
Capítulo 411
Reformation of the Deadbeat Noble
História Paralela – 7 Lance Patterson
A avaliação final dos aprendizes preliminares da Academia de Espadachim Krono finalmente havia terminado. O tema era demonstrar a técnica de espada que melhor revelasse o potencial de cada um, um teste tradicional que vinha sendo aplicado desde a época do Diretor Ian. Diferente das avaliações intermediárias, que revelavam superioridade ou inferioridade de forma intuitiva, esse teste podia soar um tanto abstrato.
Esse aspecto causou bastante estresse na maioria dos aprendizes. Felizmente, a aprovação ou reprovação não era decidida por uma avaliação relativa. Isso significava que não era necessário diminuir as conquistas dos outros ou se preocupar demais com elas. Por isso, os aprendizes ajudaram uns aos outros nos treinamentos, promovendo um clima de camaradagem.
Todos os aprovados recebiam felicitações, e os reprovados escutavam palavras sinceras de conforto e incentivo. Era um teste que permitia um desfecho positivo, em que o processo era tão bonito quanto o resultado, deixando para trás um sentimento de nostalgia, mas sem amargura. No entanto, nem todos eram indiferentes ao ranking.
Embora a aprovação fosse determinada por padrões absolutos, isso não significava que a avaliação final não tivesse uma classificação. Uma competição apropriada servia para incentivar ainda mais a motivação.
O terceiro lugar se esforçaria para alcançar o segundo, e o segundo buscaria o topo. Já o primeiro colocado continuaria treinando com afinco, sem se acomodar, visando outro momento de glória. Assim, formava-se um ambiente de influência mútua benéfica, com todos impulsionando uns aos outros de forma positiva.
Então, quem eram os melhores aprendizes da 34ª Classe Prata Verdadeira, considerada comparável à lendária 27ª Classe Dourada em termos de talento excepcional? Quem se destacaria como os rostos de uma geração, indo além de apenas se tornarem aprendizes oficiais?
Sem surpresa, Elena ficou em primeiro lugar, como todos esperavam. Era inevitável. Suas habilidades eram excepcionais a ponto de surpreender todos os colegas desde o momento em que entrou na academia. Sua capacidade física, manipulação de aura, esgrima, força mental, cada talento necessário para manejar uma espada era impecável.
Até sua dedicação era fora do comum. Elena ocupar o primeiro lugar era tão natural quanto o sol nascer no leste e se pôr no oeste. Então, quem teria conquistado a glória do segundo lugar, uma posição inferior ao topo, mas ainda assim honrosa? Todos os colegas responderiam o mesmo nome: Darian Cox.
Desde o início, Darian demonstrava um talento único e, excetuando-se Elena, passou a mostrar um foco incrível após uma conversa particular com o diretor. Na verdade, parecia até outra pessoa. Dia após dia, os aprendizes não conseguiam deixar de admirá-lo ao verem sua esgrima se tornar cada vez mais afiada.
Eles nem conseguiam sentir inveja, porque todos testemunharam o quanto Darian se esforçou durante o segundo semestre. Alguns chegaram a pensar que ele poderia superar Elena, então nem é preciso dizer o quanto ficaram chocados ao vê-lo cair para o terceiro lugar na avaliação final.
Isso mesmo, Darian falhou em alcançar seu objetivo de se tornar o primeiro colocado. E não só isso, ele também perdeu o segundo lugar, que acreditava ter garantido com todo o seu esforço.
Não, quem tomou essa posição foi Kai, o garoto órfão conhecido como ‘Filho da Ignet’. Foi a espada dele que despedaçou o coração de Darian Cox.
— Mesmo assim… é motivo suficiente pra largar a academia de espadachim?
— Né? Claro, o resultado foi chocante, mas… não entendo muito bem.
— Que decepção. Não achei que ele fosse tão fraco de espírito.
— Como é que dizem? Gênios quebram com mais facilidade. Eles raramente enfrentam o fracasso, então não estão acostumados a se ferir. Quando algo assim acontece, sentem muito mais do que os outros.
— Se eu tivesse esse tipo de talento, nunca teria agido assim.
