
Capítulo 48
Casamento Predatório
Perdida em seus pensamentos, Leah não percebeu que estava olhando por tempo demais para a tatuagem de Genin, sua atenção presa ao intrincado desenho na pele. Notando o fascínio da princesa, Genin puxou a manga, permitindo que Leah a visse melhor.
Ela mostrou o antebraço e disse a Leah: “Só tenho uma tatuagem.”
Felizmente, ela não pareceu achar a curiosidade de Leah indelicada. Leah hesitou um momento, ponderando se seria apropriado perguntar à mulher Kurkan, antes de fazer a pergunta que a intrigava.
“Eu achei que todos os Kurkans tinham tatuagens, mas parece que o rei não tem nenhuma.”
Depois de proferir tais palavras, suas bochechas ficaram vermelhas de vergonha. Era como admitir que já havia visto Ishakan despido, em toda sua glória. Mas, felizmente, Genin pareceu indiferente, sem dar importância ao comentário.
“Sim, o Rei Ishakan não tem nenhuma tatuagem.” Os olhos de Genin brilharam com adoração. Seu tom estava cheio de orgulho pelo Rei Kurkan.
“Significa que ele nunca perdeu uma luta.”
Leah já havia ouvido histórias sobre os Kurkans determinando sua posição pela força. Mas era a primeira vez que ouvia o significado das tatuagens para eles. Além disso, saber que ele nunca havia perdido uma batalha…
Era uma história surpreendente que, de alguma forma, parecia lógica. A derrota não combinava com Ishakan. Era mais apropriado para ele sentar no trono mais alto e olhar vitoriosamente de cima. Leah pensou nos olhos dourados e impertinentes de Ishakan enquanto falava.
“O rei me ajudou ontem.”
Ela puxou sua manta, tomada pela vergonha, e continuou a falar lentamente.
“Por favor, transmita minha gratidão.”
“Eu direi ao Rei.”
Genin sorriu pela primeira vez. Com um desconforto crescente, Leah rapidamente mudou de assunto. “Você pode trazer estas roupas também?”
“Tudo bem, princesa. O rei tem alguns afazeres, então ele não está aqui no momento. Eu a levarei ao palácio.”
Leah ponderou sobre qual seria a melhor opção – ir ao palácio com Genin ou mandar as criadas virem até ali. Ambos os cenários eram péssimos. O último parecia um pouco melhor do que ir visitá-lo pessoalmente, no entanto, entre as criadas, havia algumas que tinham medo dos Kurkans.
Até mesmo a Condessa Melissa sentira medo ao encontrar Ishakan. Depois de pensar por alguns momentos, Leah decidiu não incomodar suas criadas pedindo que viessem até ela e, em vez disso, optou por ir ao palácio com Genin.
Com a ajuda de Genin, Leah conseguiu se vestir adequadamente. Embora a guarda de escolta do rei fosse um pouco desastrada, provavelmente desacostumada a atender uma princesa como Leah, ela ainda a ajudou com entusiasmo. Enquanto a ajudava a vestir um vestido macio, Genin também fez esforços para conversar com Leah, apesar de não ser muito boa em conversas.
Era sua tentativa de fazer Leah se sentir mais confortável perto dela e, de quebra, queria causar uma boa impressão nas mulheres Kurkan. E, julgando pela calma e confiança da princesa em sua volta, parecia que ela havia conseguido.
Assim que Leah estava vestida, o braço de Genin imediatamente envolveu sua cintura para apoiá-la.
Como Leah não conseguia andar com os arranhões e ferimentos em seus pés, Genin a carregou em seus braços – um braço sob suas pernas e o outro apoiando suas costas, como um noivo carregando sua noiva.
“Por favor, me desculpe, princesa.”
Assustada, o olhar de Leah subiu para o céu, mas unilateralmente decidiu que era melhor se apoiar em Genin. Naquela posição, elas foram direto para a carruagem. Ela estava grata pelo forte apoio que Genin estava lhe dando.
Enquanto andava na carruagem, a mente de Leah divagava, presa em seus pensamentos, enquanto seu entorno começava a mudar. Logo, ao se aproximarem do palácio, ela começou a se preocupar com os problemas que havia deixado de lado até agora.
Uma sensação desconfortável se instalou; a figura imponente do palácio ao longe deixou uma sensação intangível de pavor dentro dela.
Quando a carruagem parou, o impulso de não descer dominou Leah. Eventualmente, ela suprimiu seu desejo de ficar e abriu a porta, descendo do veículo. Naturalmente, seus pés tocaram o chão, mas ela continuou seus passos – a dor que veio com isso era a menor de suas preocupações.
Ela olhou para a entrada ricamente decorada. As paredes de calcário brilhavam ao sol, com a textura de giz macio.
Em ambos os lados, esculturas dos antigos monarcas guardavam a entrada; elas haviam sido feitas há muito tempo por gerações de artistas, colocadas em pedestais. A fonte que ficava na frente da entrada, onde a carruagem havia parado ao lado, majestosamente lançava vários jatos d’água claros do centro em belos arcos. O sol pegava as gotas, fazendo-as parecer diamantes chovendo em uma piscina d’água. Seixos perfeitamente aparados, transformados em várias formas de animais, delimitavam cuidadosamente a praça da entrada.
No entanto, apesar de tudo isso, a beleza do palácio não lhe trouxe muito conforto.
…
Uma sensação sinistra surgiu em Leah. Algo estava estranho. Quando a carruagem em que ela estava parou na frente da escada íngreme, ela esperava que alguém saísse para cumprimentá-la.
Mas ninguém podia ser visto para recebê-la.
Leah apressadamente entrou.
O palácio estava assustadoramente silencioso. A ansiedade borbulhava nela enquanto ela caminhava pelos corredores silenciosos, mas ninguém parecia estar andando por ali.
Genin, que estava atrás dela, disse com uma voz cautelosa: “Sua Alteza, deve haver alguém na sala de recepção.”
Com isso, as duas foram para a sala de recepção. Leah, que estava mancando, caminhou em direção à porta aberta da sala de recepção e congelou.
O que a fez parar foi a multidão que a recebeu. Das criadas do palácio real ao servente que fazia as tarefas da cozinha, todos estavam reunidos na sala de recepção.
Mas não foi a visão dos criados que assustou Leah, mas sim o homem reclinado na frente deles, tomando chá sozinho. Talvez fosse a aura que ele emanava, ou sua personalidade vil, o homem no meio era intimidante, fazendo os que estavam ao seu redor tremerem.
De onde estava, Leah podia ver os criados tremendo com a cabeça baixa, como se tivessem cometido um pecado grave.
O homem colocou o braço no encosto do sofá preguiçosamente e abriu a boca.
“Ah, você chegou cedo.”
Seus olhos azuis brilhantes se estreitaram para Leah.
“Esperei por você, irmã.”
Parecia que sua chegada não era nada inesperada – Blain estava esperando por ela.