
Capítulo 215
Demon King of the Royal Class
Noite.
Ellen terminou seu treinamento na sala de treinamento e se dirigiu ao restaurante.
Ficou sem palavras.
Ele tinha acabado de ir ao dormitório da turma Orbis e brigado com os alunos; pior ainda, tinha se enfrentado com um veterano e desmaiado depois de se forçar a usar o Reforço Físico Mágico.
Ele ficou inconsciente por quatro dias.
Quando Reinhardt acordou, todas as preocupações que ela tinha antes se evaporaram.
Ele estava vivo. Ele estava a salvo. Ela não precisava mais se preocupar.
Logo após sentir alívio, ela ficou furiosa.
Uma raiva tão intensa que era quase insuportável. Ela e Reinhardt pagaram o preço pelas tentativas desastradas.
No entanto, ela estivera em uma situação de risco de vida, enquanto Reinhardt apenas discutira com um veterano.
Ellen não conseguia pensar em nenhuma razão para ele fazer algo tão insano em tal situação.
Ela tinha muitas coisas para dizer a ele. Por que tanta pressa? Por que ele sempre escolhe fazer coisas tão perigosas?
Não faça isso nunca mais.
Eu sempre sinto que vou morrer ao te ver assim.
Eu senti que ia morrer, não você, quando vi que você não acordava.
Se ela dissesse essas coisas, ele pararia?
Ela não sabia, mas era isso que queria dizer a ele. Será que ele talvez deixaria de fazer essas coisas perigosas, pelo menos um pouquinho?
Qual era o sentido de fazer essas coisas? Por que ele estava se esforçando tanto assim?
Ellen só conseguia pensar em uma coisa.
Desde as Terras Sombrias, a diferença entre eles havia aumentado ainda mais. Ela aprendera a fortalecer seu corpo com poder mágico, e embora Reinhardt também tivesse ficado muito mais forte, a diferença absoluta em sua força havia se tornado ainda maior.
Então ele até mesmo a pediu para ensiná-lo a usar o Reforço Físico Mágico. Não funcionou, mas ela tentou forçar de qualquer jeito. No entanto, o que frustrava Ellen não era o fato de Reinhardt não conseguir, mas sim que ela não conseguia ensiná-lo corretamente, apesar de ter tentado.
Então era por isso que ele fez algo tão imprudente de novo? Será que ele achava que poderia ganhar algo se fizesse algo assim, já que havia despertado seu poder sobrenatural ao fazer algo imprudente?
Ele fez isso porque queria segui-la, que havia se tornado muito forte.
Ellen pensou que essa era a razão para a impaciência de Reinhardt.
Você não precisa fazer algo assim.
Reinhardt não queria se separar dela?
Se ela colocasse dessa forma, ela poderia entender a impaciência de Reinhardt até certo ponto. Ela estava com raiva, mas de alguma forma conseguia aceitar isso.
Assim sendo…
Ao chegar à cozinha do refeitório, Ellen pegou uma faca.
Ela sempre ouvira que comia demais, mas Ellen sabia que Reinhardt também comia muito. Algo como o mingau que eles tinham na enfermaria não seria suficiente para ele — ela ia preparar algo.
- Toc, toc, toc, toc
Ellen usou a faca sem dizer nada. Picou alguns legumes e carne de frango.
Ela pensou que poderia ser difícil para ele mexer a mandíbula, então usou apenas a carne macia da coxa e da sobrecoxa. Cortou um pouco menor do que o normal, para que ele não precisasse mastigar muito para engolir.
Antes, ela não sabia cozinhar nem nada parecido.
Não havia necessidade.
Em casa, seus pais preparavam as refeições para ela, e no Templo, seriam os chefs. Se ela sentisse fome entre as refeições, bastava comer alguns lanches.
Vários tipos de pão, carne seca, salsichas e biscoitos.
—Essas coisas eram suficientes para ela.
