
Capítulo 47
Casamento Predatório
Os primeiros raios de sol se esgueiravam pela janela, iluminando a princesa adormecida. A paz ao redor era embriagantemente rica, livre do caos, a convidando a permanecer ali para sempre. Em um sono profundo e doce, ela estava completamente alheia ao mundo exterior.
Para alguém que não conseguia dormir direito ultimamente, a tranquilidade do silêncio puro que a envolvia era um raio de salvação.
Depois de um tempo, ela finalmente despertou.
…
Uma Leah sonolenta acordou, desorientada. Atritou os olhos, tentando afastar os vestígios da sonolência.
Ah!
Levar os dedos aos olhos parecia mover montanhas. Seus membros gritavam em uníssono; a dor lancinante em seus músculos ia além do insuportável – era tão intensa que, ao se mexer, ela achou que ouvia o toque de sinos fúnebres em seus ouvidos.
Ela se debateu um pouco, mas se rendeu aos veementes protestos do corpo e caiu de volta na cama. Seus movimentos fizeram as roupas de cama que a envolviam farfalharem, emanando uma sensação fria e macia que a acalmou.
De repente, seus olhos se arregalaram ao perceber com o que estava se cobrindo. O tecido macio e elegante era, na verdade, seda; tingida de azul-marinho profundo. O brilho prateado refletido no edredom indicava que era de altíssima qualidade. Além disso, a mantinha aquecida, apesar de sua finura.
Um intrincado padrão de dálias noturnas e grinaldas era bordado com fios de ouro e bronze rústico. Na bainha, dois redemoinhos, que pareciam se assemelhar a ondas, contornavam o padrão floral. Toques de galhos e folhas também salpicavam o bordado entre o padrão do edredom, harmonizando com as dálias.
Era desnecessário dizer que era um padrão exótico completamente desconhecido para Leah. Não era um produto de Éstia.
Os olhos de Leah se abriram para o mar de índigo e ouro ao seu redor e, lentamente, ela examinou os arredores.
Acima dela, estava o dossel elegante de uma cama e um teto escuro pintado com formas de cavalos selvagens e dálias esculpidas na madeira. Uma borda dourada banhada a ouro circundava as bordas de onde o teto encontrava as paredes, que também haviam sido pintadas em um tom profundo de azul celeste.
Olhando ao redor, as paredes também apresentavam o mesmo padrão de seu edredom — delicados desenhos de redemoinhos eram encontrados em sua superfície. Ao seu lado, a escultura de uma cabeça de cavalo pendia acima, pairando sobre uma mesa circular de madeira de sequoia.
Não muito distante, uma enorme janela que ia do chão ao teto podia ser vista. Grandes cortinas malvas estavam fechadas para obscurecer a luz, embora alguns raios tivessem conseguido passar, iluminando o macio tapete de veludo.
Depois de observar a cor e os padrões únicos do quarto, ela gradualmente percebeu que estava, de fato, dentro do Palácio Real de Éstia. No entanto, o quarto em que ela estava era decorado no estilo Kurkan. Provavelmente, era assim que o palácio real, por cortesia, decorava os quartos onde os Kurkans ficavam.
Mas por que estou aqui?
Leah olhou fixamente para o recipiente colocado sobre a mesa de onde vinha um aroma refrescante. Estreitando os olhos, ela descobriu que sua origem era nada menos que um tabaco que Ishakan fumava.
Ela tentou se aproximar, mas foi interrompida por uma dor irradiante em seus pés. Ao enrolar a manta, ela viu seus pés enfaixados. Fragmentos de sua memória começaram a atingi-la enquanto ela observava os panos meticulosamente enrolados, das solas dos pés até seus finos tornozelos.
Então, eu bebi o vinho que Byun Gyeongbaek me ofereceu e…
Ao relembrar os eventos de ontem, sua boca entreaberta se alargou lentamente — o que havia acontecido entre ela e Ishakan se tornou claro. Imediatamente, suas bochechas ficaram vermelhas, como se estivessem prestes a explodir. Leah agarrou o travesseiro e, envergonhada, escondeu o rosto.
“Ahh…”
À medida que as lembranças de ontem passavam por sua mente, ela desejou não se lembrar de nada disso. Ela ficou horrorizada ao pensar em como havia se agarrado a Ishakan, chorando e implorando por sua ajuda de maneira tão desordenada e… imprudente. Sua boca proferiu palavras vergonhosas e deslavadas enquanto faziam amor.
Ai de mim! A princesa se comportara como uma fera, perdendo-se sob a influência da poção. Ela rasgou seu inocente travesseiro. Não importa o quanto ela se arrependesse do que havia acontecido naquela noite, ela não poderia desfazer suas ações.
…
Leah cuidadosamente enrolou suas pernas doloridas. A dor latejante era um lembrete vívido de como Ishakan a havia tomado selvagemente. O tom de sua pele bronzeada, escorregadia contra a dela, a textura lisa de seus músculos ondulados e o movimento rítmico de suas partes íntimas se batendo… uma contra a outra enquanto se uniam — seus membros estavam febril e doloridos enquanto ela se lembrava de como indomáveis eles haviam sido.
