Demon King of the Royal Class

Capítulo 433

Demon King of the Royal Class

Adriana possuía habilidades físicas muito além das de uma pessoa comum, o que lhe permitiu chegar rapidamente à Torre do Portão de Bronze.

Contudo, o sol estava se pondo lentamente.

Daibun dissera que ela teria que se separar de Loyar ao cair da noite. Embora a razão fosse desconhecida, era certo que ela precisava encontrar Loyar antes do anoitecer.

Antes da ocupação do Rotary Club, elas haviam vivido por muito tempo embaixo da Torre do Portão de Bronze, uma das muitas pontes grandes da Capital Imperial.

A Torre do Portão de Bronze, agora desprovida dos vendedores de doces, recuperara sua aparência original como uma agradável passagem que as pessoas estavam começando a evitar.

Adriana conseguia ver a longa passagem que levava por baixo da Torre do Portão de Bronze e sob a ponte.

Não havia nenhuma placa proibindo a entrada, e durante a ocupação do Rotary Club, a área sempre esteve repleta de mendigos, então as pessoas não se incomodavam em entrar.

Mas mesmo com os mendigos embora, a abertura profunda e escura do esgoto evocava um medo inato nas pessoas.

Ninguém entraria voluntariamente em um lugar assim.

O que sua irmã estava fazendo em um lugar desses? E todos os membros do Rotary Club sabiam disso?

Adriana escolheu um caminho diferente do das muitas pessoas que passeavam, caminhando em direção ao esgoto.

Com a partida do Rotary Club, as casas improvisadas feitas de tábuas remendadas haviam sido todas demolidas.

O esgoto, onde os mendigos costumavam se aglomerar e vomitar por causa do álcool barato, estava agora limpo, como se nenhum desses vermes tivesse jamais residido ali.

Os membros do Rotary Club tinham vivido ali por bastante tempo.

Como eles aguentavam os verões escaldantes e os invernos congelantes?

Mesmo nessa situação urgente, Adriana não conseguia deixar de se preocupar com eles.

No calor e no frio, essas pessoas sem para onde ir se aglomeravam e contavam umas com as outras para superar as dificuldades.

Era em Loyar que todos confiavam e dependiam.

Na vida já sofrida dos mendigos, quando os gangsters os ameaçavam e menosprezavam, Loyar sempre protegia os membros do clube.

Eventualmente, Loyar se tornou tão temível que ninguém ousava se meter com os membros do Rotary Club.

Antes que percebesse, Adriana havia se aventurado fundo no esgoto, onde nem mesmo uma única lanterna brilhava.

Como os arredores estavam completamente escuros, Adriana conjurou uma esfera de luz e caminhou lentamente para dentro do esgoto.

O esgoto não era um caminho reto. Era longo e vasto, mas havia seções ramificadas, e Adriana não conseguia dizer onde Loyar poderia estar.

Ela não pôde deixar de se surpreender com a existência de uma via fluvial subterrânea tão maciça sob a Capital Imperial.

Não havia razão para imaginar algo que ela não conseguia ver.

Neste esgoto longo e vasto, Loyar estava em algum lugar.

O que diabos ela estava fazendo aqui?

Com medo de se perder, Adriana decidiu se mover apenas para frente, pensando em sua volta. Dessa forma, quando fosse a hora de voltar, ela só teria que ir direto para trás.

O orbe de luz não conseguia iluminar toda a imensa rede de esgotos.

Conforme o tempo passava, Adriana não conseguia deixar de ficar cada vez mais ansiosa.

Estava quase anoitecendo quando entraram, então a noite cairia em breve.

Ela tinha que encontrar Loyar rapidamente. A julgar pela expressão de Daibun, havia uma clara conexão entre a noite e Loyar.

Quanto tempo ela já estava andando?

“Adriana?”

Um eco distante veio de algum lugar dentro do esgoto.

Sem dúvida, era a voz de Loyar.

“Irmã?”

As palavras de Adriana foram recebidas com um movimento distante.

“Adriana, o que você está fazendo aqui…”

Uma figura se aproximou, iluminada pelo orbe de luz que Adriana segurava.

Agora, graças aos cuidados e à higiene diligente de Adriana, uma Loyar limpa e bem cuidada caminhava em sua direção.

“Como você soube que eu estava aqui?”

Loyar, que havia se aproximado, não conseguia esconder sua expressão confusa enquanto tocava suavemente o rosto de Adriana.