No entanto, elas não a satisfaziam mais. Quando Reinhardt não conseguia cozinhar nada para ela de vez em quando, ela não tinha vontade de colocar aqueles tipos de lanches na boca.
Ela estava cansada deles.
Nessas ocasiões, Ellen cozinhava sozinha ou não comia nada. Quando Reinhardt não estava por perto, ela era mais propensa a não comer nada.
Ela costumava se sentar em algum canto sozinha e comer várias coisas, mas agora que estava sozinha…
Ela se sentiu um pouco…
Sozinha.
Não, eu não estou sozinha, estou apenas entediada. corrigiu Ellen.
Ellen não estava mais comendo sozinha.
Ela não sabia cozinhar e não havia razão para aprender antes.
No entanto, ela havia aprendido.
Ela aprendeu muito observando-o por cima do ombro porque Reinhardt a provocava muito dizendo que ela também deveria cozinhar algo e servir depois, em vez de apenas comer a comida dele.
Ellen era habilidosa e tinha boa memória — por isso sabia cozinhar a maioria dos pratos que Reinhardt fazia para ela. Às vezes, ela os fazia sozinha.
Havia algumas coisas que ela conseguia fazer sem precisar tentar. Ellen conseguia obter esses resultados graças às suas excelentes características.
Cozinhar não era exceção ao talento de Ellen.
Honestamente…
Francamente…
Ellen achou que havia se tornado ainda melhor na cozinha do que Reinhardt.
Ela conseguia fazer coisas que nunca tinha visto antes, mas conseguia imaginar como poderia tornar o prato ainda mais delicioso depois de ver como Reinhardt os fazia.
Ela nem precisava tentar para saber.
Reinhardt cozinhava medindo vagamente os temperos e os ingredientes, então ela aprendeu a prever quanto tempero deveria ser adicionado para deixá-lo ainda mais saboroso.
Então, depois de assistir Reinhardt cozinhar um prato, ela conseguia cozinhá-lo ainda melhor.
No entanto, Ellen geralmente não se dava ao trabalho de pegar a faca em sua própria mão.
Quando Reinhardt ficava de mau humor e a forçava a fazer, ela não o fazia perfeitamente — um pouco sem graça, um pouco salgado demais.
Ou ela poderia deliberadamente omitir um ingrediente principal.
Ela fazia essas coisas de propósito.
Reinhardt então perguntava a ela por que ela não conseguia fazer antes, eventualmente consertando sozinho.
Ela tinha consciência de que o que estava fazendo poderia ser considerado ruim, mas não tinha más intenções.
Ela apenas pensou que se conseguisse fazer um trabalho melhor que Reinhardt e ele descobrisse, ele não teria mais vontade de cozinhar para ela.
Ela estava ciente de que aqueles eram apenas pensamentos imaturos e que era bastante rude.
No entanto, Ellen conhecia Reinhardt até certo ponto.
Se ela conseguisse cozinhar melhor que ele, isso machucaria o orgulho de Reinhardt. Ela frequentemente via Reinhardt fazendo beicinho enquanto resmungava para si mesmo enquanto cozinhava algo para ela na cozinha.
Ele fingia não gostar e estar incomodado com isso.
No entanto, quando achava que ela não estava olhando, ele sorria enquanto cozinhava.
Ellen sabia que ele gostava de cozinhar.
Se ele descobrisse que ela era realmente melhor na cozinha do que ele, isso tiraria todo o prazer que Reinhardt sentia enquanto cozinhava — Ellen sabia disso.
Ele acreditava que estava pagando-a por aprender esgrima com ela. No entanto, se acontecesse que ela não era apenas melhor que ele em esgrima, mas também em culinária, isso poderia machucá-lo.
Ela queria deixar algo em que ele fosse melhor que ela.
Ela esperava que isso preservasse a alegria de Reinhardt.
Foi por isso que Ellen nunca segurou a faca corretamente quando cozinhava na cozinha.