Ela não tinha certeza, mas certas partes de seu corpo provavelmente também estavam inchadas. Leah pretendia suportar a dor em silêncio, mas a sensação de desesperança invadiu-a lentamente.
Pela luz que vinha da janela, parecia ser meio-dia — o sol já havia subido alto no céu. Metade da manhã simplesmente havia desaparecido, Leah supôs. Ela percebeu que, devido à sua ausência, um pandemônio no palácio poderia já ter ocorrido. Pior ainda, ela se sentiu insegura sobre como resolvê-lo.
Seus dedos deslizaram por seus cabelos, separando-os de um lado. Ela não pôde deixar de suspirar com seus pensamentos confusos, que ela tentou organizar passivamente.
A primeira coisa que ela tinha que fazer era voltar ao palácio principal.
Leah forçou seu braço dolorido, que mal conseguia se mover, para puxar a corda pendurada no dossel da cama. Em resposta, um sino tocou e a porta se abriu após uma leve batida.
A mulher que apareceu tinha uma constituição bastante robusta, fazendo a porta parecer pequena em comparação. Física alta e musculosa, com pele profundamente bronzeada e ombros largos — todas essas eram características únicas de uma Kurkan. A mulher abaixou a cabeça e cumprimentou Leah educadamente.
Em troca, a princesa olhou a mulher nos olhos.
“É um prazer conhecê-la, princesa. Sou a guarda de escolta de Ishakan. Pode me chamar de Genin.”
Os olhos de Leah percorreram a mulher à sua frente. Ela não a tinha visto durante o banquete de boas-vindas e a conferência para os Kurkans. No entanto, apesar de não aparecer em público, para ser uma guarda de escolta, Genin devia possuir um alto status.
Para sua surpresa, Genin retribuiu seu escrutínio com um olhar igualmente curioso. Somente depois de um curto tempo Genin, que a estivera observando descaradamente, percebeu a grosseria de suas ações. Nervosa, ela se desculpou apressadamente com a princesa.
“Desculpe minha falta de educação por ficar olhando.” Um tom avermelhado apareceu no rosto brusco da mulher. “Fiquei simplesmente surpresa pelo fato de você ter um físico tão branco e pequeno.”
Sua observação seguinte também foi considerada rude em Éstia. No entanto, Leah achou sua franqueza bastante agradável, fazendo-a sorrir gentilmente em resposta.
Era verdade que ela era menor do que a média considerada para as mulheres. Além disso, sua pele clara era bastante extraordinária, especialmente quando combinada com seus cabelos prateados. Para os Kurkans, ela se parecia mais com um manequim de vidro do que com um ser humano.
“Peço desculpas. Por favor, perdoe minha falta de cortesia”, Genin expressou sinceramente seu remorso.
“Está tudo bem.” Leah insistiu, acenando a mão para a mulher, que estava se desculpando incessantemente.
Genin então se aproximou cuidadosamente da cama e colocou nela a bandeja que carregava.
“Trouxe algo leve para você comer”, disse ela com a cabeça baixa.
No entanto, foi hoje que Leah descobriu a disparidade entre a cultura dos estianos e dos kurkans. Uma bandeja, repleta de uma variedade de iguarias, com apenas o sortimento de pães tendo três andares de altura, era a definição kurkan de uma refeição leve.
Ela soltou um suspiro furtivo diante do espetáculo culinário. Então, hesitantemente, ela alcançou o pão de cima, com medo de que um toque errado e os pães delicadamente equilibrados desabariam.
“Estas são suas bebidas, mas não conheço suas preferências, então preparei estas… Isto é para sua sobremesa…”
Os copos que ela havia colocado sobre a mesa lotavam o pequeno espaço. O que estava na beirada a qualquer momento poderia cair e quebrar, derramando seu conteúdo. Leah estendeu a mão para salvá-lo de uma queda perigosa. Sua ação de pegar apenas um copo de leite surpreendeu Genin.
“Isto é suficiente para mim.”
“O quê??”
Devido à resposta chocada de Genin à sua escolha de comer apenas uma pequena quantidade de comida, Leah colocou mais uma fruta na boca. Observando-a comer, Genin se agitou desconfortavelmente. Ela cautelosamente elevou a voz em um tom apreensivo.
“A comida não está boa? Preparei comida estiana, no entanto…”
“Eu não como muito.” Leah respondeu secamente.
…
A expressão facial de Genin ficou ainda mais confusa — duvidando se a princesa estava tentando se matar de fome. Leah sorriu um pouco, como se lesse a mente de Genin. Ao mesmo tempo, parecia que ela também havia descoberto por que Ishakan optou por não expor Genin ao público.
A refeição de Leah terminou rapidamente com um pedaço de pão, um copo de leite e várias frutas. Enquanto recolhia os pratos, Genin lançava olhares furtivos para Leah, pensando internamente se ela desejaria comer mais.
No entanto, a determinação de Leah era inabalável. Para ela, ela já havia comido demais.
Enquanto Leah observava Genin limpando os pratos, ela notou uma tatuagem gravada no dorso de sua mão. Ao observar, ela percebeu que a tatuagem se estendia ao antebraço, coberto por suas mangas.
Ela subitamente se lembrou de Ishakan, particularmente de seu corpo, que estava surpreendentemente desprovido de quaisquer tatuagens.