— Pois é. Que desperdício.
Os aprendizes que foram reprovados na avaliação final, e até alguns dos que passaram e se tornaram aprendizes oficiais, criticaram Darian. Sentiam-se desapontados por ele demonstrar uma atitude tão lamentável mesmo tendo conquistado algo honroso, ainda que inferior ao primeiro e segundo lugar.
Mas eles não compreendiam o choque do fracasso para alguém que deu tudo de si para alcançar um objetivo… Investir cada gota de energia, a ponto de esgotar a alma, e ainda assim fracassar, isso era infinitamente mais doloroso e angustiante do que qualquer um que se esforçou um pouco poderia imaginar.
Aqueles que ‘se esforçaram só um pouco’ jamais entenderiam.
No dia seguinte ao término da avaliação final, Darian retornou para sua família. Era confortável. Muito confortável.
Ali, ele não precisava acordar cedo todas as manhãs para brandir a espada. Não havia colegas treinando a cada minuto e segundo, deixando os outros tensos só de observar. Nem instrutores e assistentes derramando suor com mais paixão que os próprios aprendizes preliminares.
Tudo o que via eram familiares fazendo o possível para agradá-lo em cada humor, e servos ainda mais desesperados para satisfazê-lo. Era, sem dúvida, confortável, mas ele não se sentia confortável. E foi por isso que Darian não saiu de seu quarto.
Assim, o garoto continuou afundando em si mesmo. Cavou um buraco, cavando e cavando de novo. Ainda assim, lembrava-se da espada daquele dia e da figura brilhante de Kai ao reproduzir a espada lendária… e então se enterrava mais fundo.
Provavelmente teria continuado assim para o resto da vida. Mesmo que alguém fosse visitá-lo, até mesmo seus próprios pais, não conseguiriam mudar sua decisão. Mas, dessa vez, o visitante era alguém grande o bastante para fazê-lo levantar a cabeça.
Era aquele que a família Cox precisava, inevitavelmente, superar. O chefe da família Lloyd, que recebeu o título de duque após a subjugação do Rei Demônio. Um dos mais fortes Mestres da Espada da potência central, de todo o Reino de Gaveirra.
Brett Lloyd veio vê-lo pessoalmente e disse:
— Vai continuar sentado assim?
Darian o encarou.
— Isso quer dizer que não quer conversar? Ou… ficou sem palavras diante da minha aparência, de uma beleza escultural mesmo aos quase cinquenta anos? — Brett perguntou. — Vou assumir que é a segunda opção, então vou te dar um tempo pra se recompor.
“Não sei se ele tá brincando ou falando sério.” Mas Darian conseguia perceber que Brett viera consolá-lo. E também sabia qual seria o teor daquele consolo.
Darian permaneceu em silêncio por mais um tempo. Sabia que precisava dizer algo. Estava plenamente consciente de que não estava bem.
“Eu vou me esforçar mais. Vou superar isso. Vou trabalhar mais sério…” Eram as palavras que deveria dizer ao grande herói de Gaveirra. Era uma situação com uma resposta certa.
Mas as palavras que saíram de sua boca, após um longo silêncio, foram decepcionantes, até para ele mesmo:
— Acho que sou muito inferior ao chefe da família Lloyd.
Brett inclinou levemente a cabeça.
— Quando vi a espada do meu colega… Quando vi a espada do Kai, parecia que ele estava reproduzindo o corte vertical… Era igual à espada do Diretor Farreira na juventude… Percebi que é uma espada que eu não consigo imitar… Uma espada que eu não alcançaria mesmo tentando por toda a vida.
— Eu também já me senti assim.
— Mas o senhor superou. Teve o talento e a força mental pra isso.
— Quer dizer que você não tem?
Darian olhou para as próprias mãos.
— Deve estar sendo difícil pra você.
Darian não conseguiu responder. Sentia vergonha, por estar recebendo o grande herói do reino sentado, por estar se lamentando em vez de responder com firmeza, por não conseguir responder às palavras que pareciam carregar um fio de esperança. O garoto abaixou a cabeça mais uma vez e começou a afundar ainda mais, num buraco, num pântano.