Ellen ainda não sabia como lidar com as pessoas adequadamente, mas quando se tratava de Reinhardt, ela parecia ter descoberto algumas coisas para se dar bem com ele.
Não.
Na verdade, essa pode não ser a razão pela qual ele gostava.
Só porque.
Havia momentos em que Reinhardt cozinhava apenas para si mesmo também.
Reinhardt sempre cozinhava para si mesmo. Se quisesse comer mais, ele simplesmente voltava para a cozinha enquanto a acusava de ser muito gulosa.
Se houvesse algo que ele dissesse que queria comer, ele ia e simplesmente cozinhava enquanto resmungava.
Se ele não conseguisse cozinhar porque não tinha os ingredientes, ele pedia à equipe para repor os ingredientes e cozinhava no dia seguinte.
Bem, ele parecia simplesmente gostar sem nenhuma razão em particular.
Ficaria melhor se ela fizesse sozinha, mas então ele não a importunaria mais perguntando o que ela queria comer e tal.
Se ela não dissesse nada, ele prepararia algo que ela nunca tinha visto antes, dizendo "Que tal isso então?", colocando-o diante dela e fingindo que não se importava particularmente, enquanto secretamente esperava por sua avaliação.
Se ela gostasse, ele a olharia com desprezo e lhe diria para agradecer.
Se ela dissesse que não estava gostoso, ele pegaria seu prato e lhe diria para parar de comer.
Isso não aconteceria mais.
Todas aquelas pequenas coisas…
Eram ótimas.
Esse era o tipo de cara que Reinhardt era.
Ele falava muito, era grosseiro e só escolhia as coisas mais detestáveis para dizer sem nenhuma razão.
No entanto, ele ainda faria o que ela pedisse. Ele fingia que não, mas na verdade se importava muito com os outros.
E ainda assim, estranhamente, ele ainda tinha uma personalidade bastante suja. Ele se envolvia em brigas ou as iniciava.
Ela ainda não conhecia Reinhardt tão bem.
No entanto, Ellen achou que isso era o suficiente.
Ela estava com raiva.
No entanto, sua raiva desapareceu antes que ela soubesse. Ellen nem se lembrava de ter ficado com raiva.
Ela preparou os ingredientes e os cozinhou em uma sopa sem perceber que estava começando a sorrir.
Assim como Reinhardt, ela cozinhava enquanto sorria inconscientemente.
Ela colocou o frango e os legumes na sopa. Ela os cozinharia até que os legumes ficassem desmanchando. Se estivessem bem cozidos assim, dava para não lavá-los direito. Se estivesse muito salgado, seria mais difícil de comer, então ela o fez menos salgado.
Como Reinhardt comia muito, Ellen fez bastante. Ela pensou que se ele comesse muito, melhoraria mais rápido.
Ela despejou a sopa pronta em uma panela e foi para a enfermaria do dormitório. Não havia nenhum de seus colegas nos corredores ou no saguão, provavelmente porque todos já haviam ido dormir.
* * *
Tradutora – KonnoAren
Revisão – ilafy
* * *
Ela viu o sacerdote de plantão cochilando na enfermaria. Eles estavam dormindo com os braços cruzados enquanto sentados em uma cadeira, então nem perceberam que Ellen entrou.
Embora dormir de plantão não fosse algo bom, Ellen não se deu ao trabalho de acordá-lo.
Ao entrar na enfermaria, Ellen pôde ver que Reinhardt estava dormindo.
Isso era plausível, já que era tarde.
“E-Ellen?!”
“Sim, você está aqui.”
No entanto, ela acabou encontrando os olhos de Harriet de Saint-Owan, que estava acariciando a cabeça de Reinhardt enquanto ele dormia.
Ela pareceu terrivelmente surpresa e retraiu a mão que o acariciava. Vendo que seu rosto estava incrivelmente vermelho, parecia que Ellen havia se deparado com uma cena que não deveria ter visto.
