Casamento Predatório

Capítulo 56

Casamento Predatório

No fim das contas, Leah decidiu ficar com o vestido e não devolvê-lo. Como não poderia usá-lo em qualquer ocasião, apenas ordenou que fosse guardado até que ela decidisse quando seria apropriado usá-lo. Com essa decisão, as damas do palácio real puderam ver e apreciar a seda roxa dos Kurkans em primeira mão.

Parecia que, agora, Ishakan sabia como manipulá-la, fazê-la fazer o que ele queria. Ele sabia qual era a fraqueza dela, então ela não teve escolha a não ser aguentar.

Apesar do caráter tortuoso dele, ela não conseguia deixar de sentir uma estranha emoção que não conseguia descrever.

Leah decidiu que não precisava se preocupar em analisar uma emoção que não conseguia definir claramente. Era perda de tempo. Mas também porque ela teve a sensação de que descobrir isso agora não era a hora certa.

Mesmo no início, ela não conseguia externar suas emoções facilmente. Embora todos soubessem que ela estava descansando, sua agenda atribulada ainda a fazia desabar de vez em quando.

Finalmente chegou o dia do almoço. Todos estavam ocupados desde o raiar do dia.

Desde que a ordem de restrição de entrada no palácio havia sido suspensa, ela teve que cuidar de todo o trabalho que havia sido adiado desde o seu acidente. Mais tarde à noite, ela marcaria uma reunião com o Ministro das Finanças Laurent e o Conde Valtein.

Apesar dos preparativos para o almoço terem começado cedo, ela tomou seu tempo para se preparar, contrastando com a agitação dos preparativos das damas para o almoço.

Como iriam almoçar no jardim, seu cabelo foi penteado com flores frescas e adornado com joias. O vestido que usava era de cor suave, bordado com uma linha da mesma cor do tecido. O design era simples, mas elegante.

Foi sugestão da Baronesa Cinael. Ficou tão bem que todas as damas e cavalheiros do palácio admiraram sua aparência impecável. Até a Condessa Melissa a elogiou com apenas uma observação.

“Se o Conde Valtein a vir hoje com essa roupa, com certeza ficará maravilhado!”

No meio de tantos elogios, Leah deu o toque final, suas luvas de renda branca. E então saiu mais cedo.

No entanto, nenhuma carruagem estava disponível em frente ao palácio da Princesa. O cocheiro, visivelmente nervoso, estava apenas parado e esperando do lado de fora. Ela não precisou perguntar o que aconteceu.

“Faz tempo, Princesa.”

Um homem fingindo ser educado, mas cometendo um ato inacreditavelmente rude, esperava por Leah. Leah ouviu as damas que a seguiam ofegarem alto ao ver o homem, antes de pararem alguns passos atrás dela.

De qualquer forma, Ishakan sorriu para Leah. Seus olhos dourados brilhavam intensamente com o reflexo da luz do sol. Quase como se seus olhos fossem o próprio sol.

Leah piscou para ele, observando-o cuidadosamente.

Parecia que ele veio sozinho. Embora não houvesse nenhum cavaleiro de escolta para acompanhá-los, ela não descartou a possibilidade de alguém estar escondido por perto e seguindo-o, como da última vez.

Ele a encarava há algum tempo, deliberadamente sem tirar os olhos dela. Leah só falou em tom confiante, depois de se certificar de que ele não tinha truques na manga.

“Vossa Alteza, como o senhor chegou até aqui? O local do almoço não é aqui”, ela apontou, fingindo curiosidade.

Ishakan simplesmente ignorou o tom ameaçador em sua voz. Era exatamente o que ele esperava dela.

“Ouvi dizer que existe uma etiqueta no continente que os homens devem acompanhar uma mulher de prestígio.”

Ele estava se referindo a uma escolta. No entanto, desta vez, era apenas um almoço onde apenas algumas pessoas se reuniriam, e, portanto, ter uma escolta seria irrelevante. Isso é especialmente verdadeiro para oficiais como o Rei de Kurkans e a Princesa de Estia.

Ele provavelmente não sabia que a etiqueta complicada e difícil deveria ser aplicada dependendo da situação.

Não…

Quanto mais ela pensava sobre isso, mais Ishakan parecia ser o tipo de pessoa teimosa o suficiente para fazer o que quisesse, independentemente de entender completamente os costumes do lugar. Ele fez isso porque podia.

Então, em vez de apontar seu erro, Leah decidiu mudar de assunto.

“Eu queria devolver o vestido para o senhor”, ela admitiu, e os lábios de Ishakan se curvaram em um sorriso presunçoso.

“Mas a senhora não pode.” Ishakan manteve um sorriso gentil enquanto a olhava. “A senhora está fazendo isso porque quer aproveitar o almoço sem mim, princesa?”

Leah achou que sentiu um pouco de náusea. Seu coração também bateu um pouco mais rápido. O chá preto que ela tomou de manhã estava muito forte, então ela pensou que era a razão para isso. Ignorando a sensação incômoda, ela respondeu friamente.

“O senhor está tentando me agradar como fez com o Conde Valtein?”, ela perguntou, estreitando os olhos para ele.

As damas do palácio ficaram paradas, observando nervosamente os dois enquanto prendiam a respiração e engoliam em seco. A Baronesa Cinael apenas brincava com o lenço que segurava na mão.

Ishakan caiu na gargalhada na frente de todas as damas.

“Conquistar a princesa com um simples vestido de seda… Não é muito barato?”, ele sorriu maliciosamente, e Leah lutou contra a vontade de zombar.

Sua cabeça estava inclinada para baixo. Como a diferença de altura era de uma cabeça, ele só conseguia sussurrar em seu ouvido abaixando a cabeça e se curvando.

“Eu só dei isso para substituir o vestido rasgado que a senhora tinha, Leah.”

De repente, uma lembrança a invadiu, ela ainda conseguia se lembrar vividamente de como seu vestido foi rasgado e jogado na cama de tuberosas.

O calor subiu às suas bochechas.

Ele observou o rosto assustadoramente branco de Leah que lentamente ficava vermelho. Era divertido testemunhar as bochechas da princesa mudarem de cor.

“A senhora vai usá-lo para mim? Eu escolhi esse vestido com cuidado, pensando que ficaria bem na senhora.” sua voz baixou, enquanto ele falava para ela em um tom rouco.


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