Ao vê-lo assim, Brett sorriu discretamente. Lembrou-se dos velhos tempos. Entendia Darian, porque também já foi assim. Se a espada de Kai era parecida com a de Airen, não era de se estranhar que Darian estivesse agindo daquela forma. Claro, isso não significava que poderia simplesmente deixá-lo ali.
Assim como sua esposa o estendeu a mão um dia, ele também queria estender a mão para o futuro de Gaveirra. No fim, ele era apenas um intermediário; o verdadeiro auxílio ao garoto viria de outro lugar.
— Conhece um espadachim chamado Khun? — perguntou Brett com um tom gentil, mas com firmeza o bastante para soar quase fria.
Darian levantou o olhar.
— Ele é alguém que não desistiu de treinar até os setenta anos. Tornou-se um Mestre Espadachim e acabou sendo reconhecido como um dos Três Grandes Espadachins do continente.
Darian assentiu com dificuldade. Embora Khun fosse de antes de seu nascimento, ele o conhecia. Sempre era citado quando se falava sobre o valor do esforço, então era impossível não conhecer. Mas, por não ser alguém que pudesse ver com os próprios olhos, Khun não parecia real. Era como um conto de fadas que ouvira na infância.
Brett também sabia disso.
— Claro, soa como uma história distante. Eu entendo. Mas… e se alguém tivesse herdado essa vontade? — disse ele. — Um espadachim que, mesmo sem talento, jamais largou a espada e, no fim, alcançou grandes conquistas… O que acha? Estaria disposto a conhecê-lo?
Brett não deixou passar o leve brilho que surgiu nos olhos de Darian.
Como esperado, uma voz fraca escapou do garoto:
— Está falando da Judith Lloyd?
Ele certamente achava que sim, mas não estava muito interessado em ouvir sobre ela. Judith também era uma das Quatro Grandes Espadachins do continente, uma figura comparável em talento a Airen Farreira, Illia Lindsay e Brett Lloyd. Darian não achava que teria algo a ganhar ouvindo a história de uma pessoa tão grandiosa. Eram seres completamente diferentes dele.
Brett balançou a cabeça, abriu a porta e disse a Darian:
— Não, não é a Judith. Provavelmente não é ninguém em quem você esteja pensando. Se estiver curioso, me siga. Claro, não é obrigatório… mas essa oportunidade não aparece duas vezes.
“Pense bem.”
Tendo dito isso, Brett não olhou para trás e começou a sair do quarto.
Darian o encarou em silêncio e, com atraso, o seguiu. Não teve tempo de trocar de roupa. Seguiu Brett como se estivesse possuído. Saiu do edifício, chegou ao campo de treinamento e se deparou com um homem de meia-idade.
Não sabia quem ele era, mas tinha certeza de que aquele homem era de quem Brett falara.
Sabia por causa do olhar, da postura com a espada, da atmosfera ao redor, tudo transmitia firmeza. O homem de meia-idade tinha a solidez de um ferreiro comum que martelou milhares de vezes todos os dias.
O velho mudou de postura. Recuou o pé direito, girou o corpo de lado e preparou-se para sacar a espada como se estivesse armando uma besta. Era a fase de preparação para a estocada. Simples, mas não simples. Os garotos não conseguiam imaginar por quanto tempo ele treinou aquele movimento simples.
Darian nem sequer ouviu o som do vento enquanto observava a estocada do homem. Era assustadoramente rápida e, ao mesmo tempo, estranhamente lenta, como se a espada pudesse ser capturada.
Então Darian se lembrou do passado de Lance Patterson.
“Eu achava que era um gênio, pelo menos quando era criança. Meu pai e meu irmão diziam isso. Não só eles, mas também muitos cavaleiros que me observavam. Eles não hesitavam em derramar admiração e elogios sobre mim.”
“Mas essa ilusão não durou muito. Na primavera do meu décimo terceiro ano, tornei-me um aprendiz preliminar da Academia de Esgrima Krono.”
“E foi aí que tudo começou.”