu sangue na língua dela e a fez engolir.

“……!”

Os olhos semi-cerrados da Princesa tremeram. Morga atiçou o braseiro, soltando grossas nuvens de fumaça. Leah sacudiu a cabeça, tentando tirar o dedo da boca, e até mordeu com força, mas Ishakan não cedeu. Em vez disso, ele o empurrou mais fundo. Lágrimas começaram a encher seus olhos.

“Ahhh!!” O grito dela rasgou a noite. Seu pequeno corpo tremeu, quase convulsionando. Ishakan a segurou com força enquanto ela se contorcia de dor insuportável, mordendo e arranhando-o freneticamente.

“Dói, dói, dói muito…!” Ela chorou desesperadamente, soluçando enquanto implorava: “Ahh, me mata, só me mata…”

Mas as mãos que seguravam seu corpo permaneceram firmes, e Ishakan deslizou outro dedo na boca dela para impedi-la de morder a língua.

“Não, Leah.” Ele sentia dor, mas não era dor física. As mordidas e arranhões dela eram como cócegas para ele. “Vou deixar você fazer o que quiser, mas não isso.”

Ele tentou acalmá-la, mimando-a ainda mais. Ele esfregou o rosto na bochecha dela, encharcada de lágrimas, sussurrando.

“Não diga essas coisas…”

Ishakan parecia frágil enquanto segurava a Princesa em seus braços e continuava sussurrando para ela. Os olhos de Morga tremeram enquanto observava, e ele abaixou a cabeça.

“……”

Morga sabia que esse apego não era superficial, mas os sentimentos de Ishakan eram muito mais intensos do que ele havia imaginado. Entre os Kurkans, dizia-se que a tribo dos lobos dava todo o seu coração ao escolher um companheiro. Mas Morga não esperava que Ishakan agisse assim.

O Rei dos Kurkans nunca tinha sido derrotado, Morga pensou. Mas ele poderia estar começando a conhecer esse sentimento por causa da Princesa.


Empoleirado no alto de uma árvore, Haban olhava para a distância. Ele podia ver uma nuvem de poeira de um grande grupo galopando. Estreitando os olhos enquanto os observava cuidadosamente, Haban falou para Genin, sentada abaixo dele.

“Genin, você se lembra da primeira vez que conheceu Ishakan?”

“Claro que me lembro.”

Haban da tribo dos gatos e Genin da tribo dos lobos tinham sido escolhidos como escoltas para o antigo Rei dos Kurkans. Enquanto trabalhavam ao lado dele, eles tiveram que assistir aos seus atos malignos. Eventualmente, eles não conseguiram mais suportar e fugiram, mas foram rapidamente capturados e presos. Ishakan apareceu assim que eles tinham sido obrigados a escolher entre lealdade ou morte.

“Nunca vi um ser tão poderoso e bonito.”

“Também perigoso”, disse Haban.

Genin assentiu. Embora Ishakan frequentemente fumasse tabaco para suprimir, ele tinha um instinto indomável e selvagem que não conseguia esconder.

“Mas é diferente quando ele está com a Princesa”, disse ela. Quando estava com Leah, Ishakan estava sempre calmo, como se estivesse no lugar mais tranquilo.

“Acho que a Princesa é a companheira perfeita.” Os lábios de Haban se curvaram enquanto ele olhava para o grupo galopando cada vez mais perto. Diante de centenas de cavaleiros, ele não mostrou medo. Apesar da clara vantagem numérica, seus olhos brilhavam. Lutar e matar eram essenciais para os Kurkans.

“O Príncipe Herdeiro está na liderança”, disse Genin, observando o grupo que se aproximava atentamente. “Aquele cara atormentou a Princesa demais. Não podemos deixá-lo levá-la embora.”

Com suas palavras, Haban focou seus olhos no príncipe à frente dos cavaleiros. Enquanto o via avançando, Haban sorriu maliciosamente.

“Devemos tratá-la adequadamente. Ela é nossa agora.”

“Você está certa.” Medindo a distância para confirmar que Blain estava ao seu alcance, Genin ergueu seu arco. “Ela não é mais a Princesa de Estia.”

Lentamente, ela puxou a corda do arco. Os músculos de seus braços incharam enquanto ela mirava e soltava sua flecha no momento certo. Quando a flecha disparou, ela falou, com o rosto inexpressivo.

“Ela será a Rainha dos Kurkans.”

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