“Havia muitos soldados no clube. Eu não sei o que está acontecendo… mas Daibun disse que eu te encontraria aqui.”

“Daibun? Como aquele cara…? E o que você quer dizer com soldados?”

Loyar inclinou a cabeça, aparentemente incapaz de entender o que estava ouvindo.

“Eu não sei. Daibun disse… que não voltasse para o clube em hipótese alguma. Foi o que ele disse.”

“Não voltar? E os soldados?”

“Eu não sei. Ellen estava com soldados fortemente armados, interrogando os membros do clube. Então Daibun me enviou pela passagem secreta no porão do clube, me dizendo para transmitir a mensagem…”

Embora Adriana não soubesse toda a história, foi Loyar quem pareceu ainda mais incapaz de entender a situação.

“Uma passagem secreta? Por que existe uma na sede?”

“…Você não sabia?”

Não, como sua irmã poderia não saber!

Apesar da urgência da situação, Adriana queria gritar.

“E… depois de entregar a mensagem, eu deveria me separar de você rapidamente… antes do anoitecer…”

Naquelas palavras, a expressão de Loyar endureceu.

Como se agora, tudo que havia sido incompreensível de repente fizesse sentido.

“Ah… aqueles bastardos… eles sabiam de tudo o tempo todo…”

Observando a expressão de Loyar, uma mistura de impotência, perda e uma onda de emoção avassaladora, Adriana pôde sentir algum tipo de paixão, embora não entendesse completamente a situação.

Adriana limpou o rosto várias vezes. Ela viu umidade brilhando nos cantos dos olhos de Loyar.

Assim como Daibun fizera, Loyar agora agarrou os ombros de Adriana.

“Sim, Adriana. Eu não consigo explicar em detalhes, mas entendi bem o que você está me dizendo. Então, como Daibun disse, vá embora depressa. E não volte para o clube também.”

“Irmã, o que está acontecendo? O que… o que está acontecendo?”

Adriana tremia com um medo indescritível.

“Adriana, você não deveria saber. É melhor não saber dessas coisas.”

Loyar abaixou a cabeça em resposta à pergunta de Adriana.

“Não saber é melhor para você.”

“Irmã… estou com medo. Nós… nunca mais vamos nos ver?”

Sem saber a causa, ela perde algo. Olivia quase foi sacrificada no monastério sem nome por razões desconhecidas até mesmo para si mesma.

Agora, Adriana começou a soluçar, sem saber o motivo, e com medo de não ver novamente as pessoas com quem ela havia se aproximado, e até mesmo Loyar.

Os olhos de Loyar estavam cheios de determinação.

Como se tentando suprimir e engolir à força alguma emoção fervente.

“Vá! Não há tempo para cuidar de uma criança como você!”

“Mas-mas, irmã…”

Vendo a raiva de Loyar pela primeira vez, Adriana deu alguns passos para trás.

“Apresse-se… Apresse-se e vá… A noite está chegando… Quando a noite cair… eu não vou te reconhecer mais…”

O que havia de tão importante na noite?

Adriana não entendeu o que Loyar estava dizendo.

Algo terrível estava acontecendo.

Agora que a sequência de eventos havia começado, a única coisa que Adriana tinha a fazer era fugir.

De tudo isso.

E de Loyar, que estava prestes a enfrentar a noite.

Logo, Adriana pôde ver a expressão de Loyar se contorcer em agonia enquanto ela tentava mandá-la embora.

“Droga… Droga.”

Como se sentindo algo.

Das trevas atrás delas, uma voz suave ecoou pelos esgotos.

“Eu as encontrei aqui.”

Dentro da luz branca que Adriana havia criado, alguém estava caminhando em direção a elas.

“Tia.”

O manto do deus sol.

Ellen Artorius, empunhando a espada do deus lua, estava se aproximando lentamente delas.

Loyar encarou Ellen que se aproximava com os olhos arregalados.

Adriana também podia ver.

Ellen estava cercada por uma aura como névoa azul, e a espada divina do deus lua, Lamentação, parecia estar queimando com chamas azuis.

“Espada… Mestre?”

Adriana murmurou, sua voz esgotada de energia.

“Você… Você monstro… Quando você chegou aqui…?”

Loyar estava tão surpresa quanto.

“Tenho muitas perguntas. Sobre coisas que não tentei descobrir até agora, coisas que achei estranhas, mas não perguntei… Agora vou perguntar.”

