Casamento Predatório

Capítulo 30

Casamento Predatório

Byun Gyongbaek apenas a encarou, boquiaberto. Leah tentou ignorar, reprimindo a risada que lhe subia à garganta, respirando fundo e expirando lentamente.

Ela sabia perfeitamente que Byun era o tipo de homem que se perdia com facilidade. Mas a imagem diante dela superava todas as suas expectativas. Ela se esforçava para conter a risada que borbulhava enquanto olhava para Byun Gyongbaek, de boca aberta, gaguejando de incredulidade.

“O-o quê!?” ele gaguejou indignado. Ishakan estalou a língua, detestando o fato de precisar repetir, mas o fez mesmo assim.

“Eu disse, estou interpretando o papel de uma prostituta. Sua surdez acompanha a velhice?”, rebateu, e Byun Gyongbaek ficou completamente pasmo.

“Como ousa, coisa imunda!”

“Que tal cuidar da sua saúde antes de arrumar uma noiva mais nova? Isso é algo sério para se preocupar.” Ishakan sorriu levemente para o rosto cada vez mais pálido de Byun Gyongbaek, antes que este ficasse completamente vermelho de raiva. E isso foi o golpe final, cravando uma cunha entre eles.

“Você não tem vergonha?!”

Leah observava de camarote, completamente divertida com os eventos que se desenrolavam diante dela. Quanto mais isso continuava, mais ela tinha que se esforçar para reprimir a risada que insistia em escapar. Ela até teve que se virar para evitar explodir em gargalhadas.

Do outro lado, ela pôde ver que o oposto era verdade para os ciganos. Eles se aglomeravam, encolhendo os ombros. Estavam claramente com medo.

Seguindo o olhar dos ciganos, ela os viu olhando assustados para Ishakan. Ela conseguiu ver alguns murmurando palavras uns para os outros, e ao olhar mais de perto, pareciam dizer “Kurkans”.

Enquanto os ciganos continuavam sussurrando, alguns perceberam Leah os observando. Cutucando seus companheiros, eles então voltaram seu olhar para Leah, antes de se calarem. Mas ela podia ver que ainda estavam sussurrando, apenas se certificando de que ela não conseguiria ler seus lábios.

Leah não foi a única a notar, porém.

O olhar de Ishakan percorreu a área, antes de se estreitar em direção aos ciganos. Ele ergueu uma sobrancelha, antes de se mover para o lado e indicar que Leah se movesse para trás dele. Ela o fez de bom grado, encontrando refúgio atrás de suas largas costas.

Ao ver isso, Byun Gyongbaek ficou ainda mais furioso.

“Eu tentei te mandar embora de boa, mas agora você só está pedindo para se meter em encrenca!”

De repente, os cavaleiros de Byun Gyongbaek avançaram, brandindo suas espadas. Os espectadores começaram a gritar de medo e se dispersaram sem hesitar. Enquanto isso, Leah mordeu o lábio enquanto assistia aos eventos saírem do controle.

Para quem observava de fora, parecia que esses eventos eram apenas o resultado de uma explosão repentina de raiva, mas ela sabia que não era verdade. Tudo isso era um ato premeditado, uma encenação.

Pois Byun Gyongbaek sabia que sua posição e poder derivavam de um único fato: a guerra em curso com os Kurkans. Em seu desespero por manter seu poder e controle, ele elaborou um plano que, sem dúvida, causaria caos e destruiria o tratado de paz.

Se o Rei dos Kurkans levantasse sua espada contra ele dentro do reino de Estia, isso poderia arruinar todos os esforços para manter o tratado.

Ishakan e Byun Gyongbaek sabiam o que isso significava, a história por trás dos bastidores. Mas apesar de saber que Gyongbaek tinha um motivo oculto, Ishakan não era do tipo que se acovardava diante de um desafio. Ele não ia recuar.

Ele soltou uma gargalhada, zombando deles enquanto eles levantavam suas espadas contra ele e deu a Gyongbaek um sorriso presunçoso.

“Você acha que isso é tudo o que seria necessário para me derrotar?”, perguntou, até seus olhos transmitiam uma clara sensação de vitória. “Responda-me, você acha que *isso* seria suficiente?”, exigiu.

Leah sentiu a pele arrepiar e arrepios percorrerem sua espinha enquanto observava o Rei Kurkan. Ele era um espírito selvagem. Ela se sentiu cambaleando e percebeu alguém atrás dela. Quando ela se virou para olhar, soltou um grito ao perceber que era um rosto familiar.

Era o homem de pouco tempo atrás, aquele que apareceu de repente no beco. Lá estava ele, dobrando um joelho diante dela, como faria ao prestar homenagem a alguém que respeitava muito, e sussurrou suavemente.

“Sua Alteza, Ishakan e Byun Gyongbaek levarão um tempo considerável para terminar, aceitaria humildemente meus serviços?”, perguntou-lhe em um sussurro. Ele estava insinuando que a qualquer momento, os dois homens poderiam começar uma luta, e Leah não queria ser pega no fogo cruzado, então ela deu um pequeno aceno de cabeça.

Ele fez um gesto brusco para que ela o seguisse em direção ao beco. Leah havia dado dois passos, quando os cavaleiros começaram a se lançar contra Ishakan. Ao som de espadas chocando, as pessoas soltaram gritos, correndo em direção à proteção de suas casas.

Leah tentou olhar para trás para assistir, mas uma mão insistente a manteve em movimento.

“É muito perigoso parar e olhar, Sua Alteza. Precisamos continuar!”, ele a apressou, “Rapidamente agora!”

Por mais que ele quisesse fugir e levá-la para um lugar seguro, a poucas quadras da luta, Leah não conseguiu evitar parar. A curiosidade a dominou e ela se virou para ver como a luta estava progredindo.

Quando ele percebeu que ela não estava mais o seguindo, ele se virou e conteve um palavrão ao vê-la parada ali, assistindo.

“Não!”, exclamou, e rapidamente a alcançou, “Por favor, se você ficar, vamos ter problemas!”, implorou, “Eu vou morrer!”

Mas seus apelos caíram em ouvidos surdos. Leah estava fascinada pela luta, observando como os cavaleiros foram rapidamente superados por Ishakan. Ela havia ouvido falar do poder dos Kurkans, mas nunca testemunhara algo assim.

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