“A-a-aquilo. É. Uhm. E-e-ele me pediu para colocá-lo para dormir. Não! Q-q-quero dizer, não daquele jeito! Sim. Com m-m-mágica do sono…”
Harriet estava procurando desculpas, embora não fossem muito boas, enquanto Ellen apenas a encarava.
Era realmente algo tão vergonhoso?
Ellen não sabia.
Embora tenha sido apenas por um breve momento quando ela entrou no quarto, Ellen havia visto o rosto de Harriet enquanto ela acariciava a cabeça de Reinhardt.
—Ela havia visto o sorriso caloroso e gentil de Harriet.
Ela estava fazendo uma expressão que nunca faria na frente de Reinhardt quando ele estivesse acordado.
Ela nunca conseguiria mostrar isso a ele, mas quando ele estava dormindo, aparecia muito em seu rosto.
Se afeição fosse um tipo de substância, então aquela expressão e aquele olhar pareciam estar transbordando dela.
Parecia quase que estava transbordando.
Era realmente tão vergonhoso para outra pessoa ver aquela expressão?
Ellen tinha um pouco de inveja de Harriet poder fazer tal expressão.
Ela não sabia por que a invejava.
Ela só queria poder mostrar uma expressão assim também.
Ellen sentiu que era uma inveja inútil.
“A-a propósito… O que é isso? Cheira delicioso”, perguntou Harriet olhando para a panela que Ellen trouxera, talvez para mudar de assunto.
“Fiz sopa.”
“Sopa? É para…”
Harriet parecia um pouco confusa, se perguntando se ela a fizera para Reinhardt, mas Ellen apenas acenou com a cabeça sem expressão.
Ela tinha feito para Reinhardt, mas ele já estava dormindo com magia do sono, talvez porque a dor fosse muito intensa.
Ela tinha feito bastante de qualquer maneira.
“Quer um pouco?”
“O quê? Ah… P-posso?”
“Sim.”
Embora ela tivesse feito para Reinhardt, não havia razão para não dar um pouco a Harriet. As duas acabaram dividindo uma tigela de sopa na frente de Reinhardt dormindo.
Os olhos de Harriet se arregalaram quando ela deu uma mordida.
“Está deliciosa…”
“Que alívio.”
“Ellen, você também é boa em cozinhar…?”
A palavra “também” revelou que Harriet achava que Reinhardt também era um bom cozinheiro.
Harriet sabia que Reinhardt e Ellen cozinhavam algo todas as noites e que Reinhardt era geralmente quem cozinhava.
No entanto, Ellen também era boa em cozinhar, mas depois de ouvir os resmungos de Reinhardt, ela sabia que dificilmente cozinhava.
Mas como Reinhardt estava doente, Ellen havia conseguido cozinhar uma panela inteira de sopa sozinha.
Até mesmo o paladar de Harriet, que estava acostumado a comida luxuosa, ficou satisfeito com isso.
O que ela não conseguia fazer?
Harriet comeu a sopa, sentindo aos poucos uma estranha sensação de derrota.
Reinhardt aprendia esgrima com Ellen, então ele ficava trancado na sala de treinamento o dia todo se nada acontecesse. Ela já havia observado isso algumas vezes.
A curiosidade que ela sentia pelo treinamento de esgrima deles era diferente de seu interesse pela pesquisa mágica.
Não, ela não estava realmente curiosa sobre isso. Ela só queria ver o que os dois estavam fazendo o dia todo. Os dois naturalmente se aproximaram enquanto continuavam treinando um com o outro.
Havia também outra coisa em sua mente.
No início do primeiro semestre, Reinhardt, que não tinha talento, definitivamente havia ficado muito mais forte. Para ser honesta, Reinhardt no primeiro semestre era um cara estranho que tentava várias coisas sem saber de nada e só tinha seu gênio forte para si mesmo enquanto era fisicamente bastante fraco e tinha 0 conhecimento de esgrima, força física fraca e 0 conhecimento.
No entanto, ele havia aprendido a manejar uma espada de alguma forma.
Tudo graças a Ellen.
