Casamento Predatório

Capítulo 54

Casamento Predatório

Cerdina ficou sem palavras, continuando a encará-lo atônita. O silêncio tenso se quebrou após um momento.

“Mas eu estou fazendo isso por você!”, exclamou ela, o tom indignado cortando a fala dele.

Blain optou pelo silêncio, mesmo ouvindo o tom agudo e ríspido dela. Preferia o silêncio a responder à mãe.

Ele considerava prudente não confrontar a mãe sobre suas opiniões a respeito de suas decisões – certas ou erradas.

Cerdina arquejava, o peito subindo e descendo enquanto o olhava confusa. Sua respiração ofegante preencheu o silêncio enquanto ela esperava uma resposta.

Após alguns momentos, finalmente se recompôs, retomando a postura impecável da rainha que era. Ignorando sua explosão, ofereceu-lhe outro sorriso gracioso, uma expressão artificial que contrastava com seus verdadeiros sentimentos.

Como rainha de Estia, ela sempre devia ser a imagem perfeita da graça e beleza.

“Nunca faria tal coisa, Blain.” insistiu ela suavemente. Blain apenas estreitou os olhos.

“Vou tentar acreditar então.”

“Vou me manter afastada enquanto ela se recupera, como você deseja, mas por favor,” ela então lhe lançou um sorriso brilhante que não fez nada para acalmar seus nervos, “peço que não desconte em mim na próxima vez.” Soltou um suspiro antes de voltar para seu lugar, jogando a raposa de peles no chão com frustração, contrastando com a importância que lhe dera inicialmente.

Ela pisou na raposa como se fosse um simples trapo.

“Talvez seja hora de conversar com aqueles… bárbaros.” Cerdina cuspiu as palavras como se fossem algo repugnante, antes de olhar para Blain novamente com um sorriso. “Você gostaria de jantar com eles?” esfregou o calcanhar do sapato na pele, limpando a sola.

Observou como a pele se amassava sob seus pés com certa diversão, antes de levantar o olhar novamente com um sorriso expectante.

“Espero que você consiga caçar um cervo dessa vez.” comentou com um suspiro pesaroso. “Estou enjoada de raposas. De preferência, um veado majestoso.”

Os olhos de Blain se estreitaram enquanto ele encarava a rainha. A discussão nunca durou muito – no fim, ele se viu concordando com o jantar, caindo direitinho na armadilha dela.

“Claro, mãe.” respondeu ele secamente.

Leah conseguiu descansar por vários dias depois de vomitar sangue e desmaiar. Ela se sentia ansiosa ao pensar na quantidade de trabalho atrasado. Por outro lado, também ficou feliz por não precisar mais ir à conferência.

Em um dia normal, seria difícil escapar das situações tensas com Cerdina. Além disso, independentemente de ter vomitado sangue, Cerdina a teria obrigado a ficar parada como uma boneca no salão de banquetes para cumprir seus deveres.

Mas isso não aconteceu graças a Blain, que proibiu a entrada nos aposentos da princesa enquanto ela se recuperava.

Blain tomou para si a tarefa de informar a todos que Leah havia adoecido repentinamente. Ele também ordenou que nenhum estranho pudesse entrar no palácio. Para impedir qualquer invasão, dobrou o número de guardas ao redor do palácio real e até mesmo enviou motoristas para proteger seus aposentos.

Mesmo Cerdina, acostumada a menosprezar as ordens do marido, não ousaria desafiar Blain. Blain sabia disso, então aproveitou a vantagem. Leah achou tudo estranho, mas não deu muita importância. Deixou para lá, pensando que era apenas mais um capricho de Blain.

Enquanto descansava no palácio, Byun Gyongbaek, de Oberde, mandava todos os dias um enorme buquê de rosas e joias.

Seus presentes apenas espelhavam sua personalidade chamativa.

Parecia que ele estava tentando reconquistá-la, esperando que ela esquecesse seu pecado contra ela. Leah achou levemente comovente o quanto ele se esforçava para conseguir seu perdão com a quantidade exorbitante de presentes que mandava todos os dias.

Mas, apesar de saber disso, ela nunca chegou a abrir nem um único presente – a Condessa Melissa devolvia tudo ao remetente. Ela nem sequer conseguia aceitar um para dar uma olhada. Ela apenas era informada de que Byun Gyongbaek havia enviado presentes.

Quando perguntada sobre o motivo de devolver os presentes, a Condessa Melissa simplesmente deu de ombros.

“O buquê era grande demais. Pensei melhor e resolvi virá-lo adubo antes de devolver”, respondeu ela altivamente, e Leah riu.

“Ótimo. Faça isso com quaisquer outros presentes.” Leah elogiou, e Melissa assentiu.

“Claro! E para amanhã, princesa…” ela interrompeu a frase, desviando o olhar nervosamente antes de baixar a voz, cautelosa com as empregadas ao redor, “a rainha solicitou sua presença. Parece que ela vai almoçar com o Rei de Kurkans.”


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