Ellen olhou silenciosamente para Loyar, que a havia derrotado inúmeras vezes.

“Então, você tem que ser honesta comigo.”

Como se preparada para uma luta, mas sem fazer o primeiro movimento, Ellen falou com Loyar enquanto mantinha sua Armadura de Aura e Espada de Aura.

Loyar encarou Ellen em silêncio.

Ela pensara que a taxa de crescimento dessa monstra superava a de uma criminosa ou até mesmo de uma gênia.

Mas já ter se tornado uma Mestre Espadachim.

E por seu olhar e comportamento, parecia que ela já tinha certeza de algo.

A irmã mais nova do herói.

Ellen Artorius.

Ela conseguiria escapar?

Não.

A intuição de Loyar lhe dizia.

A fuga era impossível. Não por causa das habilidades de Ellen.

O tempo estava se aproximando.

“Garotinha de cabelo preto.”

Endereçando alguém que já havia cruzado a linha para o reino do inumano, uma pessoa preciosa para seu senhor.

“Me derrote.”

“…?”

“Me derrote, não importa o quê.”

Ellen franziu a testa com as estranhas palavras de Loyar.

Ainda em choque, o ombro de Adriana foi agarrado por Loyar.

E então—

-Whoosh!

“Ah, irmã!”

“!”

Loyar jogou Adriana em direção a Ellen, que apressadamente desconjurou Lamentação e a pegou.

Loyar sabia que o senhor havia ido para longe para uma tarefa perigosa.

Mas Loyar não podia ir com ele.

Nascida com um destino de cair em uma loucura irreconhecível a cada noite de lua cheia, ela não podia seguir Valier.

Seu destino amaldiçoado também se tornaria a maldição do senhor?

Ellen não entendeu o que Loyar estava dizendo.

Mas, segurando a atônita Adriana, ela conjurou Lamentação novamente.

“Irmã… por quê? Ellen, por quê…?”

“Dê um passo para trás.”

Ellen olhou silenciosamente para Loyar.

A noite da lua cheia estava se aproximando.

-Groooowl

“Grrr… grrrrr…”

Seu focinho alongou, e pelos brancos começaram a brotar por todo o corpo de Loyar.

O rosto de Adriana ficou pálido ao ver aquilo, e Ellen cerrou os dentes.

“A Besta… Branca… Licantropo… Preguiça…”

A besta branca que havia aparecido durante o ataque do Rei Demônio.

Licantropo Preguiça.

Não havia evidência mais forte do que essa.

Seguindo o longo e sinuoso caminho.

Conectando os inúmeros eventos do passado.

Finalmente.

Ellen chegou a uma conclusão clara.

“…”

Uma lágrima caiu do olho de Ellen.

“Ah, irmã… irmã…?”

Adriana percebeu o que havia ouvido enquanto assistia Loyar se transformar em Licantropo Preguiça.

A razão pela qual Loyar ocasionalmente havia ficado ausente por dias.

Esta noite era a noite da lua cheia.

Aquele a quem ela dera seu coração e sua vontade não era humano.

-Growl

“Grrrrr…”

Vendo Loyar transformada na besta branca, as lágrimas de Ellen continuaram a fluir, seus olhos cheios de determinação.

“Mas, não pode… não pode ser… por quê… por quê…”

Adriana também começou a chorar de terror e horror, tremendo de choque.

Me derrote.

Ellen entendeu o que aquelas palavras significavam.

“Senhora, dê um passo para trás.”

Deve ter significado que ela não queria machucar Adriana.

A pessoa que sempre a havia derrotado e tentado matá-la à primeira vista.

Ellen Artorius finalmente entendeu qual havia sido sua intenção de matar.

Então por quê.

Por que mesmo.

Algumas perguntas foram respondidas, mas as respostas apenas levaram a mais perguntas.

-Grrrrrr.

O rosnado baixo da besta branca ecoou sinistramente por todo o esgoto. Ellen respirou fundo, enfrentando a besta branca que havia revelado sua verdadeira forma, uma forma que não podia mais esconder.

A besta branca havia perdido a razão.

“Senhora…”

Enfrentando o Licantropo Preguiça, que se abaixou e se preparou para atacar.

O cão de caça de Irene.

Não.

Grande Rio Irene.

O lobo branco daquele lugar.

O lobo branco do Grande Rio.

“As coisas serão diferentes agora.”

A Mestre Espadachim Ellen Artorius ergueu sua espada.


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