Harriet sabia que Ellen era talentosa além da comparação em esgrima e combate corpo a corpo.
Era natural que Reinhardt ficasse mais forte depois de ter aprendido esgrima com ela.
Foi por isso que ele ainda lutava com Ellen.
Mas…
Havia alguns pensamentos passando pela mente de Harriet.
Reinhardt era inteligente, então ele poderia ter aprendido magia.
Se Reinhardt tivesse aprendido magia em vez de esgrima…
Ellen era alguém sem igual no campo da esgrima.
Então Reinhardt passou todos os seus dias com Ellen, e assim, ele chegou aonde está.
Harriet não era alguém a ser subestimada.
Se o talento de Ellen pudesse ser chamado de ápice de todos os talentos de combate corpo a corpo, o de Harriet poderia ser chamado de ápice de todos os talentos mágicos.
Então, se ele tivesse decidido estudar magia com ela em vez de esgrima com Ellen…
Talvez eles tivessem passado o tempo juntos no laboratório de magia do dormitório o dia todo.
É assim que você faz. É isso que causa. Essa fórmula mágica pode ser ativada muito mais facilmente se você pensar assim.
Ela teria continuado ensinando-o assim.
Embora ele não fosse tão bom quanto ela, ele teria se tornado um mago bom o suficiente para ser colocado em batalha. Ele poderia ter ficado com ela o dia todo até o toque de recolher.
No entanto, esse navio já havia partido.
Reinhardt havia feito sua escolha.
—Reinhardt estava aprendendo esgrima com Ellen.
E eles não passavam tanto tempo juntos.
Harriet havia pensado em aprender alguma esgrima em seu tempo livre em algum momento. Afinal, aprender a arte da lâmina era prática padrão para crianças nobres.
Ela teria inventado alguma desculpa para se incluir em seus treinos, ou talvez tivesse se juntado ao treinamento físico dele.
Ela fingiria que não sabia de seu próprio desejo de apenas estar perto dele.
Claro, ela também estava muito curiosa para saber o que os dois estavam fazendo ali por tanto tempo.
Então ela acabou observando o treinamento de Reinhardt e Ellen.
O treinamento deles era muito diferente do que Harriet havia imaginado.
Ela pensou que eles haviam se aproximado depois de lutar e conversar muito um com o outro…
Mas apenas observá-los lhe dava arrepios.
Ellen o atacou instantaneamente enquanto Reinhardt tentava bloquear às pressas, mas ele simplesmente caiu, foi espancado e jogado para cima e para baixo várias vezes.
Enquanto Harriet assistia Reinhardt sendo espancado daquele jeito, ela tremeu.
Como ele pode fazer isso?
Não dói?
Não, como isso é treinamento?
Eles precisam ir tão longe?
Tais pensamentos apareciam em sua mente com bastante frequência.
Quase não havia conversa entre eles.
“Você está morto.”
“Seja um pouco mais… gentil. Eu sei, já…”
Eles apenas trocavam frases curtas assim um com o outro e repetiam a mesma rotina quase todos os dias.
Claro, havia uma quantidade considerável de contato físico sutil entre os dois que preocupava profundamente Harriet.
No entanto, era apenas parte de seu treinamento de combate corpo a corpo e técnica de submissão que era mais próximo de socos, hematomas e pancadas do que toque físico. Se o coração dele estivesse batendo forte nessas situações, pensou Harriet, seria por medo e nada mais.
Ela pensou que eles se tornaram amigos depois do treinamento, mas não seria estranho se Reinhardt tivesse sentimentos negativos em relação a ela, aos olhos de Harriet.
Então Harriet não continuou a assistir Ellen e Reinhardt treinando porque se sentia desconfortável em fazer isso.
Ela não conseguia observá-los mais porque apenas olhá-los a deixava sem fôlego.
O desejo de aprender esgrima havia desaparecido completamente de dentro dela.
Reinhardt continuou caindo antes de se levantar novamente.
Ellen continuou a dominá-lo sem ser influenciada por nenhuma forma de emoção, nem mesmo olhando para ele adequadamente. Ela apenas manteve a mesma postura e atitude em relação a ele durante toda a sessão.
Harriet achou que ambos eram pessoas de extraordinária força mental.
Se fosse ela, ela teria simplesmente acabado chorando em algum canto se fosse derrubada uma vez. Harriet percebeu o quanto era complacente pensar em aprender esgrima como um hobby.
Ela percebeu mais uma vez o quão abençoada ela era por apenas ter que sentar em uma mesa e ler alguns livros de magia.
Então…
No final, Ellen ensinou esgrima a Reinhardt.
“Você sabia cozinhar antes?”
“Não.”
Então, como forma de retribuir, parecia que ela aprendeu a cozinhar com Reinhardt — pelo menos era o que ela pensava.
“Como eu pensava… Você aprendeu com Reinhardt também?”
“…Digamos que seja assim.”
A resposta de Ellen foi bastante enigmática.
Harriet ainda estava imaginando Reinhardt ensinando Ellen a cozinhar.
Fervendo batatas, cortando legumes com uma faca e a aparência de Reinhardt gentilmente informando-a para ter cuidado para não cortar os dedos.
“…”
Só de pensar nisso, ela sentia arrepios. Ela nem sabia por que estava tão mal-humorada.
No entanto, na realidade…
“Ah, coloque isso aí.”
“Heeh, você terminou. Vamos ver se isso vale a pena comer.”
“Está totalmente sem graça, sabe? Você está em alguma dieta com pouco sal ou algo assim?”
“Se estiver sem graça, você deve adicionar sal ou açúcar, entendeu? Ei!”
“Ei, eu continuo dizendo para você não encarar as pessoas assim enquanto segura uma faca.”
A imaginação e a realidade de Harriet eram completamente diferentes. Sem perceber isso, Harriet ficou deprimida sem motivo depois de imaginar Reinhardt ensinando ternamente Ellen a cozinhar.
Embora ela soubesse que aquele cara não seria capaz de ensinar ninguém gentilmente em sua vida, ela não considerou isso.
Ainda assim, a situação de Harriet era melhor do que antes.
Ela havia conseguido forçar aquele cara, que havia ficado trancado na sala de treinamento do anoitecer ao amanhecer, a se tornar o presidente da Sociedade de Pesquisa Mágica.
Toda semana, em um dia determinado, Reinhardt teria que aparecer, embora resmungasse.
Esse era o tipo de cara que ele era.
Ele diria coisas estranhas sem motivo e até diria coisas estranhas para deixá-la com raiva sem motivo.
No entanto, ela sabia que ele sempre a ajudaria quando fosse importante.
Mas…
Harriet olhou para Ellen, que ainda estava comendo a sopa de frango.
Ellen gostava de Reinhardt?
Ellen definitivamente gostava dele, ela pensou. Caso contrário, ela não teria cozinhado aquela sopa para ele no meio da noite.
No entanto, ela não sabia o que estava pensando porque a expressão de Ellen não mudou muito. Ela quase não reagia às coisas, então ações ocasionais como ela cozinhar sopa como aquela se destacavam ainda mais.
Ellen era alguém tão diferente dela — ela não era facilmente abalada e possuía grande força mental, permitindo-lhe suportar tudo, não importava o que fosse.
Harriet sentia inveja de Ellen.
Assim como Ellen tinha inveja de Harriet de alguma forma, Harriet também tinha inveja de Ellen de alguma forma.
O que Ellen pensava de Reinhardt?
Embora ela não soubesse a verdade, ela percebeu que havia algo entre eles, pelo menos.
Ela queria que os dois fossem apenas amigos.
Eles são apenas amigos próximos, é só isso.
Eu sei que é só isso.
Eu sei que eles nunca seriam assim.
Harriet podia sentir seus desejos covardes surgindo — o desejo de acreditar nesses pensamentos.
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